Fairey Firefly Mk.I ¨Home Fleet¨- Special Hobby 1/48
Escrito por Ricardo P-40   
Sex, 16 de Agosto de 2013 20:22

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Fairey Firefly  Mk.I  ¨Home Fleet¨ – Special Hobby 1/48

Kit Nº SH 48127

HISTÓRICO

Em 1938 o Ministério da Aeronáutica Britânico apresentou especificações para dois tipos de caças navais, um convencional e outro com uma torreta na cabine. As especificações para ambos seriam 275 nós de velocidade a 15.000 pés de altitude, quando devidamente armados. Para o caça convencional o armamento seria composto de 8 metralhadoras Browning de 0,303 ou 4 canhões Hispano de 20mm. O mesmo deveria substituir o Fairey Fulmar que era então visto apenas como um modelo provisório. Essas especificações foram sendo aperfeiçoadas ao longo do ano seguinte e muitos dos projetistas britânicos apresentaram novas propostas. Com as propostas apresentadas, as especificações oficiais foram sendo alteradas, descartando-se no final a versão com torreta. Essa foi substituinda por novas requisições de caças de um e dois lugares, que fossem capazes de atingir 330 e 300 nós de velocidade, respectivamente.  A Fairey apresentou projetos que poderiam ser para os aviões de um ou dois lugares, ambos equipados com motor Rolls-Royce Griffon ou ainda uma aeronave maior equipada com o motor Napier Sabre. Após rever as propostas dos fabricantes, ficou decidido que para a navegação sobre o oceano aberto o melhor seria a aeronave de dois lugares e para a defesa das bases navais o ideal seria um caça monoposto, sendo o Blackburn Firebrand o modelo preferido na época.

O Firefly foi desenhado por H.E. Chaplin para a Fairey Aviation em junho de 1940 e o Almirantado acabou por encomendar 200 deles, tomando por base apenas o projeto, sendo que os três primeiros da encomenda seriam os protótipos da série. O primeiro protótipo do Firefly acabou voando em 22 de dezembro de 1941. Apesar do mesmo ser 4.000 libras (1.810 Kg) mais pesado que o Fulmar, principalmente em virtude dos dois canhões Hispano de 20mm em cada asa. Este era 40 mph (60 km/h) mais veloz que o Fulmar, isso devido a uma melhor aerodinâmica e a um motor mais potente, o Rolls-Royce Griffon II B de 1.735 hp.

O desenho final do Firefly resultou em um monoplano de asa baixa com uma seção oval de fuselagem monocoque e uma cauda convencional com estabilizadores posicionados a frente. Este era movido por um motor Rolls-Royce Griffon que acionava uma hélice tripá. Possuia trem de pouso principal e bequilha retráteis, sendo que o trem de pouso principal era operado hidráulicamente, recolhendo para dentro da seção central da asa. O avião possuía ainda um gancho de parada retrátil sob a cauda. As cabines do piloto e observador/rádio operador ficavam sobre a asa, permitindo uma excelente visibilidade para ambos, tanto em vôo, quanto durante o pouso. Sendo ainda, ambos os canopies das duas posições dos tripulantes ejetáveis. As asa podiam ser dobradas manualmente, ficando alinhadas em posição vertical, em paralelo com a fuselagem, quando dobradas. As mesmas eram travadas hidraulicamente quando na posição de vôo.

Os primeiros testes de manobrabilidade e performance foram feitos em Boscombe Down em 1942. Em 1944 o Firefly foi preparado para o uso de foguetes sob as asas e em abril de 1944 foram feitos testes com a carga de 16 foquetes e dois tanques alijáveis de 205 litros, que resultaram numa performance de vôo bastante aceitável. Testes com outras configurações de carga envolvendo tanques descartáveis de 410 litros e bombas de 454 kg, resultaram também em performances ainda razoavelmente aceitáveis, embora com algum prejuízo nas condições gerais de vôo.

