Fokker D.XXI - Classic Airframes 1/48
Escrito por Ricardo P-40   
Qui, 17 de Janeiro de 2013 08:15

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 FOKKER D.XXI

Classic Airframes 1/48

Kit Nº - 4150

 

HISTÓRICO

O caça Fokker D.XXI foi originalmente desenhado em 1935 para uso pela Real Força Aérea Holandesa do Exército das Índias Orientais (Militaire Luchtvaart van het Koninklijk Nederlands-Indisch Leger ML-KNIL). Foi concebido como um avião pequeno e barato, mas com uma respeitável performance para o seu tempo. Tendo entrado em serviço nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, prestou serviços tanto para o Grupo de Aviação do Exército Holandês (Luchtvaartafdeling), como também para Força Aérea Finlandesa, aparentemente alguns poucos ainda foram construídos para os Republicanos na Fábrica Carmoli antes dessa cair nas mãos dos Nacionalistas durante a Guerra Civil Espanhola. Foram ainda montados sob licença cerca de 10 outros aviões na Dinamarca. 

O Fokker D.XXI era um monoplano de asa baixa com um trem de pouso fixo coberto por uma carenagem. Sua fuselagem era composta por uma estrutura montada com tubos de aço e recoberta com tela e as asas eram feitas de madeira. Na versão original era equipado com um motor radial Bristol Mercury que movia uma hélice tripá de passo duplo o qual era o suficiente para fazer o avião atingir a velocidade de 700 km/h em mergulho. Quando entrou em serviço em 1938, estava muito a frente dos demais aviões do Grupo Aéreo do Exército Holandês (Luchtvaartafdeeling), o qual era basicamente equipado por biplanos obsoletos de canopi aberto. 

Em 1936 alguns poucos Fokker D.XXI ainda chegaram a ser usados pelos Republicanos espanhóis. Porém a encomenda inicial da ML-KNIL foi na época cancelada e a então chamada Força Aérea do Exército Holandês encomendou 36 aeronaves, as quais ficaram prontas a tempo de participar da defesa contra os alemães em 1940. Apesar do Fokker D.XXI ser mais lento e menos armado que o Me 109, a sua performance se mostrou surpreendente nos combates em virtude da sua manobrabilidade, ele era ainda um dos poucos aviões na época capaz de seguir os Stukas durante o mergulho. No entanto a grande diferença numérica entre a Luchtvaartafdeeling e a Luftwaffe resultou na destruição da maior parte dos Fokker D.XXI holandeses durante a invasão, não havendo informações sobre o destino dos poucos sobreviventes que foram capturados. 

Porém foi com a Força Aérea Finlandesa que os Fokker D.XXI tiveram o seu maior sucesso. Um número desses foi produzido sob licença na Finlândia antes do começo da Guerra de Inverno onde seu motor radial e o trem de pouso fixo eram mais adequados as condições locais de operação e estes se mostraram bem a altura dos aviões soviéticos do período. Quando da Guerra de Continuação (1941-44) a Fábrica Estatal Finlandesa de Aviões (Valtion Lentokonetehdas, VL) produziu cerca de 50 Fokkers D.XXI equipados com motores Pratt & Whittney R-1535 Twin Wasp Junior feitos sob licença na Suécia devido a escassez dos Bristol Mercury originais. Essa versão diferia da anterior pela área envidraçada maior, bolhas ao redor do cowling e uma grande tomada de ar ventral sob o cowling. Alguns aviões foram ainda convertidos para operar com esquis. Vários pilotos finlandeses se tornaram ases com os Fokker D.XXI, sendo o maior deles Jorma Sarvanto com 12 5/6 vitórias. O D.XXI (FR-110) com o maior número de vitórias, 10 ao todo, encontra-se atualmente preservado no Museu Central de Aviação da Finlandia. Há ainda uma réplica da versão holandesa em exposição no Militaire Luchtvaart Museum em Soesterberg.

O KIT

Em meados dos anos 90 a Classic Airframes lançou a sua primeira edição do Fokker D.XXI holandês na 1/48, a qual na época foi objeto de análise na Replic Nº 045. Apesar de essencialmente correto e bem detalhado, essa primeira edição se mostrava um verdadeiro pesadelo na hora da montagem devido as dificuldades de ajustes entre as partes, principalmente as de multi-mídia. Além do mais tentou-se compensar as deficiencias da moldagem da época com uma quantidade enorme de peças em photo-etche que eram quase impossíveis de se montar com precisão nos devidos lugares.

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Felizmente para nós, essa nova edição não é um rebox da edição anterior, mas um kit totalmente novo adaptado a partir de outro que foi recentemente desenvolvido pela Special Hobby como sendo para as versões do Fokker D.XXI Finlandês.

