Spitfire FR.Mk.XIVe - Academy 1/48
Escrito por Francisco Eduardo Mendes   
Ter, 06 de Novembro de 2012 10:24

 

Spitfire FR.Mk.XIVe - Academy 1/48 (kit  2161)

 

Histórico

Bem, creio que o Spitfire dispensa apresentações!
O Spitfire XIV foi concebido como uma versão de transição para o F.21, que reuniria todos os avanços aprendidos ao longo da Guerra. Como o F.21 não foi produzido em grandes números até o final da Guerra, o Mk.XIV acabou sendo o mais avançado tipo de Spitfire disponível em quantidades razoáveis nos meses finais do conflito. O motor Rolls-Royce Griffon 65 e a hélice de cinco pás conferiam-lhe um aspecto mais agressivo que os harmoniosos Spits com motor Merlin.

O Spitfire FR.Mk.XIVe foi uma variante especializada para reconhecimento armado a baixa altitude, aproveitando as excepcionais características de velocidade e agilidade do Spitfire com motor Griffon. Era equipado com uma câmera oblíqua F.24 e a asa “e”, dotada de dois canhões de 20mm e duas metralhadoras .50. Os FR. Mk.XIVe tinham as pontas das asas cortadas (“clipped”) para aumentar a agilidade a baixa altitude.

Os FR.XIVe apareceram apenas nos últimos meses da Guerra, equipando poucos esquadrões até o armistício. Muitos exemplares reequiparam as unidades alocadas nas operações sobre a Alemanha ocupada nos primeiros anos do pós-Guerra, como é o caso do avião que este kit representa. Dos 957 Spitfires Mk.XIV produzidos, cerca de 430 eram FR. Mk.XIVe.
Em tempo, este não é absolutamente um kit novo. A despeito da nova embalagem, este kit foi lançado em meados da década de 90, pouco depois do Mk.XIVc. A embalagem original mudou um pouco, bem como a versão de decais oferecida.

Conteúdo da caixa

O kit vem muito bem embalado. A caixa tem um bom tamanho (34 x 22 x 5,5 cm) e tampa separada, com uma bela ilustração da versão oferecida sobrevoando uma área em ruínas, aparentemente sobre Berlim (Portão de Brandemburgo?). Nas laterais da caixa, fotos do modelo montado de um lado e informações de praxe em vários idiomas (menos o Português) do outro.

Dentro da caixa encontramos cinco árvores de peças, quatro em plástico cinza claro e uma em plástico transparente, num total de 83 peças, duas das quais não serão usadas. Duas das árvores (B e C) são exatamente as da versão Mk.XIVc (kit #1223), as peças para as asas e para detalhes diversos do cockpit, profundores, trem de pouso, etc. As árvores diferentes contêm detalhes específicos da versão, como as fuselagens, as transparências e outras miudezas. Mas essencialmente ambos são o mesmo kit, exceto pela fuselagem, canopi e armamento.

Um folheto de instruções em P&B com 8 páginas, dobradas em tamanho A5, acompanha o kit. A primeira página apresenta uma breve descrição do avião. São sugeridos oito passos para a construção e mais um guia para pintura e posicionamento dos decais. As cores são indicadas apenas pelos nomes genéricos em uma pequena tabela na página 6 (exceto os tons de camuflagem, indicadas no diagrama de pintura pelos nomes e códigos FS e BS). Um diagrama da localização das peças nas árvores completa as instruções.
Uma folha de decais com uma única opção e dois pequenos folhetos com dicas de montagem e segurança completam o conteúdo da caixa.

Detalhes

A moldagem do kit é muito boa. Não vi nenhuma rebarba ou falhas de injeção.
As linhas de painel são bem adequadas à escala e alguns “rebites” são visíveis em pontos estratégicos. O cockpit é razoavelmente bem detalhado, e o painel em particular poderá ficar muito bom com um drybrush ressaltando os instrumentos em relevo. Pintado adequadamente o cockpit fará um bom efeito, especialmente se o modelista optar por manter o cockpit fechado.

 

 

As transparências são razoavelmente límpidas e não devem distorcer significativamente a visão do interior. O canopi, apresentado em duas peças, pode ser montado em posição aberta. Curiosamente, a árvore das transparências deve pertencer a um outro kit, pelo que está escrito nela. Os decais têm a marca da Academy e são relativamente finos e brilhantes. O tom de vermelho das insígnias, por sinal impresso ligeiramente fora de registro, é um tanto mais vivo que o vermelho usado pela RAF à época. Não tenho tido muito boas experiências com os decais da Academy, portanto recomendo uma preparação adequada e bastante paciência para uma aplicação sem falhas.

