Spitfire Mk. IXe – Eduard 1:144 - Dual Combo (4428)
Escrito por Eduardo Mendes   
Dom, 16 de Dezembro de 2012 00:00

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Histórico

O Spitfire IX surgiu como uma resposta rápida à agressiva concorrência que a caça alemã fazia no front ocidental à RAF, vitoriosa na Batalha da Inglaterra mas ainda incapaz de avançar sobre o continente. Em meados de 1941 a evolução planejada do Spitfire seria a substituição gradativa dos Mk.V pelos novos Mk.VIII, que trariam nova motorização (os Rolls-Royce Merlin séries 60-70) e diversas modificações estruturais na fuselagem. O problema é que a adequação da estrutura de produção para a fabricação da nova versão retardaria a produção dos caças e a sua entrada em serviço.

Entra em cena, então, no segundo semestre de 1941 o Focke-Wulf 190 – nitidamente superior ao Spitfire V, que deveria ter a sua vida útil estendida até que o Mk.VIII estivesse sendo produzido em quantidade suficiente para equipar os esquadrões. A RAF foi obrigada a refazer seus planos e uma versão "temporária" foi desenvolvida às pressas, adaptando-se os novos Merlins a fuselagens de Mk.V com um mínimo de adaptações.

O novo Spitfire, denominado Mk.IX, acabou por ser uma das mais importantes versões do caça e combateu até o final da Guerra com distinção em várias versões. O protótipo voou em fevereiro de 42 e as primeiras unidades entraram em operação em agosto do mesmo ano. O primeiro esquadrão equipado com os Mk.VIII somente ficou operacional em junho de 43, quando possivelmente já teria sido tarde demais...

Os Mk. IX distinguem-se no exterior dos Mk.V pelo nariz mais alongado (para acomodar o novo motor), hélice de 4 pás e radiadores simétricos sob as asas. Boa parte deles foi equipada com a asa "C", mas muitos Mk.IX também usaram a asa "e" que era dotada de dois canhões de 20mm e duas metralhadoras .50 pol. Vários Mk.IX tinham asas com as pontas encurtadas, adequadas para operações a baixa altitude. Mais para o final da Guerra os Mk.IX passaram a ser equipados com os lemes "pontudos" dos Mk.VIII e outros com filtros Vokes para a admissão de ar ao carburador, bastante menores do que os "queixos" proeminentes dos Mk.V tropicais. Vários dos últimos exemplares de Mk.IX tinham a fuselagem traseira rebaixada e o canopi em bolha, melhorando substancialmente a visão do piloto.

Fonte das fotos: spitfiresite.com

Uma variante dos Mk. IX produzida em boa quantidade foi equipada com motores Merlin produzidos pela Packard nos Estados Unidos, e foi denominada Mk.XVI. À exceção do motor e detalhes mecânicos menores o Mk.XVI era semelhante ao Mk.IX.

Mesmo nos anos após a Guerra os Spitfires IX continuaram em serviço, na RAF em papéis auxiliares e em várias forças aéreas aliadas como importante componente da força de caça. Um papel quase pitoresco que os Spitfires cumpriram foi durante a Guerra de Independência de Israel, quando Spitfires israelenses combateram... Spitfires do Egito e da RAF!

Conteúdo da caixa

O kit vem uma das caixas novas da Eduard, com abertura lateral, medindo 26 x 16,5 x 3,5 cm. A tampa vem com um bonito desenho de dois Spitfires (um da RAF e outro Tcheco) voando lado a lado. No fundo da caixa são apresentados perfis das nada menos de 6 versões que o kit permite montar.

Dentro da caixa encontramos material para montar dois aviões completos (trata-se de um dual combo. Para cada avião são 18 peças, distribuídas em três árvores de peças: uma com a asa (inteiriça), outra com a fuselagem e demais detalhes e uma pequena transparência, esta embalada em um pequeno saco ziploc individual para evitar arranhões. As árvores vêm em um saco plástico com adesivo como lacre e o conjunto como um todo (instruções, decais, peças, etc) está em um único saco ziploc, minimizando as chances de perdas.

As instruções são muito bem impressas em papel de boa qualidade, formando um folheto tamanho A5 com 8 páginas. A primeira página traz um esquema das peças fornecidas, a segunda traz todas as instruções de montagem e as demais trazem desenhos em 4 vistas das versões oferecidas, com indicações dos esquemas de pintura, do posicionamento dos decais e referências das cores e tintas (FS e Gunze). Excelente acabamento.

