Batalha do Mar de Coral 3a Parte
Escrito por Sidnei Eduardo Maneta   
Seg, 04 de Março de 2013 00:00

As 11h10, pouco antes de Takahashi ter iniciado seu ataque contra o USS Sims e o USS Neosho, os americanos atacaram o porta-aviões leve IJN Shoho, devastando o navio japonês com treze bombas e sete torpedos, causando seu afundamento às 11h35.
Esta é a descrição dos acontecimentos daquela trágica manhã para os japoneses:

A Força Principal da Operação MO com o porta-aviões IJN Shoho operava a noroeste da ilha Misima e providenciava apoio próximo para os transportes japoneses da força de invasão de Port Moresby que lentamente se dirigiam ao sul para a Passagem Jornard.
Às 6h00, os dois cruzadores pesados IJN Kunugasa e IJN Furutaka lançaram quatro hidroaviões E7K2 “Alf” para realizarem missões de reconhecimento na região. Os americanos também lançaram seus aviões de observação para encontrar os japoneses. Às 7h35 um SBD americano reportou ter encontrado dois cruzadores japoneses próximos da ilha Misima. Um erro na retransmissão desta mensagem relatava sobre dois porta-aviões e dois cruzadores. Os comandantes americanos pensaram se tratar dos porta-aviões IJN Shokaku e IJN Zuikaku.
O USS Lexington lançou seu grupo de ataque às 9h26, que era composto por dez caças F4F da unidade VF-2, vinte e oito bombardeiros SBD das unidades VB-2 (dezesseis aviões) e VS-2 (onze aviões), além do avião do comandante, e doze torpedeiros TBD da unidade VT-2.
O USS Yorktown lançou seu grupo de ataque às 9h44, composto por oito caças F4F da unidade VF-42, vinte e cinco bombardeiros SBD das unidades VB-5 (oito aviões) e VS-5 (dezessete aviões) e dez torpedeiros TBD da unidade VT-5.
Por volta das 10h40, a formação americana conseguiu observar alguns navios japoneses distantes 74 quilômetros. Ao se aproximarem puderam confirmar que a formação japonesa possuía um porta-aviões, além de dois ou três cruzadores e um ou dois destróieres.
A bordo do IJN Shoho, o capitão Ishinosuke Izawa se preparava para pousar quatro caças “Zero” e um bombardeiro “Kate” que estavam em missão de cobertura aérea do comboio japonês. No interior do porta-aviões ocorriam os preparativos para o lançamento de um grupo de ataque que seria destinado ao equivocado contato feito ao sul. Rapidamente uma nova patrulha de combate foi lançada, formada por um caça “Zero”, pilotado pelo suboficial sênior (WO) Shigemune Imamura e dois caças “Claude”, pilotados pelos suboficiais de segunda classe (PO2c) Chikao Aoki e Takeo Inoue. Logo após a decolagem desta patrulha, os quatro caças e o bombardeiro pousaram no convés. Diferente de um porta-aviões de frota, os pequenos porta-aviões convertidos como o IJN Shoho (anteriormente era o navio de apoio à submarinos IJN Tsurugizaki) demoravam um longo tempo para acomodar este aviões em seus dois pequenos hangares internos. Aparentemente os aviões “Kate” destinados a missão de ataque estavam sendo armados com torpedos nos dois pequenos hangares internos. Logo após a recuperação dos quatro caças e do bombardeiro, a Força Principal da Operação MO mudou seu curso em direção ao noroeste. De repente, às 10h50, os gritos dos vigias alertaram sobre a aproximação de aviões inimigos... Eram as unidades do porta-aviões USS Lexington.


Bombardeiro B5N2 pilotado por um ala do porta-aviões IJN Shoho.

