Japanese Navy Submarine I-19 AFV 1/350
Escrito por Nelson Rapello   
Ter, 23 de Março de 2010 18:08

O desenvolvimento de projetos de submarinos começaram a ser feitos no Japão logo após a Primeira Guerra Mundial, quando 7 submarinos alemães foram transferidos para marinha japonesa como espólio de guerra. A análise detalhada desses submarinos, a contratação de técnicos alemães e a aquisição de projetos destes, acabou capacitando os japoneses a desenvolverem embarcações com autonomia suficiente para cruzar o Pacífico.

Com a expiração do Tratado de Washington em 1937 puderam os japoneses dar andamento a um grande programa de expansão de sua marinha, o que incluiu um programa de construção de 70 novos submarinos. Dentre esses a classe mais numerosa foi a B1 Type, dos quais foram construídas 20 embarcações. Os B1 Type, também chamados de Classe I-15 ou ainda Otsu-gata, eram submarinos grandes, velozes e com grande autonomia. Mediam 106,88m x 9,30m x 4,90m, deslocando 2.198 toneladas a 23,6 nós na superfície ou 8 nós submersos, uma autonomia de 14.000 milhas náuticas (23.000 km) a 16 nós na superfície, podendo mergulhar a 100m de profundidade. Seu armamento consistia de 17 torpedos de 21 polegadas Type 95 que podiam ser disparados por 6 tubos, 1 canhão de 5,5 polegadas e 2 metralhadoras de 25mm. Carregava ainda um hidrovião, inicialmente Type 96 Watanabe E9W1 "Slim" que foram posteriormente substituídos pelos Yokosuka E14Y "Glen". No final da guerra alguns submarinos tiveram o seu hangar substituído por um canhão de 140mm.

Os submarinos B1 Type foram o I-15, I-17, I-19, I-21, I-23, I-25, I-26, I-28, I-27, I-29, I-30, I-31, I-32, I-33, I-34, I-35, I-36, I-37, I-38 e I-39. Sendo que alguns desses se notabilizaram por algumas de suas ações, a saber:

I-25 – A partir dele, seu hidrovião Yokosuka E14Y Glen, realizou alguns lançamentos de bombas incendiárias sobre as florestas do Oregon em 1942 com o propósito de promover incêndios florestais.

I-26 – Afundou a escuna americana Cynthia Olson e 7 de dezembro de 1941, posteriormente atingiu o Porta-Aviões americano USS Saratoga com um de seus torpedos de uma salva de 6 e afundou o cruzador americano USS Juneau.

I-27 – Afundou o transporte de tropas SS Khedive Ismail com a perda de 1.300 de seus ocupantes.

I-29 – Participou de missões de intercâmbio tecnológico com a Alemanha, lembrando que durante o conflito os submarinos de longo alcance eram o único meio de transporte entre os dois países com alguma chance de sobrevivência.

I-30 – Foi o primeiro submarino japonês a realizar missões na Europa.

I-36 – Foi modificado junto com o I-37 para transportar 4 mini-submarinos Kaiten em missões kamikaze, posteriormente o I-36 teve sua capacidade ampliada para 6 Kaitens.

Porém de toda a classe B1 Type, o mais bem sucedido foi o I-19:

Completado em 28 de abril de 1941, participou do ataque a Pearl Harbor juntamente com outros 6 submarinos da classe B1. Na ocasião inclusive forneceu suprimentos as balsas com os sobreviventes da escuna Cynthia Olson que havia sido afundada pelo I-26. Em março de 1942 tomou parte na operação K-1, que consistiu num segundo ataque a Pearl Harbor realizado por hidroaviões Kawanishi H8K1 Emily. A sua tarefa, juntamente com outros submarinos B-1 Type foi reabastecer os hidroaviões durante o trajeto com combustível transportado em seus hangares. No entanto o seu feito mais impressionante se deu a 15 de setembro de 1942 quando em patrulha ao sul das ilhas Salomão durante a campanha de Guadalcanal. Ao encontrar um comboio americano disparou uma salva de 6 torpedos, atingindo simultaneamente o porta-aviões USS Wasp, o couraçado USS North Carolina e o destroyer USS O’Brien, vindo a afundar o Wasp e o O’Brien deixando ainda o North Carolina danificado. A ação é considerada até hoje a salva de torpedos mais bem sucedida da história naval.


De novembro de 1942 a fevereiro de 1943 o I-19 participou de missões de abastecimento e posteriormente evacuação das forças japonesas em Guadalcanal, em missões que ficaram conhecidas como “O Expresso de Tóquio” entre os aliados. Em 1943 o I-19 ainda afundou o Liberty Ship Phoebe A. Hearst e o cargueiro William K. Vanderbilt, danificando ainda outros dois antes de ser afundado pelo destroyer USS Radford em 25 de novembro de 1943 nas proximidades da ilha Makin.