A folha de decais é impressa pela própria Eduard. Os decais são nítidos e sem problemas aparentes de registro ou qualidade das cores, e apesar do pequeno tamanho trazem as marcações básicas para todas as versões oferecidas – mas não estênceis, que seriam de qualquer maneira difíceis de se ver na escala.

 

Back-cover.jpg image by APRJ 1-BoxContents.jpg image by APRJ Instructions.jpg image by APRJ Decals.jpg image by APRJ

Um detalhe simpático é a inclusão de uma folha de máscaras para os canopies e as rodas, embora não haja menção a ela nas instruções – e muito menos a importantíssima explicação de como aplicá-las. Dará certamente algum trabalho adicional, mas decerto seria muito pior sem as máscaras...

Detalhes

A moldagem é excelente, no padrão dos últimos produtos da Eduard. As linhas de painel e os detalhes são o mais finas possíveis, suficientes para não desaparecer durante a montagem mas discretos o bastante para não comprometer a acurácia geral do modelo.

O kit permite montar um modelo com a asa convencional (elíptica) e outro com a asa de pontas encurtadas ("clipped"), ambas do tipo "e". Os radiadores subalares são separados e apresentados na posição "fechado". No trem de pouso as pernas são separadas das portas e as rodas são corretamente apresentadas com 4 raios.

Moldados na fuselagem de bombordo, os lemes de direção são do tipo "pontudo". Os canos de escapamento são do tipo "tubular", correto para exemplares das últimas séries. A tomada de ar do carburador, moldada integralmente à fuselagem e sólida, é do tipo "Vokes", mais alongada. A hélice é do tipo Rotol, com 4 pás e parece ser dimensionalmente bastante correta.

O interior é totalmente "pelado", mas nota-se a previsão de encaixe para o cockpit em photoetch vendido separadamente (Eduard 144006), que traz todos os detalhes do interior: painel, laterais do cockpit, assento, manche... imagino um dia alguém lançando um interior em resina e um canopi aberto para os que tem dedos delicados e não são fracos, ao mesmo tempo.

A peça única do canopi, em estireno, é uma pequena jóia transparente com cerca de 1 centímetro.

 

 

Versões apresentadas pelo fabricante

São apresentadas nada menos de seis versões para escolher duas, uma com asa elíptica e outra com asas clipped:

A. Spitfire Mk.IXe, PT396, flown by W/C Jack Charles, Tangmere Wing, Tangmere AB, March, 1945 (elíptica)

B. Spitfire LF Mk.IXe, TE 515, Czechoslovak Air Force, former No. 312 Squadron RAF, Ceske Budejovice AB, August 22, 1945 (clipped)

C. Spitfire Mk.IXe, PV 181, flown by W/C Rolf Arne Berg, No. 132 (Norwegian) Wing, Twente AB, the Netherlands, winter, 1944 – 1945 (elíptica)

D. Spitfire Mk.IXe, MK 791, French Air Force, GC I/4, French Indochina circa 1947 – 1948 (clipped)

E. Spitfire LF Mk.IXe, No. 105 Squadron of Israeli Air Force, Ramat David AB, June, 1953 (elíptica)

F. Spitfire Mk.IXe, F TD 147, flown by W/C James "Stocky" Edwards, Schneverdingen AB, Germany, May, 1945 (clipped)

Conclusão

Uma fantástica oferta da Eduard, dois kits por vinte dólares (preço do site da Eduard, sem frete) permitindo montar um par de modelos atraentes de um avião importantíssimo. As opções de decais são muito atraentes e é uma tentação comprar três caixas para montar todos.

São kits simples, com poucas peças e que aparentemente não serão complicados para se montar. É uma pena que um kit tão bom seja desprovido de qualquer tipo de detalhe no interior. Creio que a Eduard lance em breve um profipack com os detalhes em photoetch que fabrica para este kit, ou quem sabe um set em resina. Para os mais empedernidos este kit é um excelente desafio para testar as habilidades de scratch; a base é excelente e um trabalho caprichado certamente resultará numa pequena jóia.

O tamanho das peças e os desafios associados à pintura podem ser empecilhos para modelistas menos experientes ou com a visão já cansada. Com esta restrição, considero este kit altamente recomendado, seja para os apreciadores da 1:144 ou os que desejam aventurar-se nela e para os modelistas que desejem fazer uma "pausa" entre kits mais complexos.

Nossos agradecimentos à Eduard por disponibilizar o kit para esta análise

 
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