Mitsubishi A6M2b Zero Fighter (Zeke) - Tamiya 1/72
Escrito por Francisco Eduardo Mendes   
Ter, 06 de Novembro de 2012 11:30

 

Mitsubishi A6M2b Zero Fighter (Zeke) - Tamiya 1/72 (kit 60780)

 

Histórico

O Zero talvez tenha sido, no seu tempo, o mais temível e eficaz avião de caça do mundo.
E pensar que no início dos anos 40 a indústria japonesa era vista pelo resto do mundo como um sinônimo de cópias malfeitas de produtos de baixa tecnologia. Os japoneses não seriam, pela visão ocidental da época, capazes de desenvolver um avião de combate em condições de enfrentar os recentes caças europeus e americanos.

Concebido pela equipe de Jiro Horikoshi dentro de uma filosofia de máxima agilidade em uma estrutura extremamente leve e armamento poderoso, o Zero era um adversário terrível. Possuía velocidade para escolher o momento de entrar e sair do combate, maneabilidade para fazer cercar os adversários e razão de subida que lhe permitia recuperar rapidamente a vantagem tática. Isso combinado a um armamento poderoso para a época (dois canhões de 20mm nas asas e duas metralhadoras de 7.7mm no nariz) e um alcance impensável para um avião com tal desempenho (3100 km), ainda mais embarcado, fizeram do Zero uma das maiores surpresas da Guerra, especialmente para os americanos.

Dos quase 11.000 zeros produzidos, cerca de 740 A6M2b (Zero tipo 21) foram construídos pela Mitsubishi, e outros 800 foram entregues pela Nakajima. O Tipo 21 foi a primeira versão numericamente importante e certamente a que mais impacto causou de todas as que entraram em produção. Os primeiros contatos em grande escala do Zero com a aviação militar aliada, sobre Pearl Harbor e as Filipinas, revelaram que os japoneses não só eram capazes de fazer um avião competitivo, mas um avião nitidamente superior em combate ao que de melhor os americanos e ingleses dispunham à época, especialmente nas condições específicas da Guerra no Pacífico.

A tudo isso somava-se um grupo de pilotos altamente qualificados e experimentados em combate na China. Infelizmente para os japoneses os bons pilotos eram poucos e não havia uma estrutura de reposição eficaz. O atrito em combate erodiu aos poucos o contingente de ases e condenou a aviação japonesa a ter que contar com uma maioria de jovens pilotos cujo principal atributo era a coragem extrema e só.

A mística do Zero começou a ser reduzida quando alguns exemplares caíram nas mãos dos Aliados. Após extensivos testes concluiu-se que boa parte do desempenho do Zero devia-se a uma estrutura relativamente desprotegida, que compensava com a leveza o “pequeno” motor de 950 cavalos. A melhor tática contra o Zero seria levar o combate para a vertical, mergulhando sobre eles enquanto se atirava com toda intensidade e escapando com a continuidade do mergulho, atingindo velocidades que a estrutura do Zero não conseguia suportar (a velocidade limite era de até 660 km/h). Essa doutrina perdurou basicamente pelo resto da Guerra do Pacífico e era também eficaz contra os ainda mais frágeis (e ágeis) Nakajima Hayabusa do Exército Japonês. Ao final da guerra, os Zero eram presas fáceis para os possantes Corsairs e Hellcats da Marinha e P-38 e P-51 da Força Aérea do Exército Americano.

Mas o mito estava construído, e o Mitsubishi Zero perdura como um símbolo da maturidade tecnológica da indústria do Japão.

 

Conteúdo da caixa

Impecável. Não dá pra dizer outra coisa.

A caixa mede aproximadamente 29 x 19 x 4,5 cm e tem tampa separada. Na frente, uma bela ilustração do artista Tatsuji Kajita. Nas laterias desenhos de duas vistas de duas das versões propostas e muita informação... em japonês.

O kit propriamente dito vem acondicionado em sacos plásticos individuais, fechados com pequenos grampos. São duas árvores principais em plástico cinza e mais duas, uma somente com a peça do capô do motor (um elemento morfológico importante para diferenciar as versões do Zero) e outra com as transparências. São no total 72 peças mais cinco peças na árvore de transparências. Um pequeno saco traz dois polycaps para fixar a hélice (só um é necessário). Os saquinhos menores vêm acondicionados dentro dos maiores, evitando perdas e arranhões. Difícil querer melhor. As instruções são muito bem impressas em P&B formando um folder de nada menos que dez páginas. São 16 passos de montagem e mais instruções de pintura e colocação dos decais, além de dicas de segurança, ferramentas, montagem e pintura. As tintas referidas, é claro, são Tamiya, mas uma descrição expedita dos esquemas apresentados também é apresentada na última página. Acompanha também um outro folder que traz em seis páginas informações e ilustrações muito interessantes sobre o Zero, com textos em Japonês, Inglês, Alemão e Francês. Os decais são perfeitamente impressos. A folha traz, além de marcações para três versões de aviões que participaram do ataque à Pearl Harbor, uma série de estênceis e alguns dos relógios do painel de instrumentos e um jogo de cintos de segurança. Que podem fazer um bom efeito no caso de se deixar o canopi fechado.

