Batalha do Mar de Coral 2a Parte
Escrito por Sidnei Eduardo Maneta   
Seg, 04 de Março de 2013 00:00

Às seis horas do dia 7 de maio, os porta-aviões IJN Shokaku e IJN Zuikaku lançaram cada um seis B5N2 “Kate” em missão de busca pela Força Tarefa americana. Hara os direcionou para o quadrante sudoeste, de 180º a 270º, e percorreriam a distância de 463 quilômetros, tendo em mente o contato do hidroavião japonês enviado no dia anterior.
Na tentativa de melhorar a qualidade do reconhecimento aéreo após a experiência do raide no Oceano Índico, a 5ª Divisão de porta-aviões enviou seus aviões aos pares desde o início da Operação MO, apesar de ainda utilizarem o estágio simples como padrão de observação. Infelizmente, as duas tripulações do porta-aviões IJN Shokaku designados ao setor 180º mais meridional estavam entre as menos experientes. Sua ineficiência na questão da observação iria causar sérios problemas para Hara.
Logo após enviar este desafortunado grupo de aviões de observação, as equipes de apoio começaram a preparar o lançamento do grupo de ataque, posicionando os aviões no convés de vôo dos dois porta-aviões japoneses. Assim que os aviões de reconhecimento relatassem a posição do inimigo, o grupo de ataque seria lançado rapidamente.

EI-302 foi pilotado por um ala do porta-aviões IJN Shokaku em missão de reconhecimento. A tripulação era composta pelo suboficial de primeira classe (PO1c) Akira Akao (piloto), suboficial de primeira classe (PO1c) Tomie Ootake (observador) e suboficial de primeira classe (PO1c) Kazuo Sakashita (artilheiro/operador de rádio).

Quinze minutos após Hara lançar seus B5N2 de reconhecimento, Fletcher despachou dez SBD do USS Yorktown para cobrir um arco noroeste para o nordeste de 325º a 085º, até a distância de 463 quilômetros, na direção de Boungainville. A inteligência naval americana errou ao interpretar transmissões falsas de rádio e localizar o Corpo Principal de porta-aviões japonês nesta área. Fletcher não sabia que na verdade os japoneses estavam em sua retaguarda mais para o leste. As 6h25, a Força Tarefa 17 alcançou um ponto a 314 quilômetros a sudoeste da ilha Deboyne e virou em direção ao norte, destacando o contra-almirante australiano John G. Grace com dois cruzadores pesados, um cruzador leve e três destróieres para se dirigirem diretamente para a Passagem Jornard. Isto deixou Fletcher com o USS Yorktown e o USS Lexington, quatro cruzadores pesados e oito destróieres.

EI-306 foi pilotado por um líder de formação (shotaicho) do porta-aviões IJN Shokaku em missão de reconhecimento. A tripulação era composta pelo suboficial de primeira classe (PO1c) Yoshio Saito (piloto), suboficial senior (CPO) Masanobu Shibata (observador e shotaicho) e suboficial de terceira classe (PO3c) Seisaku Domae (artilheiro/operador de rádio).

As 7h22, um dos dois aviões de observação do IJN Shokaku voando o setor de busca 180º enviou uma mensagem de rádio que ele tinha encontrado uma força inimiga a 182º, 301 quilômetros de sua base. Era exatamente este tipo de informação que Hara estava esperando. Inicialmente Hara ficou jubiloso com esta notícia, mas após passar alguns minutos, começou a ficar impaciente esperando por mais detalhes. Finalmente, às 7h45, uma nova mensagem contendo mais detalhes dizia: “A força inimiga é composta por um porta-aviões, um cruzador e três destróieres, curso 000º grau e velocidade 16 nós”. Hara achou que seria moleza! Com o porta-aviões inimigo estando a apenas 278 quilômetros ao sul, ele teria que atacar imediatamente. Com a anuência de Takagi, ele ordenou a decolagem dos dois grupos de ataque. Entre as 8h e 8h15, a formação de ataque decolou com 18 caças, 36 bombardeiros de mergulho e 24 torpedeiros assim distribuídos:

- nove caças “Zero”, dezenove bombardeiros de mergulho “Val” e treze torpedeiros “Kate” do porta-aviões IJN Shokaku.
- nove caças “Zero”, dezessete bombardeiros de mergulho “Val” e onze torpedeiros “Kate” do porta-aviões IJN Zuikaku.

A formação japonesa estava sob o comando geral do tenente comandante Kakuichi Takahashi, que pessoalmente iria conduzir o ataque final dos D3A1. Apesar dele já ter recebido a notícia de sua promoção a oficial do comando da 5ª Divisão de porta-aviões no dia 1º de maio, ele foi voluntário para continuar voando como hikotaicho (líder de toda a formação) do porta-aviões IJN Shokaku até o final da Operação MO. O tenente comandante Shigekazu Shimazaki, que era o hikotaicho do porta-aviões IJN Zuikaku iria comandar os torpedeiros B5N2 no ataque final.

Kakuichi Takahashi morreu durante a batalha no Mar de Coral. Shigekazu Shimazaki sobreviveu a batalha, mas morreu em combate no dia 9 de janeiro de 1945.

