Spitfire Mk.Ia - Airfix 1/72 (A01071A)
Escrito por Francisco Eduardo Mendes   
Sáb, 10 de Novembro de 2012 19:43

Spitfire Mk.Ia - Airfix 1/72 (A01071A)

 

Histórico

O Spitfire da Airfix na escala 1/72 é um clássico do plastimodelismo, uma espécie de fusca. Um kit praticamente obrigatório para os que montam aviação, barato, bastante acurado e fácil de montar, foi o primeiro kit de muitos modelistas pelo mundo afora.
Lançado originalmente em 1953, a primeira encarnação do Spitfire Airfix foi um dos primeiros kits oferecidos na escala de 1/72 e ajudou a estabelecer um padrão na indústria que perdura até hoje – a escala constante. Também foi um dos kits mais vendidos da história: em meados dos anos 60, já na sua segunda 'ferramenta', cerca de 350.000 unidades eram vendidas anualmente!

Em 1979 foi lançada uma nova versão do kit, com melhor detalhamento. Esse kit continua até hoje como um dos mais acurados Spitfires em qualquer escala disponíveis no mercado e ainda é relativamente fácil de ser encontrado. Só que, mais de 30 anos passados, o kit de 1979 estava ficando obsoleto. Com a maioria das linhas de painel em alto relevo e um cockpit desprovido de detalhes, o kit somente atraía modelistas pelo baixo preço de aquisição para uma montagem descompromissada ou, curiosamente, para servir como base para modelos hiperdetalhados por causa da exatidão de suas dimensões básicas, qualidade que mesmo as ofertas da Tamyia ou Hasegawa não conseguiram superar.

Em 2010, após a reestruturação da Airfix, finalmente foi lançada mais uma encarnação do clássico. Aclamado pela crítica (assim como o Mk.Ia na 1/48, lançado pouco antes), o Spitfire "da caixa vermelha" tornou-se um dos marcos do renascimento da Airfix, que esteve perto de fechar as portas e que está aos poucos voltando a ser um ator importante no mercado de plastimodelismo.

 

 

O kit

A caixa com abertura pelas extremidades contém três árvores com relativamente poucas peças, mantendo essencialmente a divisão de peças do kit de 79. As árvores vêm embaladas em um saco plástico lacrado a quente, e as transparências vêm em um pequeno saco plástico (para não arranhar) dentro do saco principal. Os decais vêm soltos na caixa, dentro do folheto de instruções. O novo kit mantém as características essenciais dos seus antecessores: baixo custo, engenharia excelente e agora com detalhes em um nível bastante superior ao de seu antecessor, compatível com o dos kits mais modernos. A superfície externa é coberta com linhas de painéis em baixo relevo – acentuadas demais para o meu gosto, diga-se de passagem. Alguns pequenos itens são em alto relevo, como as cabeças dos parafusos dos painéis das metralhadoras nas asas e os indicadores do trem de pouso arriado no dorso das asas. Pelo menos o posicionamento dos painéis está basicamente correto e parte do exagero das linhas desaparece com a aplicação de tinta. O detalhamento do interior é excelente para a escala, com a estrutura interna do cockpit e as manetes bem representadas em alto relevo. O painel é em decalque, adequado à opção única de canopi fechado. Para quem quiser um modelo com canopi aberto seria recomendável obter um canopi em Vacuform, e um conjunto de PE compreendendo pelo menos os cintos de segurança e um painel de controle mais acurado. Mais sobre isso adiante. O assento do piloto poderia ser um pouco mais fino, mas nada que uma passada de lixa não acerte. Os pedais do leme são razoáveis, e enganam bem na escala. A mesma coisa pode-se falar do manche. O trem de pouso (com opção de arriado ou recolhido) é moldado em uma única peça unindo as pernas e as portas. Tem gente que reclamou disso, mas o fato é que as peças são tão "juntas" no avião real que a representação é adequada para a escala. Os pneus têm um discreto rebaixamento, e as rodas principais têm cinco elementos, como deve ser nos primeiros Spitfires. Bem pintado fica tudo bastante aceitável. A bequilha é separada, facilitando a pintura, e tem um encaixe sólido no fundo da fuselagem. O leme de direção é a única opção de superfície de controle posicionável, e os profundores têm uma forma interessante de fixação que facilita o alinhamento das peças, evitando erros. O kit vem com uma única opção de decal, para fazer o mesmo DW-K do esquadrão 610 que a Revell propunha no seu kit 1/32 de meados do século passado – que veio a ser o meu primeiro Spitfire, aquele que a gente não esquece jamais. Não procurei outra versão, até porque a pequena folha traz os estênceis essenciais e a impressão dos decais pareceu-me muito boa, com as cores corretas e bem alinhadas. As instruções vêm em uma folha única de papel, e são claras o bastante para uma montagem tranquila. Uma pequena história do Spitfire – sim, tem gente que não a conhece! - , um mapa das peças e recomendações de segurança complementam a folha. As referências de cores, claro, são para tintas da Humbrol. As instruções de camuflagem e posicionamento dos decais são dadas no fundo da caixa. Em tempo, tudo em inglês - natural no caso de um kit inglês de um avião inglês em um mundo no qual o inglês é a língua franca em parte porque os alemães perderam uma guerra em parte por causa de um certo avião...

 

 

 

 

Montagem

Como quase sempre acontece, comecei pelo interior. Usei o que veio no kit, só acrescentei à porta um pé de cabra à porta de saída do cockpit– um pedacinho de sprue esticado pintado de vermelho –, cintos em sanduíche de fita Tamyia e folha de chumbo e o vidro do colimador em acetato, substituindo parte da mira que vem moldada no painel. Um pedaço de arame de cobre bem fino colado com CA fez o tensionador do cinto Sutton, que se perde lá pra dentro da fuselagem e um pedacinho de arame mais grosso pintado de branco faz o tubo de oxigênio colado na lateral de boreste do cockpit.

