USS Destroyer Escort DE-99 - PIT-ROAD - 1/350 - Pt 1
Escrito por Nelson Rapello   
Qua, 12 de Setembro de 2012 14:02

 

USS DESTROYER ESCORT DE-99 CANNON CLASS (CTE BAURU E OS OUTROS BERTIOGAS)

PIT-ROAD WB SERIES 1/350

 

HISTÓRICO

O conceito de se utilizar pequenas embarcações para prover a escolta de outros navios em mar aberto surgiu na U.S. Navy durante os primeiros anos do século XX. Durante a Primeira Guerra com os submarinos alemães agindo no Atlântico, o conceito demonstrou ser correto e a necessidade desse tipo de embarcação se tornou mais urgente, porém as primeiras embarcações que os americanos desenvolveram para esse propósito eram pequenas e tinham seu raio de operação restrito as regiões costeiras, estando muito mais próximas ao conceito dos barcos patrulha. Com o início da Segunda Guerra e o crescimento da ação dos submarinos alemães no Atlântico Norte, a U.S. Navy transferiu para a Royal Navy 50 destroyers antigos de 4 chaminés através do Programa de Empréstimos e Arrendamentos (Lend Lease) para prover escolta aos comboios britânicos. Embora a presença destes destroyers tenha reduzido bastante a eficácia da ação dos U-Boats, logo ficou claro que eles eram muito lentos e de difícil manutenção dado a sua obsolescência e que era urgente a necessidade de se desenvolver á curto prazo embarcações mais atualizadas e adequadas a tarefa. Daí surgiu o conceito dos Escort Destroyers ou Destroyers de Escolta, que eram mais leves, manobráveis e baratos que os destroyers oceânicos convencionais.

Em geral esses destroyers eram providos com canhões de 3 polegadas que tanto eram usados contra alvos de superfície como também como anti-aéreos. Porém a principal proteção anti-aérea ficava por conta de canhões duplos Bosfors de 40mm e canhões Oerlikon de 20mm. Contra os U-Boats havia ainda dois lançadores de cargas de profundidade na popa e um lançador Hodgehog que era capaz de lançar 24 morteiros de 5 polegadas em um padrão oval ao redor do navio, sendo efetivo contra alvos até 300 pés de profundidade.

A primeira classe de navios desse tipo recebeu em 1942 o nome do primeiro deles incorporado a US Navy, o DE-5 USS Evarts, sendo que os quatro navios anteriores foram transferidos diretamente dos estaleiros a Royal Navy sem chegarem a receber designação na US Navy. Ao todo foram construídos 97 destroyers da classe Evarts, dos quais 32 foram transferidos a Royal Navy durante a guerra.

Porém o uso operacional dos Evarts logo levou a algumas conclusões que deram ensejo ao aprimoramento do projeto inicial. Dessas modificações surgiu a classe Buckley cujas principais características foram incorporadas a todas as classes subseqüentes. Os Buckleys eram 17 pés mais longos que os Evarts, totalizando 306 pés de comprimento. Outra diferença em relação aos Evarts é que enquanto aqueles eram movidos por propulsores a diesel, os Buckleys eram dotados de duas turbinas a vapor que geravam 12.000 cavalos de potencia, deslocando 1.720 toneladas, e tinha um alcance de 5.000 milhas náuticas e velocidade máxima de 23.5 nós. Ao todo foram construídos 154 Buckleys, dos quais 46 foram transferidos a Royal Navy onde receberam a designação de Classe Captain, outros Buckleys foram transferidos no pós guerra a marinhas de outros países como Taiwan, Coréia do Sul, México e Chile como parte de programas americanos de ajuda militar.

Em 1943 tomou-se a decisão de construir uma variante do desenho dos Buckleys cuja principal diferença em relação a estes era o conjunto propulsor que passava a ser Diesel-Elétrico. A nova classe batizada como Cannon era movida por 4 motores GMC que produziam 6.000 cavalos de potencia. Embora só tivessem a metade da potência dos Buckleys, os Cannons tinham o dobro do seu alcance, 10.000 milhas náuticas, deslocando 1.520 toneladas e velocidade máxima de de 21 nós. Os Cannons usavam basicamente o mesmo casco dos Buckleys, retendo o mesmo comprimento de 306 pés e o arranjo da superestrutura e armamento era basicamente o mesmo da classe anterior. Ou seja, 3 canhões de 3 polegadas, 1 canhão duplo de 40mm, 8 canhões de 20mm e um tubo triplo lança torpedos que em alguns navios foi posteriormente removidos para a inclusão de mais 2 canhões duplos de 40mm a meia nau e mais 2 canhões de 20mm a popa para operação em áreas onde havia maior risco de ataques aéreos. Para ação contra submarinos, os Cannons contavam ainda com um par de lançadores de carga de profundidade a popa, 8 lançadores de cargas Mk.6 “K” guns dispostos 4 a 4 a bombordo e estibordo e um lançador de morteiros Hodgehog Mk. 10 entre os canhões 1 e 2 de 3 polegadas. Os Cannons eram originalmente equipados com um radar de busca de superfície SL com alcance de 12 milhas, porém esses foram rapidamente substituídos pelo radar SU com 20 milhas de alcance. Eram ainda equipados com uma antena SA “bedspring” no alto do mastro para controle anti-aéreo e um sonar retrátil QC sob a proa. Ao todo foram construídos 72 navios da classe Cannon, desses 8 vieram para o Brasil ainda durante a guerra , dentre os quais o próprio DE-99 USS Cannon, tendo sido os mesmos transferidos para Marinha do Brasil entre 1944 e 1945 onde receberam a designação de Classe Bertioga. Outros 6 foram ainda transferidos durante a guerra para os franceses livres. No pós-guerra 49 Cannons foram cedidos a China, Holanda, França, Uruguai, Japão, Filipinas, Grécia, Italia, Peru, Tailandia e Coréia do Sul.