Às 8h15, assim que Takahashi reuniu sua formação sobre a Força de Ataque e se dirigiu ao sul, Fletcher recebeu uma mensagem de um de seus SBD de reconhecimento, identificando a frota japonesa, incluindo “dois porta-aviões”, 416 quilômetros a noroeste de sua posição ao norte da Passagem Jornard. Assim como fez Hara pouco antes, esta era a notícia que Fletcher estava esperando. Os porta-aviões americanos diminuíram a distância na hora seguinte e o USS Lexington lançou dezenove caças “Wildcat”, vinte e oito bombardeiros de mergulho “Dauntless” e doze torpedeiros “Devastator”, iniciando o lançamento às 9h26. Sem uma doutrina de integração dos grupos aéreos como fazia rotineiramente os japoneses, o USS Yorktown seguiu lançando dezoito minutos mais tarde oito caças “Wildcat”, vinte e cinco bombardeiros de mergulho “Dauntless” e dez torpedeiros “Devastator”.
O início da manhã do dia 7 de maio encontrou a Força de Invasão de Port Moresby apenas 46 quilômetros ao norte da ilha Deboyne, se dirigindo para a Passagem Jornard, enquanto os cruzadores do Corpo Principal da Operação MO e o porta-aviões leve IJN Shoho cruzavam os mares 46 quilômetros mais ao norte-nordeste. O Corpo Principal tinha sido descoberto às 7h48 por “fortalezas voadoras” que voavam desde a Austrália. Este grupo foi atacado pelos bombardeiros que não conseguiram acertar qualquer bomba.
Enquanto isto, os hidroaviões dos cruzadores do Corpo Principal estavam ocupados em missões de reconhecimento por toda a região do Mar de Coral. Às 8h20, apenas cinco minutos após a Força de Ataque ter lançado sua formação para o sul, um hidroavião E7K2 “Alf” do cruzador pesado IJN Furutaka enviou uma mensagem relatando sobre o que parecia ser uma força tarefa inimiga a 277 quilômetros sudeste da ilha Deboyne, a oeste da Força de Ataque. Esta mensagem foi seguida cinco minutos depois por outra do avião de observação E7K2 “Alf” do cruzador pesado IJN Kinugasa, identificando vários navios, incluindo um porta-aviões, na mesma área.
Parecia que os americanos estavam em dois ou mais grupos separados. Mas Hara já tinha lançado toda sua força de ataque para o sul. Sua confiança depositada neste ataque afetava todas as unidades japonesas, e às 9h, após estas novas e perturbadoras mensagens chegaram ao Corpo Principal e a Força de Invasão, pensou-se que os aviões de Hara estariam atacando o inimigo detectado pelos aviões de reconhecimento “Alf”. Estes navios inimigos estariam livres para atacar a Força de Invasão japonesa. O comboio japonês com os navios de transporte recebeu ordens para reverter seu curso e se retirar em direção ao norte até que o perigo tivesse passado.
Mas a confiança de Hara se desvaneceu com o passar do tempo. Estranhamente, nenhuma mensagem chegava de sua formação de ataque. O que a formação liderada por Takahashi encontrou às 9h12 foram apenas o destróier USS Sims e o petroleiro USS Neosho. Takahashi e Shimazaki vasculharam o mar por quase duas horas em busca do porta-aviões americano, mas não encontraram nenhum.
Enquanto isso, o USS Yorktown recuperou seu avião de reconhecimento SBD às 10h24, apenas para descobrir que o contato feito com “dois porta-aviões” na verdade era um contato com “dois cruzadores”, e esta mensagem enviada por este avião de observação foi incorretamente decifrada devido a um erro de interpretação. Felizmente para Fletcher, a mensagem do contato ocorrido no início da manhã pelos bombardeiros B-17, que definitivamente incluía um porta-aviões e que estava posicionado apenas 55 quilômetros ao sul do contato feito pelo SBD, tinha finalmente chegado ao USS Yorktown às 10h22. Às 10h53 Fletcher transmitiu a ordem de redirecionamento dos grupos de ataque americanos para este novo alvo.
Dois minutos antes, às 10h51, más notícias alcançaram a ponte de comando do IJN Zuikaku. Os aviões de observação que voavam o setor 180º, finalmente reconheceram seu erro, e comunicaram que sua mensagem inicial de contato com um “porta-aviões” tinha sido equivocada, e eles na verdade tinham contatado o petroleiro USS Neosho. Contrariado, Hara solicitou o retorno da força de ataque. Às 11h15, Takahashi ordenou que Shimazaki retornasse à Força de Ataque, enquanto ele tentaria reverter este quadro negativo fazendo algo de útil. Ele liderou quatro bombardeiros de mergulho “Val” contra o destróier USS Sims, afundando este navio em questão de minutos com três impactos diretos. Uma destas bombas de 250kg atingiu a caldeira que explodiu, rachando o destróier em dois enquanto afundava. De uma tripulação de 250 marinheiros, apenas 15 sobreviveram.