A primeira versão do avião usada na Segunda Guerra foi a Mk.I, que atuou em todos os Teatros de Operações. Embora o primeiro Firefly Mk.I tenha ficado pronto em março de 1943, somente em julho de 1944 é que o modelo entrou em serviço operacional, equipando o 1770 Naval Air Squadron a bordo do HMS Indefatigable. Nas primeiras operações na Europa, os Fireflies fizeram vôos desarmados de reconhecimento e ataques contra navios alemães na costa da Noruega. Estes também proveram cobertura aérea aos ataques contra o couraçado Tirpitz em 1944.

Ao longo da sua carreira operacional, o Firefly foi sendo adaptado para diversas tarefas que iam desde caça ao combate anti-submarino, principalmente quando operado pela Frota Britânica do Pacífico. O Firefly realizou ataques a refinarias de óleo, campos de pouso e ganhou renome por ter sido o primeiro avião de projeto britânico a sobrevoar Tóquio.

Após a Segunda Guerra, o Firefly permaneceu na primeira linha de serviço da Fleet Air Arm até meados dos anos 50. O Reino Unido forneceu ainda Fireflies ao Canadá, Autrália, Dinamarca, Ethiopia, Holanda, India e Thailândia. A Marinha Real Canadense operou 65 Fireflies na versão Mk AS 5 a bordo de seus próprios porta-aviões entre 1946 e 1954. Ela possuía ainda alguns Mk.I que foram repassados a Ethiopia no início dos anos 50.

Os Fireflies britânicos e australianos realizaram patrulhas anti-navios e ataques ao solo a partir de diversos porta-aviões durante a Guerra da Coréia, como também realizaram ataques ao solo durante a Crise da Malásia. Os Fireflies começaram a ser retirados da linha de frente com a introdução do novo Fairey Gannet, ainda assim, várias versões foram desenvolvidas posteriormente para uso como treinadores ou rebocadores de alvos.

O KIT

O kit é composto por 168 peças injetadas em plástico cinza, dispostas em 6 galhos, 6 peças injetadas em plástico transparente, 5 peças em resina e 2 folhas de decalques. A injeção é de excelente qualidade com muito poucas rebarbas, só foram encontradas marcas de injeção que necessitam ser removidas em alguns poucos pontos do interior da cabine, todas de fácil remoção.  A moldagem geral das peças é muito bem feita, com detalhes bem definidos e superfícies lisas, que pouco deixam transparecer a natureza short run do modelo. 

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O primeiro galho é formado pelas duas metades da fuselagem, algumas partes do interior, intakes laterais do nariz e tomada de ar do radiador, a grade frontal do radiador e carenagem ventral onde encaixa o gancho de parada. 

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A aparência geral das peças é excelente, com destaque para as linhas que representam a separação dos painéis externos da fuselagem muito bem executadas. As paredes da fuselagem são ligeiramente espessas, porém isso não chega a ser um problema, uma vez que os canopis não abrem como veremos mais adiante. Além do mais num avião com interior longo como esse, paredes muito finas ficariam suscetíveis a empenar e desalinharem entre si durante a montagem. Conforme foi dito acima, há alguns poucos pontos de injeção que precisam ser removidos no interior da cabine e na parte interna do leme, porém todos em locais de fácil remoção. O único senão aqui é a ausência de pinos guias para o alinhamento entre as duas metades da fuselagem. Outro destaque do galho é a grade frontal do radiador, muito bem executada e bastante de acordo com o que se pode ver em fotos do avião.

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O segundo galho é dedicado as duas metades da asa superior e a asa inferior.

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Aqui percebe-se também a mesma qualidade na execução das linhas dos painéis vista na fuselagem. Destaque para as posições das luzes de vôo e farol do bordo de ataque que já vêem cortadas para o uso de transparências e para os furos dos ejetores de cartucho, que já vêem abertos, embora necessitando de alguns ajustes. A princípio, as poucas marcas de injeção observadas nas faces internas, não deverão ficar aparentes nem causar problemas a junção das asas. Observar ainda que as saídas dos canhões foram feitas de forma a receber as versões com ou sem as respectivas carenagens. Aqui também se sente a ausência dos pinos guias para o fechamento correto das asas.