O ATAQUE DAS UNIDADES DO USS LEXINGTON
Às 11h07, da ponte de comando do IJN Shoho, Izawa pode ver a formação de bombardeiros de mergulho americanos se dividir para iniciar seu ataque. Ele ordenou seu timoneiro para fazer uma curva acentuada a bombordo. Havia muito espaço para ele realizar manobras, pois o IJN Shoho estava no centro de uma formação que lembrava um diamante, com quatro cruzadores pesados (IJN Aoba, IJN Kinugasa, IJN Furutaka e IJN Kako) a sua volta e cerca de 1.500 metros distantes, além de um destróier dando apoio próximo (IJN Sazanami). A bordo do IJN Shoho, as equipes de apoio trabalhavam agitadas na tentativa de posicionar três caças A6M2 “Zero” para serem lançados o mais rápido possível para missão de CAP.

O ataque americano começou às 11h10, da altitude de 3.480 metros com treze bombardeiros SBD da unidade VS-2.
Nenhum caça japonês da patrulha aérea de combate estava em posição para interceptar este primeiro grupo de SBD americanos da unidade VS-2 que mergulharam para o ataque, mas estavam se posicionando para atacar a segunda formação de SBD da unidade VB-2 durante seu mergulho. As baterias antiaéreas faziam sua parte na tentativa de deter o ataque.
As manobras do porta-aviões japonês evitaram todas as 13 bombas lançadas contra ele por este primeiro grupo.

Logo após, o segundo grupo de SBD da unidade VB-2 iniciou seu ataque e já começou a sofrer ataques dos caças A5M4 “Claude”, que tentavam atrapalhar o mergulho e a pontaria dos pilotos americanos. Mas logo que os SBD abriram seus freios de mergulho, os caças japoneses ultrapassavam os bombardeiros americanos. Os “Claude” faziam manobras em espiral e tentavam atirar em qualquer avião americano que passasse em sua frente.
Para piorar a situação, o caça “Zero” pilotado pelo WO Imamura atacou esta unidade de bombardeiros SBD. Posicionado acima desta formação, atacou por trás conseguindo danificar um dos SBD e evitar que sua bomba atingisse o alvo. WO Imamura continuou a perseguir o SBD após sair do mergulho conseguindo assim derrubá-lo no mar próximo da popa do IJN Shoho. Da mesma maneira os dois A5M4 “Claude” conseguiram atingir e danificar vários SBD.

Às 11h17, após estes ataques que não conseguiram acertar o IJN Shoho, foram lançados três caças “Zero” liderados pelo tenente Nõtomi.

Às 11h18 a unidade VB-2 iniciou seu mergulho. Este grupo era formado por quinze SBD e voavam a altitude de 3.657 metros. Ao passar dos 2.784 metros, um dos caças A5M4 “Claude” começou a perseguir um dos SBD durante seu mergulho. Apesar desta interferência contra o segundo grupo atacante, duas bombas de 500kg conseguiram atingir em cheio o convés de vôo do IJN Shoho. Após espetaculares explosões, um incêndio intenso se iniciou. O caça “Claude” continuou a perseguir o SBD após seu mergulho, mas acabou sendo afastado pelo artilheiro de cauda.
Os dois impactos certeiros causaram tremendo dano e um incêndio de grandes proporções no hangar superior onde estavam posicionados aviões armados e abastecidos que alimentaram as chamas. Fumaça escura bem espessa saia dos locais atingidos pelas bombas e cobriu a popa do IJN Shoho, mas o castigo ainda não tinha terminado.

Caça A5M4 pilotado por um ala do IJN Shoho.

Ao mesmo tempo, o primeiro grupo de torpedeiros TBD da unidade VT-2 se aproximava para o ataque, voando a altitude de apenas 300 metros. Além das baterias antiaéreas dos navios próximos, os dois caças A5M4 “Claude” também tentaram se aproximar da formação de torpedeiros para tentar impedir este ataque. Os pilotos de dois caças americanos F4F que estavam próximos observaram os japoneses se aproximando da formação dos torpedeiros e mergulharam para um ataque. Com uma aproximação lateral foi possível surpreender os dois A5M4 pilotados pelos PO2c Aoki e PO2c Inoue que tentaram escapar deste ataque se valendo de todo tipo de manobras acrobáticas, como rolamentos e curvas inclinadas verticais. Este combate aéreo demorou o suficiente para que os torpedeiros americanos realizassem seus ataques e acertassem dois torpedos no IJN Shoho. Uma das explosões danificou os dois sistemas de manobra do navio japonês, tanto o elétrico como o sistema de direção manual. Isto forçou o porta-aviões manter uma direção constante a sudeste. A segunda explosão causou uma grande nuvem em forma de cogumelo que subiu acima do convés de vôo. O navio estava domado. Com grandes buracos em seu casco, a casa de máquinas sofria com as chamas e as inundações, que causaram grande perda de força. O navio começou a adernar.
Os danos causados pelo ataque das unidades do USS Lexington tinham efetivamente eliminado o IJN Shoho, mas ainda restava o ataque do grupo do USS Yorktown.



