Batalha do Mar de Coral 1a Parte
Escrito por Sidnei Eduardo Maneta   
Seg, 04 de Março de 2013 00:00

A conquista do sudeste da Ásia marcou o fim do primeiro estágio das operações japonesas. A Frota Combinada lançou oficialmente em 10 de abril de 1942 o segundo estágio. Para o vice-almirante Inoue, comandante da força dos mares do sul, o principal objetivo deste segundo estágio seria a Operação MO – a captura de Port Moresby ao sul da costa da Papua Nova Guiné e de Tulagi nas ilhas Salomão. A Operação MO foi originalmente programada para o mês de abril com apenas a participação do porta-aviões IJN Kaga, mas a atividade dos porta-aviões americanos causou uma vez mais a mudança nos planos japoneses.
Em 10 de março, durante os desembarques japoneses em Lae e Salamua, na costa norte da Nova Guiné, os navios da força de invasão ancorados próximos da costa sofreram ataques de aviões americanos, incluindo 104 aviões embarcados nos porta-aviões USS Lexington e USS Yorktown. O resultado foi de quatro navios afundados e nove danificados. A Operação MO foi postergada para o mês de maio, até que as perdas fossem repostas e os reparos efetuados, antes que a Operação MO se iniciasse. O porta-aviões IJN Kaga foi substituído pelos porta-aviões IJN Shokaku e IJN Zuikaku no plano final da Frota Combinada para este segundo estágio.

O plano operacional para a Operação MO concebido pelo comando da Quarta Frota era bastante complexo, envolvendo cinco formações separadas, incluindo a força de invasão de Tulagi, a força do corpo principal da MO, a força de suporte que estabeleceria bases de hidroaviões na região e a força de invasão de Port Moresby.
O elemento principal e mais forte de toda a operação seria a 5ª Koku Sentai (Divisão de porta-aviões), do vice-almirante Chuichi Hara, que se juntaria com a força de escolta providenciada pelo contra-almirante Takeo Takagi, a frente da 5ª Sentai composta pelos cruzadores pesados IJN Myoko e IJN Haguro, e duas divisões de destróieres, assim formando a Força Móvel da Operação MO.
Sob os rígidos protocolos de senioridade da Marinha japonesa, Takagi (que seria promovido rapidamente a vice-almirante no dia 1º de maio) possuía todo o comando da Força Móvel, mas por consenso mútuo, Hara manteria o comando das operações aéreas, sujeito a consulta de Takagi. Hara alcançou Truk no dia 25 de abril, vindo de Mako, enquanto Takagi chegou de Yokosuka com seus cruzadores dois dias depois.
Por volta de abril de 1942, o almirante Chester W. Nimitz, comandante em chefe (C-in-C) da frota do Pacífico possuía uma valiosa vantagem sobre seu rival o almirante Yamamoto graças à qualidade de seu setor de inteligência. Enquanto os japoneses só podiam reagir após os fatos, a série de ataques do tipo “guerrilha” realizados pelos porta-aviões americanos sobreviventes, Nimitz era capaz de antecipar os movimentos da Marinha japonesa, e utilizar seus recursos de maneira mais eficiente. Pelo meio de abril, a inteligência naval americana podia dizer com confiança que o próximo ataque japonês ocorreria no mar de Coral no final do mês. Este ataque ameaçaria toda a posição estratégica aliada no Pacífico sul e não poderia ser ignorado.
O contra-almirante Aubrey Fitch zarpou de Pearl harbor no dia 15 de abril com a Força Tarefa 11, com o porta-aviões USS Lexington, e se dirigiu ao sul.
Ele se juntaria a Força Tarefa 17, do contra-almirante “Jack” Fletcher, com o porta-aviões Yorktown, já no Pacífico sul. No dia 25 de abril, o vice-almirante Willian Halsey retornou para Pearl harbor, após o raide contra Tóquio realizado pelo Doolittle, com os porta-aviões USS Enterprise e USS Hornet. Era quase impossível que Halsey conseguisse cruzar os 6.482 quilômetros até chegar ao mar de Coral em tempo para participar da ação, mas após cinco dias de agitada preparação eles deixaram Pearl harbor na tentativa de participar da batalha, mas sem sucesso.