 

 

 

O problema essencial do kit, segundo muitos, reside na acurácia das formas propostas. Dentre os “defeitos” apontados em diversos reviews deste kit estão a forma do nariz (muito “grosso”), que leva a outros problemas como por exemplo um cubo de hélice superdimensionado. Outros problemas estariam nas pás das hélices, curtas e largas demais, e na forma das “caixas” dos radiadores subalares. A traseira da fuselagem, muito criticada no kit Academy do Spitfire Mk.XIVc (#1223), parece não ser um grande problema no caso deste kit com capota em bolha e fuselagem cortada. De fato, quase tudo (de bom e de ruim) que se diz sobre o kit do Mk.XIVc também pode se aplicar a este kit. Por exemplo, sobrepondo as fuselagens dos dois kits o encaixe é absolutamente perfeito, exceto, é claro, na região da espinha dorsal, entre o leme e a abertura do cockpit.

 

 

Versões apresentadas pelo fabricante

Somente uma opção de decal é oferecida, permitindo fazer um Spitfire FR. Mk.XIVe do esquadrão 451 (RAAF), baseado na Alemanha ocupada, entre outubro de 1945 e dezembro de 1946.
O Esquadrão 451 foi formado em 1941 na região de Sydney, Austrália, reunindo pilotos locais. Ainda neste ano já recebeu seu batismo de fogo no teatro da África do Norte, por onde ficou baseado até 1944. Após um breve destacamento para a Itália e para o sul da França o esquadrão foi destacado para missões de escolta e de ataque ao solo (entre eles aos sítios de lançamento das V-2) a partir de bases na Inglaterra. Durante a guerra o 451 operou Hurricanes, Typhoons e Spitfires de várias marcas. No final do Conflito o 451 estava equipado com Spitfires Mk.XVIe.
Logo após o fim das hostilidades o 451 foi incorporado à Força Aliada de Ocupação da Alemanha. A partir de outubro de 1945 começaram a chegar os novos Spitfires FR. Mk.XIVe, dentre os quais os NH895 que é o tema deste kit. O Esquadrão realizou missões de treinamento, patrulha e reconhecimento até a sua desmobilização no final de 1946. Colocado em disponibilidade, o NH895 foi vendido para sucata em meados de 1949.

Conclusão

Até o momento este é o único kit injetado produzido em larga escala do Spitfire FR. Mk.XIVe com “capota em bolha” na escala 1/48. Portanto, quem desejar fazer um modelo desse avião pode escolher entre montar este kit convivendo com os seus “problemas” ou então aventurar-se em um complexo processo de conversão, kitbashing, scratchbuild, etc.

A qualidade da moldagem, a riqueza de detalhes, a engenharia simples e a aparente qualidade dos encaixes sugerem uma montagem fácil e precisa, tornando este kit uma excelente opção para um modelista iniciante ou mesmo para quem não esteja muito preocupado com a acurácia das formas do modelo pronto. A seu favor, também e não pouco importante, conta o baixo preço de aquisição (na faixa de R$ 60 em lojas brasileiras). Para os perfeccionistas, este kit pode servir de base para um bom Spitfire XIV a partir de uma base de baixo custo de aquisição mas com problemas que exigirão soluções cirúrgicas radicais e eventualmente custosas. Por outro lado, essas correções certamente representarão um desafio fascinante para modelistas de nível mais avançado que desejem montar um Spitfire XIV fiel às suas belas linhas originais. Pelo menos até algum fabricante resolver lançar um novo kit... Alguns puristas podem dizer: “isto não parece um Spitfire”. De fato, as formas da fuselagem e vários outros detalhes apresentados no kit comprometem a semelhança da silhueta do modelo pronto com o original. Por outro lado, temos que reconhecer que poucas pessoas são “especialistas” em Spitfires a ponto de reconhecer essas “falhas” de pronto. Assim, a despeito dos vários problemas de forma, o kit da Academy permite fazer um belo modelo de avião, e para muitos isso é o que importa.

Recomendado, com essas observações, para todos os níveis de modelistas.
Eu mesmo pretendo montar tanto um FR. Mk.XIVe destes quanto o seu “irmão” Mk. XIVc. Depois eu conto como ficou!

 

Agradecemos a Hobbyterra pelo exemplar deste review.

Imagem

 
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