No total os submarinos das classes B-1, B-2 e B-3 foram responsáveis pelo afundamento de 56 navios mercantes, totalizando 372.000 toneladas, cerca de 35% dos mercantes afundados por submarinos japoneses. Com exceção do I-36 que foi afundado em 1º de abril de 1946 pela marinha americana, todos os demais submarinos da classe B-1 Type foram perdidos durante o conflito.

O I-19 da AFV Club:

O kit é composto por cerca de 85 peças em plástico injetado, distribuídas em 4 árvores, sendo 3 em plástico cinza e 1 transparente, um conjunto de photo-etches e 2 folhas de decalques. Cada uma das árvores vêm embalada em um saco plástico transparente individual estando o conjunto acondicionado na tradicional caixa de papelão.

As instruções estão impressas em uma única folha em forma de folder, contém um breve histórico da embarcação e é dividida em 12 etapas que descrevem através de desenhos a montagem dos conjuntos de maneira clara e sucinta. As indicações de cores são um pouco vagas, havendo porém, uma tabela de correlação com as tintas das marcas Gunze Sangyo, Humbrol, Revell e Life Color. No entanto é recomendável compará-las antes de aplicar com a documentação existente sobre as cores usadas nas embarcações da IJN.

O casco é dividido em duas partes, sendo a superior em plástico cinza médio e a inferior em vermelho, o que facilita bastante caso se deseje uma montagem do tipo waterline. Os detalhes do convés são extremamente bem feitos, num nível de qualidade comparável ao do I-400 recentemente lançado pela Tamiya na mesma escala.

A galha (A) trás a parte de cima do casco de pressão, a base do display e outros elementos como hélices, leme, profundores, torpedos, etc., tudo com um nível de detalhamento excelente para a escala.

A galha (B) contém a torre, a placa do display e outros detalhes menores.

Na galha (C) estão a parte da frente do convés, o passadiço da torre e os componentes da catapulta do hidroavião.

Seguindo uma tendência inaugurada pela Trumpeter, o galho (D) é feito em plástico transparente e trás as peças que compõem o hidroavião Yokosuka E14Y Glen, destaque aqui para excepcional qualidade com que foi executado.

No photo-etche estão representados elementos de difícil reprodução fiel em plástico injetado como a balaustrada, guindaste de manejo do hidroavião, hélice e suportes dos flutuadores do mesmo, etc.

As folhas de decalque infelizmente trazem apenas as marcações da torre do I-19, não deixando a possibilidade de montar nenhum dos outros B-1 Type, os cocares do hidroavião, porém sem nenhuma marcação para o leme. A qualidade dos decalques é a mesma da dos que a AFV usa em seus blindados, portanto excelente.

CONCLUSÕES:

De alguns anos para cá diversos fabricantes passaram a se dedicar as embarcações na 1/350, mais recentemente a Tamiya inaugurou o filão dos submarinos nessa escala com o seu excelente I-400. No entanto é ao mesmo tempo interessante e surpreendente que um fabricante que até então só havia se dedicado aos blindados 1/35 tenha entrado na concorrência desse mercado e com tamanha competência.

Quem já conhece os blindados da AFV pode perceber claramente o quanto esse kit se beneficiou da experiência que a AFV adquiriu ao longo dos anos em injetar peças em plástico extremamente finas e delicadas.

A escolha do objeto foi bastante feliz, pois trata-se de um dos mais belos e significativo entre os submarinos construídos durante a Segunda Guerra e que até agora estava relegado a um ou outro kit japonês antigo e difícil de encontrar.

É bastante interessante poder se comparar a diferença de tamanho entre os submarinos japoneses e alemães. Na foto abaixo estão de cima para baixo os cascos do I-400 da Tamiya, I-19 da AFV e Type VIIB também da AFV.

A discrepância de tamanho entre o submarino alemão e os japoneses nos faz acreditar a primeira vista que os kits estão em escalas diferentes, porém todos os três estão na 1/350. Essa discrepância se deve ao fato de que na realidade o I-400 media 122m, o I-19 107m e o Type VIIB 64,5m, portanto quase a metade do tamanho do de um submarino japonês.

Em resumo, o I-19 da AFV foi realizado em um padrão de qualidade que o torna bastante compatível não só com o I-400 da Tamiya como com o da maioria dos lançamentos recentes de embarcações na 1/350. Por ser um kit relativamente pequeno, cerca de 31cm, e com relativamente poucas peças, pode ser um bom começo para aqueles que querem se iniciar no modelismo naval sem a complicação dos navios maiores e repletos de peças. A possibilidade da montagem waterline também deixa em aberto a opção de se montá-lo em um diorama junto a um dos diversos navios japoneses que foram recentemente lançados na 1/350, portanto altamente recomendado.

 
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