Mosquito 1/48 Tamiya x Revell
Escrito por Nelson Rapello   
Qui, 16 de Agosto de 2012 16:39

 

Numa comparação superficial entre os dois kits e a documentação existente, pode-se dizer que ambos estão essencialmente corretos em termos de formato e dimensões, não havendo diferenças significativas entre ambos nesse aspecto. As diferenças encontradas entre os dois são predominantemente em termos de detalhes representados nas superfícies e nas peças menores. Cabe lembrar que como o Mosquito tinha a maioria de suas superfícies externas recobertas por chapas de madeira, praticamente não haviam emendas de chapas visíveis o que dava a ele um aspecto bem mais liso do que nos aviões recobertos por chapas metálicas. Os dois kits representam isso de forma bastante correta, sendo que a Revell optou por representar os detalhes externos ligeiramente mais demarcados que a Tamiya. Porém a observação de ambos os kits depois de montados capta bem aparência geral do avião real, ficando as diferenças visíveis apenas por conta das interpretações individuais dos detalhes por cada um dos fabricantes.

Fuselagem dianteira – Na foto pode-se observar o ponto onde cada fabricante preferiu seccionar a fuselagem de forma usar o mesmo kit como base para diferentes versões. Me parece a primeira vista que a Revell optou por um ponto que dá um pouco menos de trabalho na hora do acabamento. Observe-se ainda que a bolha no alto da fuselagem está com o formato mais correto e melhor posicionada no kit da Tamiya. Quanto aos demais detalhes, estes são muito difíceis de se ver na grande maioria das fotos dos Mosquitos para se fazer uma avaliação precisa. Embora na foto abaixo os detalhes pareçam estar em posições muito diferentes nos dois kits, visto ao vivo a diferença no posicionamento é pequena e não chega a ser significativa.

 

 

Fuselagem traseira – Aqui novamente pode-se perceber a diferença do ponto onde os dois fabricantes seccionaram a fuselagem. Nesse parte a principal diferença entre os kits está no friso que ficava apenas na lateral esquerda do avião. Nesse aspecto o friso do kit da Tamiya está muito mais próximo da realidade que o da Revell que está muito largo.

 

 

Detalhes do interior da fuselagem – Aqui pode-se observar que existem diversas diferenças entre a interpretação da Revell e da Tamiya. Após analisar as fotos publicadas no Modeller Datafile 1 da SAM Publications, a conclusão que eu cheguei é que uma vez que não existem mais Mosquitos B Mk.IV preservados para servir de referencia do interior, cada fabricante optou por reproduzir o interior de duas diferentes versões que ainda existem preservadas. Aparentemente a Tamiya se baseou no interior do protótipo W4050 que está no Mosquito Museum e a Revell no interior de um dos B Mk.35 de pós guerra que ainda existem preservados. O grande problema é saber aqui com qual dos dois modelos o interior dos B Mk.IV se pareceria mais, na dúvida só nos resta aceitar o interior de ambos os kits como eventualmente corretos. A parte essas divergências os detalhes do interior em ambos os kits me parecem representados de uma forma bastante coerente para escala, lembrando ainda que existem diversas opções de aftermarkets no mercado desenvolvidas específicamente para cada um dos kits que permitem melhorá-los em diversos aspectos.

 

MOS-014.jpg image by APRJ

 

Porta e compartimento de bombas – Aqui os kits são quase idênticos, com muito pequenas diferenças de interpretação entre ambos, até mesmo as marcas de injeção na superfície interna das portas são praticamente as mesmas. Observando que em ambos os kits é possível se representar o compartimento com as portas abertas, bastando apenas separar as duas metades da porta.

 

 

Tanques subalares – Aparentemente a Revell adicionou um par de tanques de 100 Galões ao kit, além do par e 200 Galões que vem a mais para a outra versão futura. Porém todas as referencias que eu consultei dão a entender que os B Mk.IV só carregavam tanques de 50 Galões sob as asas, neste aspecto o kit da Tamiya estaria mais correto contendo os tanques de 50 Galões.