O bombardeiro D3A1 código de cauda EI-201 foi pilotado pelo tenente Masao Yamaguchi (buntaicho) do porta-aviões IJN Shokaku no ataque ao USS Sims e USS Neosho.

Os restantes quinze bombardeiros de mergulho “Val” do IJN Shokaku, seguidos dos dezessete bombardeiros do IJN Zuikaku, se concentraram no USS Neosho, conseguindo sete impactos diretos e oito de raspão. Estas bombas que possuíam detonadores programados para explodir dois segundos após o impacto, perfuraram a fraca proteção do convés do petroleiro, causando uma grande destruição nas áreas internas do navio. Do alto os pilotos japoneses tinham a impressão que poucos danos haviam sido infligidos. As baterias antiaéreas do navio americano provaram sua eficiência mais uma vez. Um “Val” do IJN Zuikaku, pilotado pelo suboficial de segunda classe (PO2c) Shigeo Ishizuka, se incendiou, mas mesmo assim ele continuou em seu mergulho e conseguiu lançar sua bomba. Num esforço final, pouco antes de se chocar com o mar, Ishizuka conseguiu manobrar seu avião que atingiu a lateral do USS Neosho. O impacto foi junto a torre da bateria antiaérea #4, e fez com que o convés do petroleiro se tornasse um inferno em chamas.
As tripulações dos bombardeiros “Val” foram testemunhas oculares do primeiro ato de “jibaku” (autodestruição) da guerra. O auto-sacrifício de Ishizuka e seu artilheiro suboficial de terceira classe (PO3c) Masayoshi Kawagoe, deixou uma forte impressão em todos os tripulantes japoneses.
Bastante danificado e adernando com uma inclinação de 30º ao estibordo, o USS Neosho continuou a flutuar até o dia 11 de maio, quando foi afundado pelo destróier USS Henley (DD-391), que resgatou os sobreviventes dos dois navios.

Esta foto japonesa registrou o USS Neosho já em chamas tentando desesperadamente escapar dos ataques dos Aichi D3A1 “Val”.

UM DIFÍCIL VÔO DE RETORNO

Ao meio-dia Hara anunciou que seriam realizados preparativos para um novo ataque por volta das 14h contra os porta-aviões americanos localizados na direção sudeste da ilha Deboyne. O único requisito seria um retorno rápido das formações japonesas.
Enquanto isso, Takahashi reuniu os “Val” do porta-aviões IJN Shokaku e retirou-se às 12h05. Os bombardeiros do IJN Zuikaku deixaram o local mais tarde e tiveram dificuldades de encontrar o caminho de volta.
Às 12h30, uma parte da força de ataque foi avistada retornando. A formação era composta por nove caças “Zero” e vinte e quatro torpedeiros liderados por Shimazaki. Após descartarem no mar os vinte e quatro preciosos torpedos, pousaram sem maiores dificuldades.
Às 13h, outro grupo foi avistado. Esta segunda formação era composta por dezenove bombardeiros de mergulho liderados por Takahashi e nove caças “Zero” liderados pelo tenente Kiokuma Okajima. Mas não havia o menor sinal da formação do porta-aviões Zuikaku, com dezesseis bombardeiros de mergulho liderados pelo tenente Tamotsu Ema.
Hara ficou agitado na ponte de comando porque este atraso significava que este último grupo perdera o rumo em meio ao céu instável em torno da Força de Ataque. Não havia o menor sinal de quando este retorno aconteceria, e Hara não podia deixar a área sem esperar por este grupo.
Nada corria bem para os japoneses!
Nos porta-aviões japoneses os preparativos para o novo ataque já estavam concluídos quando às 15h15 o grupo perdido do IJN Zuikaku finalmente apareceu após estar voando em missão por sete horas! Dois bombardeiros ficaram destruídos após realizarem pousos forçados no convés de vôo. O tenente Ema e outros cinco aviadores tiveram uma surpresa desagradável ao se apresentarem ao oficial de plantão para darem seus relatórios da missão. Eles teriam que partir em uma nova missão de ataque apesar da fadiga e do clima instável. Os porta-aviões inimigos tinham sido localizados.
O ato final da incapacidade de reconhecimento das duas tripulações dos B5N2 “Kate” responsáveis pelo grave erro de identificação dos navios americanos se deu no fato deles se perderam durante seu retorno, ficando sem combustível suficiente para retornar ao seu porta-aviões e acabarem amerissando a leste nos recifes Indispensable.

Os B5N2 código de cauda EI-306 e EI-302 amerissaram durante a batalha no Mar de Coral. As tripulações incendiaram a cabine para evitar a recuperação do avião completo pelos americanos. Um PBY em patrulha observou os destroços e após dois dias seus tripulantes inspecionaram o avião no dia 8 de junho de 1942. Estes destroços foram recuperados pelo USS Tangier.

BIBLIOGRAFIA:
1. Livro: FIRST TEAM: PACIFIC NAVAL AIR COMBAT FROM PEARL HARBOR TO MIDWAY - by John B. Lundstrom
2. Livro: AICHI 99 KANBAKU 'VAL' UNITS: 1937-42 - by Osamu Tagaya

 
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