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No terceiro galho encontramos as quatro metades que formam os dois estabilizadores horizontais, spinner e pás das hélices, os suportes subalares dos lança-foguetes, assentos e outras partes do interior, os canhões das asas com e sem as carenagens.

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A execução geral dos detalhes é muito boa e a maioria das partes encontra-se muito bem representada, apesar desse galho ter apresentado um pouco mais de rebarbas que os demais. Destaque especial para os canhões sem carenagem, que embora seja uma peça que eventualmente poderá vir a ser substituída por outra melhor feita em metal torneado. A original do kit é muito bem feita e não fará má figura se usada. O spinner e as hélices possuem o formato razoavelmente próximo ao correto e os detalhes do interior são convenientemente bem feitos. Observa-se ainda nesse galho, um grande número de peças não utilizadas nessa versão, como um spinner e hélices para vesões quadripá, tanques alijáveis e outros acessórios subalares, que deixam antever um pouco dase outras versões que estão por vir.

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O quarto galho é composto pelas rodas, pernas e portas do trem de pouso principal, bequilha, gancho de parada, painel de instrumentos, manche e outros detalhes da cabine.

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As rodas são finamente executadas e são fornecidos dois conjuntos de metades externas, com quatro e cinco furos, porém a instrução não informa qual versão de pintura usava cada um dos tipos de roda. As pernas e portas do trem de pouso são igualmente bem feitas, sendo que os detalhes da face interna dessas são bastante convidativos a um wash adequado. O painél e demais detalhes do interior são bem feitos, embora nenhum instrumento tenha sido representado no mesmo, ficando isso por conta dos decalques fornecidos.

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Os quinto e sexto galhos são iguais entre si e representam os lança-foguetes e outras cargas subalares.

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Do conjunto de peças dos galhos, somente os lança-foguetes simples pertencem a essa versão, os lança-foguetes duplos e tanques subalares são para versões futuras. Os foguetes e os trilhos me parecem corretos e bem feitos, no entanto as aletas dos mesmos estão muito grossas para a escala. Um pouco de rebarba também pode ser observada nos foguetes.

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No galho das transparências encontramos 2 modelos diferentes de canopi do piloto, o canopi do observador/rádio operador, lentes do farol da asa e das luzes de vôo. Embora os canopis sejam corretos quanto as formas, cabem aqui duas críticas: A primeira com relação ao fato de nenhum dos canopis abrirem, o que é lamentável num avião tão grande e com o interior tão detalhado. A segunda em relação a transparência propriamente deita. Embora essa não chegue a ser totalmente ruim, percebe-se que há uma certa irregularidade nas superfícies causando um pouco de efeito lente quando olhados contra a luz, principalmente nos canopis frontais. Sendo recomendável o polimento desses antes de usar.

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As partes em resina são: O conjunto do porão de rodas, o par de escapamentos e um par de intakes que ficam sob o radiador. O porão de rodas é finamente executado, com a representação das cavernas internas da asa superior, embora seja um pouco pobre de detalhes quando comparados com as fotos. Os escapamentos são excelentes e tanto eles como os intakes tem as aberturas vazadas,  precisando apenas de um wash preto nelas para ficarem totalmente convincentes.

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Os decalques são compostos por uma folha principal onde estão representadas as marcações das 3 versões de pintura que serão comentadas na descrição das instruções e alguns stencils que são comuns a todas elas. A impressão feita pela Aviprint é bem centrada e os motivos bem nítidos, o filme é bem fino e aparentemente de boa qualidade. A única crítica é com relação aos motivos impressos em amarelo que acabaram ficando com uma borda mais escura, provavelmente porque a camada impressa em branco sob elas não chegou até as suas bordas. 

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A segunda folha traz os instrumentos do painel e as marcações do bordo de ataque da segunda versão de pintura. Os motivos dos instrumentos me parecem um tanto ao quanto simplificados para a escala, o que torna mais recomendável a a sua substituição por outros decalques de instrumentos reaproveitados de outros kits.