 

 

Detalhes

O kit faz jus à excelente reputação da Tamiya, não é necessário dizer muito mais do que isso. A moldagem é absolutamente perfeita, sem nenhum vestígio de rebarbas, pinos de ejeção em locais visíveis, nada. Os detalhes são finos como as linhas de painel em baixo relevo e corretos nas separações das superfícies de comando, que vêm moldadas sem opção de posicionamento. As transparências são um capítulo à parte, finas e transparentes, mas com os frames bem definidos, ligeiramente foscos. O cockpit, o motor e os poços do trem de pouso trazem detalhes adequados à escala, nada muito exagerado mas que pode fazer um bom efeito com uma dose caprichada de wash e drybrush para trazer à luz os detalhes.

 

Assort-det.jpg image by APRJ
Transp.jpg image by APRJ

 

Versões apresentadas pelo fabricante

O kit oferece marcações para três aviões basicamente iguais mecanicamente, todos da Segunda Unidade de Ataque durante o assalto a Pearl Harbor em dezembro de 1941:

• O primeiro é o avião do Ten. Saburo Shindo, embarcado no Akagi (AI-102, faixa vermelha).
• O segundo é o avião do Ten. Fusata Iida, embarcado no Soryu (BI-151, faixa azul) e
• O terceiro é o avião do Ten. Masao Sato, embarcado no Zuikaku (EII-137, faixa branca).

 

 

Todos os aviões são pintados em um “cinza esverdeado” com os capôs dos motores em preto-azulado e hélices e cubos de hélice em alumínio polido. A Tamiya sugere para a cor geral do avião a sua tinta AS-29, um cinza esverdeado. Já a imagem tradicional remete a um cinza bem claro, reproduzido à exaustão em kits, aviões preservados em museus e frequentadores de shows aéreos e até na ilustração da tampa deste kit. Só que alguns “experts” da hora sugerem uma cor próxima do caramelo, o “ameiro”, resultado de um verniz que conferia um matiz peculiar ao cinza base, algo como um âmbar claro, acinzentado, algo esverdeado, uma coisa entre cor-de-burro-quando-foge e Flicts (quem leu Ziraldo na infância lembra)...

Essa cor está sendo sugerida a partir da análise de peças preservadas de aviões– inclusive da ação do ar e da umidade que afetam as cores no longo prazo. Não é preciso dizer que nos últimos tempos desenvolve-se uma celeuma em torno da “cor do Zero”, com posições defendidas apaixonadamente. Coisa de modelista desocupado, com certeza. Quem quiser aventurar-se no Fantástico Mundo da Cor do Zero sugiro visitar http://modelingmadness.com/earlya6mcolors.htm e http://www.j-aircraft.com/research/amerio/out_of_ameiro.htm para ver dois dos lados da questão. Dá assunto pra várias reuniões...

Conclusão

O kit, na caixa, parece estar muito próximo da perfeição. Só falta montar para ver se ele cumpre as expectativas; aliás - em se tratando de Tamiya - espero que o kit supere as expectativas, mas isso é assunto pra uma outra matéria. Se se pode reclamar de algo, bem, o assento do piloto não é furadinho (mas tem marcas para facilitar o trabalho) e falta um cintinho e um painel em fotoetch, embora sejam oferecidos decais para representar esses detalhes. Um modelista muito exigente pode usar sets de detalhamento ou a sua arte em scratch para exibir o motor “aberto”, superdetalhar o cockpit, expor as armas, “dobrar” as pontas das asas, enfim, este kit é um campo perfeito para se investir ainda mais e montar uma pequena joia. Para um iniciante, por outro lado, é perfeito por apresentar pequenos desafios mas com quase garantia de sucesso. De fato, este kit é um presente perfeito para atrair novos adeptos para o nosso Hobby. E para todos os demais, gente como a gente, é promessa de uma montagem rápida, precisa e prazerosa. Querer mais o que?

Enfim, um kit recomendadíssimo para todos os públicos.

 

Agradecemos a Hobbyeasy pelo exemplar deste review.

Imagem

 
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