 

Superfície móvel do leme – Conforme foi comentado anteriormente a Revell optou por fazer as superfícies móveis do kit em separado de forma que possam ser montadas em posições variadas. Dependendo do ponto de vista de cada um, isso pode se constituir em uma grande vantagem em relação ao kit da Tamiya onde estas superfícies estão moldadas junto as partes fixas. Nas formas gerais o leme de ambos os kits é correto, ficando a diferença por conta de como as nervuras foram representadas em cada um deles. Embora as nervuras do da Revell pareçam um pouco exageradas, a comparação com fotos mais próximas demonstra que estas não estão de todo incoerentes, talvez necessitando apenas ser ligeiramente atenuadas com uma lixa. Já as da Tamiya são bem mais suaves, talvez até um pouco demais dependendo do ponto de vista de cada um. Aqui a escolha fica mais por conta do gosto pessoal de cada modelista.

 

 

Painel de instrumentos – Aqui as diferenças entre ambos é relativamente pequena, ficando mais por conta dos instrumentos melhor definidos no kit da Tamiya do que no da Revell. Em ambos os kits a parte de trás dos instrumentos foi representada, o que é essencial se lembrarmos que o nariz é transparente. Outra diferença é que o painel da Revell já vem com os pedais enquanto no da Tamiya eles foram representados em peças separadas.

MOS-020.jpg image by APRJ

 

Asa superior – A parte o fato do kit da Revell ter as superfícies móveis destacadas, a forma geral de ambas as asas é idêntico. As diferenças aqui ficam por conta da ponta da asa da Tamiya ser colada a parte enquanto a da Revell já vem incorporada e o fato da Revell ter optado por fazer as naceles inteiras incluindo a parte superior, enquanto a Tamiya incorporou a parte de cima das naceles as asas. Existe uma pequena diferença de formato na ponta onde termina a parte de cima das naceles de ambos os kits, estando a da Revell mais próxima ao das plantas publicadas na Modeller Datafile 1.

 

 

Ailerons – Conforme já foi comentado os ailerons do kit da Revell são representados em separado enquanto os da Tamiya são injetados junto com a asa. Embora ambos tenham basicamente o mesmo formato, o da Revell vem com várias linhas de rebites representadas o que talvez compense um pouco a ausência de detalhes na superfície praticamente lisa da asa. Embora a ausência desses detalhes no da Tamiya não seja incoerente para a escala ficando aqui também a escolha entre os dois por conta de preferências pessoais.

 

Naceles – Externamente não chega haver diferenças significativas entre as naceles dos dois kits no que se refere a formato ou detalhamento. A única diferença, já comentada, é que a Revell optou por fazer a nacele como um todo enquanto a Tamiya incorporou a parte de cima a asa. Embora a opção da Revell possa causar uma certa inquetude no que se refere ao encaixe na asa, os que já montaram o kit reportaram não terem encontrado grandes dificuldades em relação a isso.

 

Quanto a parte interna das naceles, em ambos os kits podemos observar marcas de injeção em locais indesejáveis. Uma grande vantagem que eu observei no kit da Revell é que enquanto as paredes frontais e traseiras dos porões de rodas são representadas por peças a parte convenientemente detalhadas, no da Tamiya essas paredes vem representadas por placas lisas injetadas junto com as laterais das naceles que provavelmente irão causar problemas na hora de dar acabamento na emenda central. Um outro detalhe interessante são as linhas em baixo relevo no interior da parte da frente das naceles da Revell onde aqueles que desejam representar o kit com o motor a mostra deverão cortar para destacar as tampas laterais.

 

Um bônus extra do kit da Revell são os motores junto com os respectivos berços para serem representados a mostra. Embora não sejam exatamente o estado da arte, me parecem ser uma base razoável para um trabalho de detalhamento. De qualquer forma, só a possibilidade de se abrir o compartimento já é um convite para que mais cedo ou mais tarde apareçam sets de detalhamento no mercado que permitam uma representação mais apurada desses motores. Em virtude da possibilidade de abertura dos motores, os escapamentos da Revell foram feitos um pouco mais longos que os da Tamiya.

 

MOS-026.jpg image by APRJ

 

Asa Inferior – A exemplo da asa superior, não há diferenças significativas entre esta e a da Tamiya, estando ambas excelentemente bem representadas.

 

Hélices – Em ambos os kits são fornecidos dois conjuntos de hélices, sendo uma mais fina que a outra. As hélices de ambos os kits são idênticas em formato e dimensões estando ambas de acordo cm as referencias encontradas. Porém na instrução da Revell há um erro de impressão que não deixa claro quais conjuntos deverão ser usados nos aviões dos esquadrões 105 e 109, um detalhe a ser pesquisado nas referencias fotográficas.