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O folheto de instruções contém 12 páginas de 21cm x 15cm e é bem impresso em preto e branco sobre papel fosco de boa qualidade. Na primeira página há um breve histórico do Firefly em Tcheco e Inglês, nas páginas 2 e 3 são mostrados os desenhos dos galhos, com as partes não aproveitadas assinaladas. Há ainda uma tabela com as cores usadas nos detalhes com a sua equivalência com as cores da Gunze.

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Nas páginas 4 a 9 temos os diagramas de montagem própriamente ditos. Esses estão divididos em 20 etapas, com indicações das partes a serem usadas para cada uma das versões de pintura. De um modo geral os desenhos são claros e bastante compreensíveis, trazendo ainda as indicações das cores das partes conforme a tabela inicial. A única observação é que em virtude do número de peças envolvidas em algumas etapas e o tamanho reduzido das páginas, em alguns momentos o acompanhamento pode se tornar um pouco difícil.

Nos diagramas das três versões de pintura propostas, há um breve histórico de cada aeronave em Tcheco e Inglês, indicações das côres com os correspondentes códigos da Gunze Sangyo além das indicações de posicionamento das marcações e stencils.

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A primeira versão proposta é do Firefly Mk.I Q/Z1905 do FAA Nº 1771 Sqn., baseado no HMS Implacable em 1944.

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A segunda versão é do Firefly Mk.I 5M/Z1830 do FAA Nº 1770 Sqn., baseado no HMS Indefatigable em Julho de 1944.

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Finalmente a terceira é do Firefly Mk.I E3-J/Z2116 do FAA Nº 731 Sqn., baseado na base aérea East Haven no final de 1944.

CONCLUSÕES

Durante muitos anos o Firefly Mk.I ficou relegado pelos fabricantes ao velho kit da Frog 1/72 e as suas reencarnações posteriores pela Novo e outras marcas do Leste Europeu. No início de 2002, uma empresa nova chamada Grand Phoenix surpreendeu o mercado com um kit injetado do Firefly na 1/48 que ficou bastante conhecido pelo formidável interior em resina que a Aires desenvolveu para ele. A Grand Phoenix desapareceu logo após esse lançamento, porém o seu Firefly retornou recentemente ao mercado, tanto na sua versão original como também em algumas novas variações pela AZ Model, mantendo o mesmo interior de resina. Agora finalmente a Special Hobby nos surpreende novamente com esse lançamento. As qualidades e deficiências de cada um dos dois modelos serão demonstradas no artigo comparativo entre os Firefly Mk. I da Special Hobby e o da Grand Phoenix/AZ Model.

Porém independentemente do resultado da comparação entre ambos, podemos antecipar que o kit da Special Hobby foi uma grande adição ao mercado de modelos de aviões ingleses da WWII na 1/48. Os poucos problemas encontrados nele, são na sua maioria decorrentes do próprio método de injeção short run, e nesse caso específico, podemos afirmar que o resultado final ficou muito próximo ao de um kit de injeção normal. Dada a qualidade das peças, tanto injetadas como em resina, podemos dizer que pelo menos para os menos exigentes, bastará adicionar cintos de segurança aos assentos e decalques mais adequados aos mostradores dos instrumentos para se realizar um excelente kit com ele. Para o mais exigentes, provavelmente em breve surgirão diversos acessórios no mercado que permitirão que se obtenha um resultado excepcional. Não ficando ainda de todo descartada a possibilidade de adaptação nele das excelentes peças em resina feitas pela Aires para o kit da Grand Phoenix, conforme será demonstrado no artigo comparativo.

Portanto podemos considerar esse kit como bastante recomendável para os fãs da aviação naval inglesa da Segunda Guerra Mundial, e mais especificamente para os fãs do Firefly na sua primeira versão. Lembrando ainda que independentemente de ser um short run, dada as qualidades do kit, a sua montagem não deverá causar maiores dificuldades aos que já possuem uma pequena experiência na montagem de modelos de injeção normal. Ficando as dificuldades dele, muito mais por conta do número de peças e complexidade do avião, do que devido ao fato de ser um short run. 

 
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