A montagem geral é excelente. Alguns pequenos detalhes podem, porém, transformar-se em grandes transtornos se não atacados de antemão. Como de lei, dry-fit e atenção às referências nunca são demais... eis os principais pontos:

• Os pinos-guia são em geral grossos demais, talvez para permitir uma montagem sem cola. Eu dei um passe com uma broca "bola" e alarguei os furos até que as metades se encaixassem perfeitamente. Isso é particularmente importante no caso do pino posicionado na região do leme de direção – sem essa preparação a fuselagem simplesmente não fecha. Preferi essa abordagem à de outras pessoas que disseram que simplesmente cortaram os pinos fora. Com os pinos ainda no lugar o alinhamento fica muito mais fácil e correto.
• O painel de controle é ligeiramente mais largo que o vão da fuselagem, o que impede que as metades da fuselagem se fechem com perfeição na região do tanque de gasolina e do cockpit. Recomendo dar uma passada de lixa nas laterais do painel e na estrutura que apoia o banco. Pouca coisa, o dry-fit vai mostrar quando é a hora de parar. É bom também checar o recorte nas laterais do painel e na estrutura do banco para dar passagem a um longeron moldado na fuselagem. A tinta aplicada no interior da fuselagem foi suficiente para complicar esse encaixe, e a solução foi alargar um pouquinho o recorte. Outra coisa, cole primeiro o cockpit montado a uma das laterais da fuselagem, e só então feche a fuselagem. Enquanto isso, dry-fit, dry-fit, dry-fit...
• As asas também podem dar problemas, e exigem atenção. Com os pequenos problemas descritos acima, é possível que a fuselagem fique ligeiramente mais larga, o que induzirá a perda de parte substancial do diedro quando se montar a asa. Com todos os cuidados que tomei, mesmo assim foi necessário dar uma lixadinha na fuselagem, na área de contato com as asas superiores. Coisa de décimos de milímetro, mas que garante um encaixe exato e o diedro correto. Pra variar, dry-fit na veia até ficar perfeito.
• O canopi também tem um encaixe exato (desde que a fuselagem esteja ajustada corretamente, é claro). De fato, tive que dar uma passadinha de lixa na parte de trás para que eu pudesse colocar a peça – previamente mascarada e já com a pintura "interior" aplicada. Ficou tão justo que nem precisou de cola!
• Se o kit tem um defeito mais dificíl de corrigir, ele está na peça que faz o radiador de óleo (aquela estrutura semicilíndrica que fica sob a asa de boreste). A peça é bem mais rasa que a original que se vê em fotos. A solução óbvia (e mais cara) é usar uma peça de resina. A outra é fazer uma em scratch, embora trate-se de uma peça complicadinha, não é apenas "um tubo" sob a asa. Parece-me ser prudente usar a "base" da peça do kit para garantir uma fixação não traumática da peça. Eu optei pela alternativa C, qual seja, abstraí e usei a peça do kit. Afinal, eu estou aqui pra me divertir!

No geral, a montagem ficou tão certinha que parecia tratar-se de um kit Tamiya ou Hasegawa. Coisa de primeiro mundo, praticamente não precisei de massa – e a que foi necessária deveu-se às mãos pesadas deste humilde modelista.

Com tudo praticamente no lugar, primer Vallejo pra procurar defeitos, pre-shade com um cinza escuro e pintura. Usei tintas Vallejo Model Air (primer, alumínio, duck egg green, branco e preto), Revell (amarelo, vermelho e preto pneu) e Model Master Acryl (interior green, dark Earth e dark green). Para demarcar o padrão da camuflagem usei massa removível Pritt Tack. Depois da pintura, um verniz (Brilho Fácil) pra preparar a superfície para os decais e para um discreto wash em alguns pontos chave. Coisa pouca, usando o wash preto da Vallejo

Os decais são muito bons, embora foscos e um pouco rígidos pro meu gosto. Com Micro-set e Micro-sol assentaram, depois de um pouco de insistência. Tem uma tonelada de estênceis na folha, e é recomendável prestar atenção à ordem de colocação, pois alguns se sobrepõem a outros. De tanto estêncil, eu acabei colando um no lugar errado. Quem consegue dizer qual foi? Decais aplicados, tudo foi selado com verniz Vallejo semifosco. Peças menores adicionadas, antenas em fio cirúrgico 0.6 e temos finalmente, após 5 dias, um interessante modelo do Spitfire Mk.Ia.

 

10-interior-ready.jpg image by APRJ

 

Algumas imagens do modelo pronto:

 

15-ass-5c.jpg image by APRJ

 

 

Conclusão

A despeito de pequenas falhas aqui e ali – eu disse pequenas mesmo! – o kit é um sucessor digno do lendário Spitfire 1/72 da Airfix. Assim como seus antecessores, não é um kit que se joga na parede e cai montado, mas fica bem perto disso. Alguma atenção e paciência é requerida para uma montagem 100% perfeita, mas nada disso é intransponível, mesmo para um iniciante. De fato, creio que solucionar pequenos desafios como os apresentados por esse kit representa por uma boa parte da graça do nosso hobby.

Complementado pelos kits de outras Mk.s lançados recentemente pela Airfix pode-se formar a um custo bastante acessível uma coleção representativa das diversas versões do Spitfire, suficientemente acurada para agradar a maioria dos aficionados do mais famoso caça inglês da II Guerra Mundial.

Recomendadíssimo para todos os níveis de modelistas.

 
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