Batalha do Mar de Coral 5a Parte
Escrito por Sidnei Eduardo Maneta   
Seg, 04 de Março de 2013 00:00

Os navios de guerra da Força Móvel MO deslizavam em direção ao norte durante a escuridão da madrugada do dia oito de maio. No interior dos hangares os mecânicos preparavam os aviões para a missão de busca e observação do final da madrugada, enquanto os exaustos aviadores tentavam dormir umas poucas horas de sono antes de enfrentarem o rigor de outro dia de combate. A bordo do IJN Zuikaku, o alto escalão de Hara concebeu o plano de busca e observação e às 4h20 emitiu as ordens finais.
No dia oito de maio, entre às 6h15 e 6h25, três bombardeiros “Kate” do IJN Zuikaku e quatro “Kate” do IJN Shokaku decolaram e se dividiram para realizar sua missão de busca e observação num arco de 140 a 230 graus, e a uma distância de até 400 quilômetros. Cada avião realizaria sua missão sozinho. A Força Móvel não dispunha mais do luxo de fazer missões de busca e observação utilizando pares de aviões. Contrario ao dia anterior, todos os aviões eram tripulados por experientes pilotos e observadores.

No lado americano o USS Lexington lançou às 6h25 um grupo de dezoito SBD em missão de busca e observação num círculo de 360 graus. O cinturão de baixa pressão que estava sobre o Mar de Coral e que ajudou a esconder a TF-17 no dia anterior tinha se dissipado para o norte. Em conjunto com a movimentação da força oponente, Fletcher estava agora exposto sob um céu claro.


Aviões posicionados no convés de voo do IJN Zuikaku durante o raide de Rabaul, em janeiro de 1942. Esta cena se repetiu no Mar de Coral.

Após o lançamento destes aviões, os preparativos finais para o grupo de ataque principal seriam iniciados. O grupo aéreo dos dois porta-aviões japoneses contavam cento e nove aviões, sendo que apenas noventa e cinco estavam operacionais: trinta e sete “Zero”, trinta e três “Val” e vinte e cinco “Kate”. A madrugada revelou que a Força Móvel MO ainda estava na zona frontal quente, o que significava densas nuvens e baixa visibilidade. Os porta-aviões alcançaram o ponto de lançamento às 6h, mas os sete aviões “Kate” de busca e observação só decolaram às 6h15.

Às 7h, a Força de Ataque MO mudou o curso para o sudeste, velocidade dezoito quilômetros por hora, para se encontrar com dois cruzadores pesados. Eles se reuniram quinze minutos depois.

Às 8h16 o radar americano captou um avião intruso rondando a TF-17. A CAP americana foi acionada mas o avião japonês conseguiu se esconder nas nuvens.

Às 8h20 um SBD fez contato com os porta-aviões japoneses que já estavam apontados para o vento, e os grupos de ataque prontos no convés de voo, esperando apenas uma palavra dos aviões de busca e observação. A patrulha aérea de combate (CAP) já estava no ar.

Às 8h22 este avião “Kate” do IJN Shokaku que voava no setor 200 graus transmitiu a seguinte mensagem: “força de porta-aviões inimiga encontrada”. Depois se seguiu uma sucessão de mensagens detalhadas e acuradas do veterano observador e comandante deste avião suboficial sênior (WO) Kenzõ Kanno, que não deixou a menor dúvida de que esta era a força de ataque principal. A segunda mensagem dizia: “Localização dos porta-aviões inimigos a 205 graus e 378 quilômetros da sua posição, curso 170 graus, velocidade 16 quilômetros por hora”
Hara recebeu as duas mensagens a bordo do IJN Zuikaku às 8h30 e 8h40 respectivamente. Kanno manobrava seu avião próximo da força tarefa americana, para uma melhor observação, e transmitiu informações sobre o tempo, visibilidade e mudanças no curso. Ele foi tão eficiente em iludir o radar americano que após as 8h16 não foi mais contatado. A TF-17 só ficou sabendo que ele continuava a monitorar seus movimentos quando captou suas transmissões de rádio que foram enviadas.

Com a localização dos porta-aviões americanos, os japoneses trabalhavam febrilmente para completar o lançamento do grupo de ataque. Os “Kate” armados com um torpedo de 800kg eram retirados dos hangares e conduzidos ao convés de vôo. As equipes de apoio colocavam em posição as bombas de 250kg nos “Val” que já estavam posicionados no convés de voo. Os mecânicos acionavam os motores que rapidamente eram aquecidos e logo depois deixados em marcha lenta.