 

Spinner – Aqui uma mancada da Revell, o spinner dela está muito arredondado na ponta quando comparado com as fotos. O da Tamiya também não me parece 100% correto, porém mesmo assim mais próximo do Real do que o da Revell.

 

 

Rodas – A roda da Revell apesar de muito bem feita está cerca de 1,0mm mais alta no diâmetro do que deveria. Embora o número pareça inexpressivo, é o suficiente para causar alguma estranheza quando se compara a mesma com o resto do kit montado. A da Tamiya tem o diâmetro correto e compõe bem com o restante do kit.

 

Trens de pouso – A parte a Revell ter omitido as proteções que se prendem as laterais as pernas, comparando com as fotos, no geral o conjunto da Revell me parece um pouco mais correto que o da Tamiya, principalmente no arranjo das barras diagonais que se prendem a parte de trás do porão de rodas. Porém ele me passa uma certa sensação de ser mais frágil e mais complicado de montar que o da Tamiya.

 

Por um outro lado os tanques que vão entre as pernas do trem de pouso da Tamiya estão muito mais próximos a realidade que os da Revell.

Superfícies móveis do estabilizador – Tal como nos ailerons, em ambos os kits o formato é correto, sendo que a da Revell é mais detalhada e vem separada do resto do profundor.

 

Lança foguetes subalares – Embora esse conjunto não se aplique a essa versão do Mosquito, mas como eles vêem fornecido nos dois kits, resolvi comentá-los. Por um lado as ogivas dos foguetes da Tamiya me parecem mais corretas que as da Revell, mas por outro os trilhos da Revell aparentam ter o comprimento mais correto e são bem mais detalhados.

 

Peças do interior – Com excessão do encosto do assento do piloto que tem o formato mais correto no kit da Tamiya, as demais peças praticamente se equivalem. Se um deu mais ênfase a algum detalhe o outro deu a outro não havendo como se dizer ao certo qual dos dois estaria mais correto.

 

MOS-038.jpg image by APRJ
MOS-039.jpg image by APRJ
MOS-040.jpg image by APRJ
MOS-041.jpg image by APRJ
MOS-042.jpg image by APRJ

 

Canopi – Infelizmente as fotos que eu encontrei dos Mk.B IV não mostram o canopi como um todo, com a clareza suficiente para esclarecer as dúvidas, e os desenhos que eu encontrei deixam margem a dúvidas. Mas a primeira vista me parece que a Revell omitiu dois frames importantes, o que divide a parte de trás do canopi e o que divide ao meio a tampa superior. Há ainda um frame diagonal que servia de suporte a placa onde ficava a saída da pistola de flare signal no alto do canopi que foi omitido também no kit da Revell. Porém nesse caso eu tenho uma certa dúvida se esse frame existia nos Mk.B IV, pois em alguns desenhos e plantas que eu encontrei ele aparece e em outros não e eu só consegui confirmar a existência desse frame nas fotos de Mosquitos das versões mais recentes como nos B Mk.35. De qualquer forma as omissões do kit da Revell podem ser corrigidas representando-se esses frames durante a pintura, de resto o canopi da Revell é tão correto quanto o da Tamiya.

 

Vidro do nariz – Comparando-se os dois vidros de perfil, percebe-se que o da Tamiya está um pouco mais pontudo que o da Revell, na minha opinião pessoal o da Revell se aproxima um pouco mais da realidade. Porém ao se observar ambos os kits montados esse detalhe passa desapercebido, não chegando a causar nenhuma estranheza.

 

 

 

CONCLUSÕES

Na comparação entre os dois, se por um lado o kit da Revell apresenta uma quantidade de imperfeições ligeiramente maior que o da Tamiya, por outro ele se beneficia de um detalhamento maior nas partes móveis e do fato delas serem moldadas em separado das respectivas superfícies fixas. Tendo ainda como vantagem a previsão de detalhamento mais fácil do compartimento do motor. De um modo geral as imperfeições de ambos os kits são de fácil solução, lembrando ainda que atualmente existem disponíveis no mercado diversos aftermarkets em photo-etch e resina, genéricos ou específicos para cada um dos dois kits, que podem melhorar bastante ambos os kits. Uma vez que se conheça ambos os kits, a decisão de escolha entre um e outro fica muito mais a critério de preferências individuais do que de uma diferença de qualidade significativa entre os dois, portanto eu considero ambos altamente recomendáveis.

 
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