O Corpo Principal MO com o porta-aviões leve IJN Shoho, partiu de Truk em 30 de abril. A Força Móvel, com os grandes porta-aviões IJN Shokaku e IJN Zuikaku, seguia o Corpo Principal após deixar Truk no dia 1º de maio, mas encontraram mal tempo antes do dia terminar. No final daquela tarde, a força de ataque não conseguiu recuperar os aviões enviados em missão de patrulha que retornavam. Estes aviões foram obrigados a voar até Truk. Um D3A1 e um B5N2 do porta-aviões IJN Zuikaku fizeram pousos forçados na ilha Lossop, enquanto outro B5N2 alcançou Truk, mas não pôde voltar ao seu porta-aviões enquanto este se dirigia ao sul como estava programado.
Além de seus próprios aviões, o IJN Shokaku e o IJN Zuikaku carregavam nove caças “Zero” repartidos entre eles, em uma missão de transporte para Rabaul antes da operação principal – isto parecia uma missão fácil. Todavia, uma frente tempestuosa vinda do noroeste da Nova Irlanda iria frustrar esta missão, forçando os porta-aviões a permanecerem na área nos dias 2 e 3 de maio, atrapalhando sua programação.
No dia 4 de maio, um dia após o desembarque de tropas japonesas em Tulagi, a Força de Invasão foi atacada diversas vezes, em sucessão, por aviões SBD, TBD e F4F. Era óbvio, que pelo menos um porta-aviões americano estava espreitando em algum lugar do mar de Coral, mas a força móvel estava fora de posição para realizar um contra ataque. Após desperdiçar dois dias completos em tentativas que foram abortadas, eles ainda estavam a 629 quilômetros a noroeste de Tulagi, e só tinham iniciado o reabastecimento quando as notícias do ataque chegaram. O reabastecimento foi paralisado e os porta-aviões se dirigiram a toda velocidade ao sul, mas logo ficou claro que eles estavam além de uma distância segura para um ataque.

O vice-almirante Inoue, que tinha avançado de Truk para Rabaul no dia 4 de maio, para conduzir o curso da operação MO, decidiu confiantemente que os americanos estariam se encontrando no devido tempo com a Força Móvel, e manteve a agenda da operação MO. A força de invasão do Port Moresby deixou Rabaul no mesmo dia. Estava programado cruzarem pela passagem Jornard no arquipélago Louisiade durante a tarde do dia 7, com os desembarques marcados para a madrugada do dia 10 de maio. Todavia, a força móvel continuou em direção sudeste ao longo da extremidade norte das ilhas Salomão. Ela alcançou o lado leste do arquipélago ao meio dia de 5 de maio, depois circulou San Cristobal e entrou no mar de Coral pelo leste. Fletcher, que tinha se reunido rapidamente com Fitch no dia 1º de maio, agora se reencontrou novamente ao sul de Guadalcanal na manhã do dia 5 e iniciou o reabastecimento feito pelo petroleiro da frota, o USS Neosho. O consumo de combustível do USS Yorktown durante os dois dias de raides foi alto. Após o reabastecimento terminar no dia 6, ele navegou mais para o noroeste durante a noite para se aproximar da força de invasão que cruzava pela passagem Jornard. A manhã do dia 6 também encontrou a força móvel de Takagi ocupada em operações de reabastecimento, que tinha sido paralisado no dia 4 após o raide americano em Tulagi.
Os cruzadores de Takagi já tinham sido abastecidos pelo petroleiro IJN Toho Maru ao sul da Nova Geórgia. As buscas aéreas japonesas começavam a preocupar os americanos. Um Kawanishi H6K “Mavis” do Yokohama kokutai decolou de Tulagi e enviou uma mensagem bem cedo confirmando um contato com uma formação inimiga que continha um porta-aviões. Todavia, um erro de navegação colocou a posição americana cerca de 92 quilômetros mais ao sul do que a sua verdadeira posição. Acreditando que os navios inimigos estavam mais ao sul, Hara concluiu que ele seria incapaz de lançar um ataque naquela tarde. Takagi decidiu completar o reabastecimento primeiro e se preparar para a batalha do dia 7.