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 O kit atual da Classic Airframes é composto por 94 peças distribuídas em 4 galhos injetados em cinza claro, com uma ligeira granulação nas superfícies típica do processo short injection. Apesar de haver umas poucas rebarbas nos galhos, de um modo geral a injeção é de excelente qualidade. Lembrando ainda que como nos demais kits da Classic Airframes não ha pinos guias nas peças, o que sempre acaba complicando um pouco a montagem. Nos galhos há ainda uma grande quantidade de peças que pertencem as versões finlandesas da Special Hobby e que não serão aproveitadas nesse modelo.

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No galho transparente são fornecidas 2 peças que compõem o canopi e uma terceira que não será usada nessa versão. O canopi é adequadamente fino e cristalino causando uma excelente impressão.

25 peças em resina comporão as maiores partes do motor, como o corpo central e cilindros.

Acompanham ainda 30 peças em photo-etche que complementarão o interior, canopi, carenagens dos trens de pouso, motor e profundores.

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A folha de decalques é impressa pela Cartograf e permite a escolha entre 7 aviões diferentes, embora só 4 estejam representados na folha de instrução, partindo-se da premissa que os outros 3 seguem o mesmo esquema de pintura do avião de código 213. Observe-se ainda que tanto são fornecidas as marcações circulares de pré guerra como também os triângulos laranja de neutralidade que os aviões ostentavam na época da invasão alemã.

O folheto de instrução, embora um pouco sumário e pelo menos no meu exemplar com a impressão um pouco clara, me parece ser o suficiente para orientar de forma razoavelmente correta a montagem. Talvez as únicas excessões sejam a ausência de indicação de quais aviões tinham antena de rádio instalada e quais não e com relação a peça transparente que será colada sobre o dorso logo atrás do canopi. Como a fuselagem do kit é a mesma fornecida nos kits das versões finlandesas da Special Hobby, veio previsto essa peça para representar o vidro que aí havia nessas versões. Porém nos aviões holandeses esse vidro não existia, e na instrução não há nenhuma informação recomendando que esse vidro seja pintado como se fosse parte da fuselagem, embora ele assim apareça representado nas vistas superiores dos esquemas de pintura.

Um outro detalhe importante é que segundo informações os códigos Federal Standard das cores indicadas nos esquemas de pintura estão perfeitamente de acordo com as pesquisas mais recentes sobres as cores usadas na época por esses aviões.

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No entanto, o que é mais importante é que os detalhes em geral são finamente gravados em baixo relevo e as partes enteladas me parecem bem convincentes para a escala. O cowling liso da versão holandesa vem uma excelente aparência e a hélice é convenientemente fina.

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 O galho da asa é o único que é diferente do fornecido nos kits das versões finlandesas da Special Hobby. O único senão que tem sido observado aqui é a quase ausência de demarcação do vidro do farol existente entre as metralhadoras, sendo mais recomendável cortar o painel e substituí-lo por plástico transparente.

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A mesma qualidade do entelamento da fuselagem pode ser também observada nos profundores, e as carenagens dos trens de pouso possuem um nível detalhamento muito bom. As rodas embora sejam um pouco sumárias, não causam problemas pois a maior parte delas fica oculta sob as carenagens. As laterais do assento me parecem um pouco espessas para a escala, porém nada que não possa ser resolvido com uma boa lixada.

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No entanto uma das partes do kit que eu considerei mais impressionante é a estrutura tubular da fuselagem. Embora a primeira vista não pareça nada de mais, em algumas montagens que estão na internet dá para perceber o efeito que elas causam no interior da cabine envidraçada desse avião. O painel injetado não chega a causar uma má figura, embora na minha opinião ele ficaria bem melhor se tivesse sido incluído entre as partes em photo-etche.

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CONCLUSÕES

Ao meu ver esse lançamento veio a preencher uma importante lacuna entre os caças na 1/48. Embora não seja um avião notório como o Me 109 ou o Spitfire, é um avião bastante importante no que se refere ao período de transição entre os caças biplanos e os monoplanos de asa baixa. Se por um lado as versões finlandesas do avião possuem um aspecto mais combativo, por outro essa versão holandesa trás o atrativo de um padrão de camuflagem de três cores bastante original quando comparado aos demais da época. Confesso que ao incluir esse kit na coleção revivi de uma certa forma a mesma alegria de quando consegui na época o equivalente dele na 1/72 da extinta Frog. 

As poucas deficiências do kit são bastante fáceis de corrigir e eu o considero altamente recomendável, não só pelas suas próprias qualidades como também por sair um pouco do lugar comum das aeronaves mais notórias. Lembrando ainda que muito dificilmente algum grande fabricante irá algum dia se interessar em representar esse modelo.

 

 
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