Mecânicos acionam por meio de uma manivela o motor de um caça A6M2 “Zero”.

Reunidos em volta de seus oficiais superiores e próximos da estrutura da ponte de comando do porta-aviões, as tripulações recebiam um direcionamento dado por seu capitão, e depois também recebiam uma breve, porém intensa instrução dos seus hikotaicho e buntaicho. O tenente comandante Takahashi e os outros líderes de voo faziam grande esforço para elevar a moral. Apesar da fadiga e da intensa frustração da noite anterior, todos estavam prontos para lutar!


As instruções finais eram dadas no convés de voo.

Pouco depois da 9h chegou a ordem para embarcarem em seus aviões. Os aviadores corriam apressadamente pelo convés de voo. Os marinheiros se alinhavam posicionados nas laterais do convés de voo e na ponte de comando para saudarem com seus quepes e gritar “Banzai” quando cada avião iniciava a corrida para decolar.


Corrida das tripulações para seus aviões.

Entre às 9h10 e 9h15, nove “Zero”, quatorze “Val” e oito “Kate” decolaram do IJN Zuikaku, enquanto do IJN Shokaku decolaram nove “Zero”, dezenove “Val” e dez “Kate”. Com a usual eficiência japonesa este grupo entrou em formação e mais uma vez mais o incansável Kakuichi Takahashi iria liderar a força de ataque composta por sessenta e nove aviões japoneses em direção 196 graus ao sul, com os porta-aviões japoneses seguindo na mesma direção a velocidade de 30 quilômetros por hora num esforço de diminuir a distância de voo de retorno.


Com acenos e gritos “Banzai” os marinheiros saúdam a partida dos aviadores.

Entretanto, como um SBD do USS Lexington que estava em missão de busca e observação encontrou a Força Móvel e enviou sua mensagem do contato feito às 8h20, prontamente a TF-17 lançou seu próprio ataque contra os porta-aviões japoneses.
O USS Yorktown lançou seis F4F, vinte e quatro SBD e nove TBD, enquanto o USS Lexington fez decolar nove F4F, quinze SBD e doze TBD.
As duas formações americanas estavam bem distantes uma da outra de acordo com a doutrina de ataque americana, e já estavam voando a caminho por volta da 9h25. Um TBD do USS Lexington retornou devido a um problema no motor.

A bordo do IJN Zuikaku, Hara continuava a monitorar as excelentes transmissões de Kanno.
Às 9h40 Kanno alertou que pouco mais de trinta aviões estavam se dirigindo para a Força Móvel MO. Takagi e Hara estavam informados sobre a proximidade de um ataque iminente.
Às 10h45, voando a altitude de três mil metros, a força de ataque japonesa se encontrou com o “Kate” do WO Kanno, que estava retornando de sua missão de busca e observação. Em um ato de extrema coragem, e sabedor de que o combustível restante poderia não ser suficiente para garantir o retorno ao seu porta-aviões, ele ordenou ao piloto para reverter o curso e guiar o grupo de ataque de Takahashi em direção ao inimigo.
WO Kanno, que estava preocupado com uma cobertura de nuvens intermitentes que poderia atrapalhar o grupo de ataque de encontrar seu objetivo, se posicionou ao lado do bombardeiro do líder Takahashi e o guiou até estar a distância de visualizar a força inimiga.
Às 11h05 Takahashi contatou visualmente a TF-17 que estava a cerca de 48 quilômetros distante. Ela foi avistada ao sudoeste debaixo de um céu claro com uma pequena extensão com esparsas nuvens e névoa a baixa altitude.


Foto japonesa mostra a TF-17 pouco antes de ser atacada. O navio localizado no centro é o USS Lexington

Com o alvo a vista, Takahashi liberou Kanno e sua tripulação, agora com pouco combustível, a retornarem ao seu porta-aviões. Eles se afastaram levando consigo a gratidão de todos os membros da força de ataque que apreciaram a importância do gesto deles no cumprimento do dever.
O combate final iria começar...

BIBLIOGRAFIA:
1.Livro: FIRST TEAM: PACIFIC NAVAL AIR COMBAT FROM PEARL HARBOR TO MIDWAY - by John B. Lundstrom
2. Livro: AICHI 99 KANBAKU 'VAL' UNITS: 1937-42 - by Osamu Tagaya

 
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