Um dos navios da classe Cannon foi protagonista de um dos episódios mais curiosos da Segunda Guerra, no caso o DE-173 Eldridge que foi usado nos testes do chamado Projeto Arco Iris, mais conhecido Projeto Filadélfia. Supostamente o navio teria desaparecido na Filadélfia durante um dos testes por meio de um campo magnético produzido por dois geradores posicionados no convés para reaparecer instantaneamente em Norfolk na Virgínia. Após os testes o Eldridge voltou a operar em comboios no Atlântico e no pós-guerra foi transferido para a Marinha grega. Atualmente há dois sobreviventes da classe Cannon preservados como museu, o Be.4 Bauru no Brasil (ex DE-179 USS MacAnn) e o DE-766 USS Slater que após 41 anos de serviço na marinha grega hoje se encontra em exposição nos EUA. Um detalhe interessante é que enquanto o Bauru reteve o tubo triplo de lança torpedos, típico da configuração dos navios que operaram no Atlântico, no Slater esse foi substituído por armamento anti-aéreo para operações na região do Pacífico. Além desses dois, ainda há nos dias atuais um Cannon em serviço nas Phillipinas o BRP Rajah Rumabon (PF-11), ex DE-169 USS Atherton.

Após os Cannons foram construídas ainda as classes Edsall, Rudderow e John C. Butler, totalizando 565 Escort Destroyers construídos entre a Segunda Guerra e o período logo imediato a ela.

Os oito Cannons que foram transferidos para a Marinha do Brasil foram:

DE-99 USS Cannon – Be.5 Baependi em 19/12/1944 posteriormente redesignado D-17 e U-27;

DE-100 USS Christopher – Be.6 Benevente em 19/12/1944 posteriormente redesignado D-20 e U-30;

DE-101 USS Alger – Be.7 Babitonga em 10/3/1945 posteriormente redesignado D-16 e U-29;

DE-174 USS Marts – Be.8 Bocaina em 20/3/1945 posteriormente redesignado D-22 e U-32;

DE-175 USS Pennewill – Be.1 Bertioga em 1/8/1944 posteriormente redesignado D-21 e U-26;

DE-177 USS Reybold – Be.3 Bracuí em 15/8/1944 posteriormente redesignado D-23 e U-31;

DE-178 USS Herzog - Be.2 Beberibe em 1/8/1944 posteriormente redesignado D-19 e U-29;

DE-179 USS MacAnn – Be.4 Bauru em 15/8/1944 posteriormente redesignado D-18 e U-18;

 

O KIT

 

O kit da Pit-Road, foi feito em cooperação com a Trumpeter, tal como é indicado na caixa. Na verdade, trata-se basicamente do mesmo kit lançado pela Trumpeter como DE-635 USS England. Porém enquanto o kit da Trumpeter traz apenas os componentes para a montagem dos navios da classe Buckley, o da Pit-Road, além de conter as mesmas peças que o da Trumpeter, traz ainda um galho adicional e 3 peças a mais nos outros galhos que permitem ao todo a construção de um Cannon nas configurações do Atlântico ou do Pacífico. Essa forma de dividir o resultado da cooperação se deve de uma certa forma ao fato dos Buckleys terem sido mais usados pela US Navy e Royal Navy, o que atende melhor aos objetivos de mercado da Trumpeter. Por um outro lado JMSDF recebeu 2 Cannons no pós guerra DE-168 USS Amick e DE-169 USS Atherton que foram respectivamente rebatizados como DE-262 Asahi e DE-263 Hatsuhi. Daí o interesse da Pit-Road nos Cannons, visando oferecê-los no forte mercado interno japonês. Para nós brasileiros isso acabou sendo muito bom, pois como será demonstrado mais a frente, esse kit é o que permite representar mais apropriadamente os Cannons que operaram com a Marinha do Brasil dentre as opções existentes atualmente no mercado.

