Batalha do Mar de Coral - Análise parte 2
Escrito por Sidnei Eduardo Maneta   
Qui, 04 de Abril de 2013 00:00

O comandante Mitsuo Fuchida sentia algumas dores estomacais que o levaram ao hospital do Exército na cidade de Kagoshima. Após fazer alguns raio-x, ele ficou internado por duas semanas. Finalmente, o médico lhe disse que ele tinha uma úlcera e ordenou que ele parasse de beber. De maneira bastante relutante ele acabou obedecendo.
Durante sua internação neste hospital, a batalha no Mar de Coral aconteceu nos dias 7 e 8 de Maio. O alto comando anunciou que esta batalha foi uma grande vitória japonesa e a imprensa conseguiu se superar com artigos floreados que louvavam e exaltavam este feito.
Assim, se a batalha no Mar de Coral pode ser chamada de uma vitória japonesa, foi uma vitória numericamente das mais apertadas. Mas Fuchida e outros aviadores mais bem informados não conseguiram se alegrar. Certamente, nada tinha que se comparasse com o retumbante triunfo proclamado à nação japonesa pelo rádio ao som dos vibrantes compassos da Marcha da Marinha.

Na verdade, os japoneses tinham afundado o porta-aviões USS Lexington e atingido o USS Yorktown, mas os americanos tinham afundado o IJN Shoho e danificado o IJN Shokaku. Além do mais, a Quinta Divisão de porta-aviões tinha sofrido pesadas perdas de aviões.
Em 17 de Maio, o IJN Shokaku aportou em Kure, com a distinção nada invejável de ser o navio de guerra japonês mais pesadamente danificado naquela base, desde o início das hostilidades. O fato de que três bombas de tamanho médio o haviam incapacitado de operar com aviões era uma lição incisiva sobre a vulnerabilidade dos porta-aviões. Além disso, uma inspeção de seus danos, determinou que não poderia participar da operação Midway.
A capitânia da Quinta Divisão de porta-aviões, o IJN Zuikaku, que chegou ao porto alguns dias depois, não havia sofrido danos materiais, mas em vista de suas perdas em aviadores, parecia que também não estaria em condições de tomar parte no ataque a Midway. Mesmo que se fizessem prontamente as substituições de pilotos e aviões, faltava agora somente uma semana para a partida da força de Nagumo, e seria evidentemente impossível ministrar aos pilotos substitutos suficiente treino de bordo, de maneira que o porta-aviões pudesse desenvolver atividade eficiente no combate.

Taticamente, os japoneses tinham conseguido afundar um grande porta-aviões. Não obstante, esta vitória foi bastante peculiar, pois os japoneses perderam duas vezes mais homens que o inimigo e não conseguiram alcançar seu objetivo estratégico.


Tanto Fuchida quanto Genda sobreviveram a guerra do Pacífico. Fuchida escapou da morte várias vezes, sendo que uma das mais incríveis foi quando deixou Hiroshima no final da tarde do dia que antecedeu a ataque atômico a cidade.

Quando Fuchida retornou a ativa e falou sobre esta batalha com o comandante Genda, eles concluíram que os japoneses sofreram uma derrota estratégica no Mar de Coral. Além disso, significava que antes da operação contra Midway ter se iniciado, dois dos melhores porta-aviões do Japão – IJN Shokaku e IJN Zuikaku – estavam fora de ação. Eles não passariam por reparos e nem suas tripulações e aviões repostos a tempo de participarem da operação MI.

Assim, a “vitória” no Mar de Coral teve consequencias de longo alcance para a operação Midway. A ausência do IJN Shokaku e do IJN Zuikaku despojava a força de Nagumo de um terço do seu poderio aéreo – possivelmente a margem que constituía a diferença entre a vitória e a derrota.

A ação óbvia seria ter adiado a operação, pelo menos até que o IJN Zuikaku estivesse pronto para participar. Mesmo com estas perdas a Frota Combinada não se dignou a reavaliar os planos para o ataque a Midway. Em quase todos os sentidos, os planos e preparativos para esta batalha estavam em um nível bem abaixo do padrão utilizado para o ataque a Pearl Harbor.

A inesperada exclusão da Quinta Divisão de porta-aviões das forças de Midway, contudo, não diminuiu o otimismo com que a Frota Combinada ou a Força de Nagumo encaravam a iminente operação. Como se acreditava que os dois porta-aviões americanos haviam sido afundados na batalha no Mar de Coral, a proporção entre o poderio de porta-aviões disponíveis para o embate em Midway ainda parecia esmagadoramente a favor dos japoneses.
Todos esses cálculos, naturalmente, se revelaram errôneos mais tarde. O USS Yorktown não havia sido afundado no Mar de Coral, nem sequer fora danificado a ponto de não poder participar da próxima batalha. Para completar a história, como os japoneses souberam após a guerra, o USS Yorktown havia rumado apressadamente a Pearl Harbor, onde o pessoal de reparos, trabalhando em turnos dia e noite, tinham conseguido aprontá-lo em tempo para juntar-se às forças enviadas para deter a invasão de Midway. Esse feito contrastava violentamente com a tranquila pachorra dos japoneses, responsável pela não participação do IJN Zuikaku e do IJN Shokaku na operação Midway.

BIBLIOGRAFIA:
Livro GOD'S SAMURAI: LEAD PILOT AT PEARL HARBOR - by Katherine V. Dillon, Donald M. Goldstein and Gordon W. Prange, year 1990.
Livro MIDWAY, by Mitsuo Fuchida and Masatake Okumiya, year 1953.

TRADUÇÃO: Sidnei Eduardo Maneta (Japonês)

 
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Clique nos links para ir a pagina.

Notícias e Reviews Anteriores

Ultimas do Forum