Fotos americanas registram o ataque ao IJN Shoho.

O ATAQUE DAS UNIDADES DO USS YORKTOWN
Este ataque iniciou-se às 11h25. Este grupo de SBD foi atacado pelos três caças A6M2 “Zero” liderados pelo tenente Kenjiro Nõtomi, e que haviam sido lançados logo após o primeiro ataque. Eles realizaram várias passagens de metralhamento contra a formação em linha dos dezessete SBD americanos. Já incapacitado de manobrar pelos ataques iniciais, o IJN Shoho estava perdido. Mais onze bombas atingiram o porta-aviões japonês, que parou e começou a afundar. O convés de vôo estava completamente incendiado. As equipes a bordo tentavam evacuar o grande número de feridos.

Mas restava ainda o ataque dos torpedeiros do USS Yorktown, que se iniciou às 11h29.
Este último grupo atacante também foi alvo dos dois caças A5M4 “Claude”. Mais uma vez caças F4F impediram o intento destes pilotos japoneses dando combate a baixa altitude. Após selecionar um dos A5M4 e enquadrá-lo na mira, o piloto americano tenente comandante James H. Flatley Jr, testemunhou da agilidade dos japoneses. O “Claude” realizava manobras acrobáticas tentando escapar a baixa altitude. As balas americanas atingiam a superfície do Mar de Coral, levantando esguichos. Com uma aproximação decidida o piloto americano fixou em seu oponente. Agora o piloto japonês não conseguiria fazer mais nada para escapar. Utilizando como direcionamento os esguichos de água causados pelas suas balas, o piloto americano atirou descontroladamente na parte frontal e traseira do caça japonês, que atingido fatalmente se chocou contra a água do mar, apesar da habilidade demonstrada pelo piloto japonês.

Caça A6M2 pilotado por um ala do IJN Shoho.

O caça A6M2 do WO Imamura também apareceu para dar combate. Após um mergulho, WO Imamura passou na frente da formação de caças americanos. Ao fazer suavemente uma virada, se posicionou em sentido contrário a um caça americano. Os dois caças passaram um pelo outro como um relâmpago, e o piloto americano ficou espantado com a agilidade do “Zero”, que fez uma manobra mais rápido que ele, e já estava pronto para uma nova passagem frontal de tiro. Cortando caminho, o piloto japonês conseguiu se posicionar atrás do caça americano que estava voando muito baixo para poder escapar com um mergulho. A sua sorte é que outro piloto americano observava atentamente o combate aéreo e veio em socorro de seu camarada. Sua aproximação não foi notada pelo WO Imamura, que só percebeu o ataque ao ver as balas americanas passando próximo da cabine de seu caça. Manobrando rapidamente ele consegui se afastar e mergulhar em direção ao mar. Seu caça tinha sido atingido e um rastro de fumaça branca saía da parte de baixo do A6M2. Mesmo assim, o piloto japonês conseguiu escapar da perseguição destes dois caças F4F, se afastando rapidamente da área de combate. Um terceiro caça F4F estava na área, cujo piloto era o tenente júnior Walt Hass. Ele também estava observando este combate e viu quando o caça japonês tentou fugir. A fumaça branca parou de sair e o piloto japonês sentindo-se seguro voava em linha reta a poucas centenas de metros acima da água. Este caça americano atacou sem ser notado, disparando uma longa rajada de balas que atingiu a fuselagem do caça japonês que se incendiou. WO Imamura tentou saltar. Após abrir a capota, ele ficou em pé dentro do caça, mas o “Zero” se chocou com o mar e se desintegrou. Dois outros pilotos americanos foram testemunhas oculares da primeira vitória aérea de um caça F4F da Marinha Americana contra o temível caça A6M2. Morreu desta maneira WO Imamura, que era um experiente piloto veterano da guerra contra a China.