O modelo é composto por 6 galhos, 3 peças referentes a montagem do casco, 1 peça que forma o convés principal, 1 photo-etche e 2 folhas de decalques.

 

DE-006.jpg image by APRJ

 

O plástico utilizado é de excelente qualidade e acredito que a injeção, até mesmo por questões de custo, tenha ficado por conta da Trumpeter, uma vez que o plástico é idêntico ao que vem nas caixas do USS England. O kit é livre de rebarbas, poucas marcas de injeção e possui detalhes bastante compatíveis com a escala, não ficando nada a dever a outros destroyers na escala feitos pela própria Trumpeter, Tamiya, Hasegawa ou Fine Molds, ficando apenas ligeiramente atrás dos kits atuais da Dragon. As formas gerais do kit são essencialmente corretas tanto no geral como também nos pequenos detalhes. Porém um certo cuidado deve ser tomado na hora de se montar um dos Cannons com eles, principalmente aqueles que serviram na MB. Pois além de diferenças individuais que normalmente existem entre navios de uma mesma classe, a natureza dual do kit fez com que um ou outro detalhe representado esteja mais de acordo com os Buckley do que com os Cannons, conforme será demontrado detalhadamente mais adiante, porém nada que comprometa seriamente a montagem do kit.

- O casco é dividido ao meio de forma que a peça cinza claro forma a parte acima da linha d’agua e as duas em vermelho permitem a opção de montá-lo nas configurações “fullhull” ou “waterline”.

- O convés principal é muito bem detalhado, trazendo estampado apenas os detalhes essenciais que seriam difíceis de representar de forma separada. Um único senão são as correntes das ancoras estampadas sobre a proa, uma falha que infelizmente ocorre na quase totalidade dos kits de navios em todas as escalas.

 

 

- O galho (A) trás essencialmente os elementos que compõem a ponte de comando. E aqui também temos as primeiras diferença em relação ao kit do England da Trumpeter, que são as duas metades da chaminé dos Cannons que tem um formato bem distinto da dos Buckleys em virtude dos diferentes sistemas de propulsão usados pelas duas classes. Há também uma escada para ser montada a frente da chaminé dos Cannons, porém será bem mais conveniente substituí-la por outra em photo-etch de um dos sets existentes no mercado. Nesse galho também estão presentes os componentes do mastro principal.

 

 

- No galho (B) estão a superestrutura central e algumas plataformas, os tubos lança torpedos, o lançador Hodgehog Mk.10, o guindaste dos torpedos, assim como também as duas metades da chaminé dos Buckleys, uma reminiscência do kit do England da Trumpeter.

- São fornecidos 2 galhos (C) que trazem, a base do canhão 3, o bote salva vidas,, os canhões de 3 polegadas, os Oerlikons, eixos, hélices, lemes, ancoras e lançadores de cargas de profundidade.

 

DE-015.jpg image by APRJ

 

- O galho (D) é exclusivo do kit da Pit-Road, e é dedicado as partes que compõem as modificações dos Cannons para operar principalmente no Pacífico, ou seja as plataformas adicionais e as anti-aéreas duplas de 40mm.

- E finalmente o galho (F) traz as peças que compõem o suporte expositor.

 

DE-017.jpg image by APRJ

 

- O photo-etch fornecido é exatamente o mesmo do kit do England, o que não é nenhum problema pois as partes representadas são as mesmas para os Buckleys e Cannons, a saber: Antena do radar SA e lançadores de cargas de profundidade laterais e da popa. O photo-etch é de boa qualidade, e embora substituam com vantagem a antena SA e os lançadores de cargas da popa, ainda assim me parecem um pouco grossos para a escala. Isso porém não chega a ser um problema muito sério, além do mais existem os excelentes photo-etches da White Ensign e Gold Medal para o USS England, cujos elementos também são comuns aos Cannons, que substituem essas partes e muitas outras do kit com grande vantagem.

- O primeiro dos dois decalques que vêem no kit é relativo aos dois Cannons que foram transferidos para a JMSDF quando da sua formação, DE-262 Asahi e DE-263 Hatsuhi. Já o segundo decalque é dedicado aos Cannons da US Navy, esse traz junto um decalque genérico da Classe Cannon para placa da base expositora, uma sequencia de números da proa e os indicativos da popa para os destroyer USS Cannon, USS Slater e USS Percival . Observe-se ainda que é fornecido junto um decalque para a placa expositora para o “DE-766 USS Percival”, o que é um erro grosseiro, pois o DE-766 é o USS Slater. Quanto ao USS Percival, o único destroyer na US Navy com esse nome foi o DD-298, que não pertencia a classe Cannon e nem mesmo sequer era um Escort Destroyer.

 

DE-005.jpg image by APRJ

 

Segunda parte deste artigo

 
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