Todavia, Fletcher tinha paralisado seu reabastecimento e tomou curso rumo noroeste, enviando o USS Neosho e o destróier USS Sims (DD-409) para o sul. Apesar de nenhum dos lados imaginarem, as forças oponentes convergiam e estavam cerca de 129 quilômetros uma da outra naquela tarde. Os japoneses tinham perdido uma oportunidade de ouro de atacar os americanos enquanto estavam em operação de reabastecimento. Apesar de tudo, os dois lados sabiam que o próximo dia traria ação!
Na noite de 6 de maio, Hara possuía 109 aviões operacionais dos 121 a bordo dos dois porta-aviões, o IJN Shokaku com 18 A6M2 “Zero”, 19 D3A1 “Val” e 19 B5N2 “Kate”, o IJN Zuikaku com 19 A6M2 “Zero”, 17 D3A1 “Val” e 17 B5N2 “Kate”. Esta era a 5ª divisão de porta-aviões. O IJN Shokaku e o IJN Zuikaku eram os mais perigosos oponentes dos americanos, e tinham sido comissionados em agosto e setembro de 1941. Suas unidades aéreas foram criadas em 1º de setembro de 1941, e rapidamente começaram os preparativos com intenso treinamento para o ataque a Pearl harbor. No dia 7 de dezembro suas unidades aéreas participaram das duas ondas de ataque. A próxima ação foi em janeiro de 1942, em conexão com a captura de Rabaul. No mês de abril participou dos raides contra o Ceilão. Na época da Operação MO, os aviadores da 5ª divisão de porta-aviões estavam bem treinados e tinham experiência de combate, mas não podiam se comparar as unidades aéreas das 1ª (Akagi e Kaga) e 2ª (Soryu e Hiryu) divisões de porta-aviões. Do ponto de vista japonês, as unidades aéreas da 5ª Divisão não tinham voado juntas o suficiente, e necessitavam de uma boa batalha para chegar ao seu auge.
Nas unidades de caça do IJN Shokaku e do IJN Zuikaku quase todos os pilotos tinham mais de dois anos de experiência de vôo. Os líderes de alas (shotaicho) eram quase todos veteranos da guerra aérea contra a China, com muitas horas de vôo. Além do mais, um dos pilotos de caça do IJN Zuikaku era uma personalidade bem conhecida, era o suboficial de primeira classe (PO1c) Tetsuzõ Iwamoto, que se tornou em 1941 o principal ás da guerra contra a China, com 14 vitórias aéreas. Ele iria sobreviver a guerra do Pacífico com cerca de 80 vitórias reivindicadas, fazendo com que fosse o principal ás vivo da Marinha japonesa.

Já o porta-aviões IJN Shoho estava em situação bem diferente. Sua unidade aérea ainda não tinha experimentado combate e o navio fora utilizado apenas para o transporte de aviões. Sua unidade de caça era comandada pelo tenente Kenjirõ Nõtomi, e seu grupo de caças era composto por apenas nove A6M2 “Zero” e quatro A5M4 “Claude”. Ele teve uma baixa no dia 2 de maio, quando o suboficial de segunda classe (PO2c) Shunichi Tamura morreu quando seu caça caiu no mar. Além dos caças “Zero” e "Claude", havia um grupo de seis B5N2 “Kate”, liderados pelo tenente Michitarõ Nakamoto.

BIBLIOGRAFIA:
1. Livro: FIRST TEAM: PACIFIC NAVAL AIR COMBAT FROM PEARL HARBOR TO MIDWAY - by John B. Lundstrom
2. Livro: AICHI 99 KANBAKU 'VAL' UNITS: 1937-42 - by Osamu Tagaya

 

 
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