Poucos minutos depois, o tenente júnior Hass conseguiria sua segunda vitória aérea.
O último dos caças A5M4 ainda estava ativo. Este “Claude” estava duelando com outro caça F4F, que conseguiu uma boa posição de tiro. Após atirar, fumaça saiu das asas e do leme do caça japonês, que fez uma manobra e conseguiu se afastar em direção da água. O piloto americano pensou que o caça japonês iria atingir o mar, mas pouco antes disto acontecer o piloto japonês conseguiu nivelar seu avião e escapou rapidamente. Infelizmente para ele, o tenente júnior Hass estava em uma boa posição de ataque pouco acima. Ele mergulhou e se aproximou atirando. O piloto japonês não ficou sabendo o que o atingiu, pois seu caça explodiu quase que imediatamente.

Os caças F4F continuavam na área de batalha a procura de mais oponentes. Restava apenas a shotai (unidade formada por três aviões) do tenente Nõtomi. Dois oponentes se encontraram, mas o piloto japonês preferiu fugir do combate, se afastando para o alto a grande velocidade. O caça americano não conseguiu acompanhar a manobra. Esta atitude revelava que a unidade de caças do porta-aviões IJN Shoho tinha sido derrotada pela unidades americanas VF-2 e VF-42. Sem a perda de qualquer F4F, dois caças A5M4 e um A6M2 foram abatidos. Os pilotos americanos ficaram surpresos com a extrema manobrabilidade dos caças nipônicos, mas também notaram a falta de tanques de combustível auto-selantes que ocasionava as explosões quando atingidos por balas incendiárias.

Às 11h31, o capitão Izawa ordenou que a tripulação abandonasse o IJN Shoho. Apenas quatro minutos depois o IJN Shoho afundava no Mar de Coral. Nas águas estavam boiando 300 sobreviventes de uma tripulação de 800. O contra-almirante Goto não permitiu que os navios japoneses próximos tentassem salvar os náufragos, preferindo fugir da área de batalha com medo do ataque de mais aviões americanos. Somente por volta das 14h é que ele se sentiu seguro e enviou o destróier IJN Sazanami para recolher os sobreviventes. Encontrou apenas 200 deles, incluindo o capitão Izawa.
As perdas japonesas chegaram a três caças, sendo dois A5M4 e um A6M2. Os outros três caças A6M2 liderados pelo tenente Nõtomi, se dirigiram para a ilha Deboyne, onde eles amerissaram na lagoa. Estes três pilotos alegavam ter derrubado “com toda certeza” quatro aviões americanos e talvez um quinto. Outro piloto de caça japonês, o PO2c Hachirõ Kuwabara, morreu a bordo do porta-aviões IJN Shoho durante o ataque.
As perdas americanas somaram dois SBD, um do USS Lexington que foi abatido durante o ataque e um do USS Yorktown que se perdeu na volta e amerissou na costa da Papua. Seus tripulantes foram resgatados depois.
Às 12h10, o tenente comandante Robert E. Dixon, transmitiu a famosa frase: “Risquem um porta-aviões! Assinado Bob”.

Mas este terrível dia ainda não tinha terminado para os japoneses...

BIBLIOGRAFIA:
1.Livro: FIRST TEAM: PACIFIC NAVAL AIR COMBAT FROM PEARL HARBOR TO MIDWAY - by John B. Lundstrom
2. Livro: AICHI 99 KANBAKU 'VAL' UNITS: 1937-42 by Osamu Tagaya
3. site: http://japanese-aviation.forum...sea-may-7-and-8-1942

 
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