North American T-28B Trojan - Roden 1/48 (441)
Escrito por Amilcar "Mobi" Mesquita Junior   
Qui, 12 de Julho de 2012 23:13

Roden Item 441

Histórico:

Em 1948, o T-28A foi escolhido para substituir o treinador T-6. Ele voou pela primeira vez em 24 de setembro de 1949 e entrou em produção em 1950. A Força Aérea Americana encomendou 266 unidades desta versão. Era equipado com um motor R-1300-A Cyclone Wright, de 800 hp, enquanto que as versões posteriores da Marinha (T-28B e C) foram produzidas com um R-1820-9HD Wright Cyclone, de 1.425 hp.

O T-28B era uma aeronave para operação em terra. Para utilização em porta-aviões foi desenvolvida a versão T-28C. Quando a produção terminou em 1957, um total de 1.948 unidades tinham sido construídas, 489 unidades da versão “B", 299 unidades da "C" e mais de 321 unidades da versão "D”.


Em 1962, a Força Aérea iniciou um programa para modificar mais de 200 unidades da versão T-28A em T-28D "Nomad", caças-bombardeiros táticos para contra insurgência, utilizado na guerra Vietnã. Equipado com motores de 1.425 hp. e muitas outras modificações, o T-28D provou ser uma arma eficaz de apoio aéreo próximo contra forças terrestres inimigas. A Força Aérea Sul-Vietnamita (VNAF) utilizou diversos T-28Bs em trabalhos semelhantes, até a versão T-28D estar disponível.

Outros países utilizaram o T-28, entre eles, a França, que alterou a versão T-28A, passando a ser designada T-28S "Fennec", utilizada na Argélia e no Haiti, assim como a Argentina, Cuba, Nicarágua, Brasil (T-28R-1), Formosa (Taiwan), Japão, Coréia, México, Honduras e Marrocos.

 

T-28 no Brasil:

O T-28 foi fabricado em três versões básicas (T-28A, T-28B e T-28C) que acabaram originando diversas reconstruções e modificações posteriores. Dentre elas, a Hamilton Aircraft Company passou a oferecer uma conversão designada T-28R Nomair no final da década de 1950. O T-28R era basicamente uma célula de T-28A com um novo motor e hélice tripá. O Wright original de 800 hp foi substituído pelo potente Cyclone 1820-56A de 1.350 hp. A versão civil recebeu a designação T-28R-2 (com canopi fixo e capacidade para até cinco pessoas) e a militar T-28R-1.

A Marinha do Brasil adquiriu seis aeronaves da versão T-28R-1, mas solicitou ao fabricante que as modificasse para uso embarcado. A Hamilton então "navalizou" o avião e instalou um gancho na parte inferior da cauda, mas sem modificar o leme (conforme feito nos T-28B) e numa posição mais à frente que os exemplares da US Navy.

Algumas fontes informam que a MB chegou a adquirir 12 células desmontadas de T-28A da França (provavelmente em 1964). Seriam aeronaves enviadas à Sud Aviation para posterior conversão em T-28S Fennec, o que não chegou a ocorrer. Algumas células estavam em más condições e possivelmente foram utilizadas como fonte de peças para as demais. Duas chegaram a ser montadas e eventualmente foram enviadas à Hamilton para posterior conversão.

A aquisição dos aviões foi cercada de muito sigilo, pois nesta época o Ministério da Marinha e da Aeronáutica disputavam o direito de utilizar aeronaves a partir do NAeLMinas Gerais. No entendimento da FAB somente ela poderia operar aeronaves militares no país após sua criação em 1941. Para a Marinha, a aviação orgânica era uma necessidade.

As seis aeronaves foram organizadas num único esquadrão denominado 1º Esquadrão Misto de Aviões Anti-submarino e posteriormente renomeado 1º Esquadrão Misto de Aviões Anti-submarino e de Ataque.

Algumas fontes divergem em relação à chegada dos T-28 ao Brasil. Seria entre 1962 e 1963, mas o mais provável é que o pedido tenha ocorrido em 1962 e os mesmos entregues no ano seguinte. Os aviões foram trazidos pelo NTrT Soares Dutra totalmente desmontados e dentro de caixas de madeira. Após atracar no cais do AMRJ, as caixas foram descarregadas do Soares Dutra e transferidas durante a noite para o NAeL MinasGerais através de embarcações de desembarque. No hangar do NAeL as caixas foram abertas e, sob a supervisão de um técnico dos EUA, os aviões foram montados, prontificados e testados para vôo. No dia 17 de outubro de 1963, os aviões decolaram do NAeL em direção a BAeNSPA.


O primeiro pouso a bordo ocorreria no dia 11 de dezembro de 1963. O T-28 N-703, pilotado pelo comandante do 1º Esquadrão Misto de Aviões Anti-submarino e de Ataque (Capitão-de-Corveta Roberto Arieira), tocou o convés de vôo do Minas Gerais às 17:50h.

Logo no ano seguinte ocorreria a Revolução de 31 de março. O comandante da Base Aeronaval de São Pedro da Aldeia aderiu à rebelião e ordenou o patrulhamento aéreo da região próxima à base. Os T-28 fizeram vôos armados e o único evento conhecido foi um rasante sobre a cidade de Macaé, arrancando um poste que continha uma bandeira comunista.

Em dezembro de 1964 ocorreu o incidente de Tramandaí, quando um helicóptero da MB foi metralhado por pessoal da FAB e uma decisão final para o destino da Aviação Naval tornou-se urgente. No início do ano de 1965, o Minas Gerais entrou na Baía de Guanabara com os T-28 estacionados no convôo. A conseqüente reação do Ministro da Aeronáutica em relação ao fato acabou precipitando a decisão presidencial e, no dia 26 de janeiro, o Decreto de extinção da Aviação de Asas Fixas da Marinha foi assinado.

Uma semana após a publicação do Decreto, o presidente Castelo Branco e sua comitiva chegaram ao NAeLMinas Gerais para assistir a última demonstração de toques e arremetidas e de pouso enganchado das aeronaves. Após o evento, os T-28 decolaram para o seu último vôo nas mãos da Marinha. Antes de rumarem para São Pedro da Aldeia, passaram em formatura sobre o convôo do navio.

Com o decreto presidencial de 1965, as cinco aeronaves remanescentes foram transferidas para a FAB em janeiro de 1965, sendo incorporadas à 2ª Esquadrilha de Ligação e Observação. Na 2ª ELO, os T-28 executavam atividades diversas que também incluíam o apoio à Marinha. Foram utilizados até o ano de 1972.

O Museu Aeroespacial no Campo dos Afonsos possuía um exemplar preservado com a matrícula da FAB 0862. Posteriormente, a pintura da FAB foi substituída pela pintura original da Marinha, incluindo o indicativo N-703.

 

O kit:

 Este novo kit da Roden é o primeiro de uma série de modelos do T-28B Trojan, que deveram ser lançados pela empresa ucraniana. O kit não se equipara aos kits dos melhores fabricantes mundiais, mas é bem superior ao único kit deste avião disponível no mercado, o T-28B da Monogran.

O kit é composto de cinco árvores cinzas e uma transparente. Oferece um belo e detalhado motor R-1820, cockpit completo, o canopy pode ser montado aberto ou fechado, com os ailerons, flaps, leme, profundores e freios aerodinâmicos posicionáveis. Assim como porões de rodas, trens de pouso e rodas detalhadas.


 

O kit apresenta superfície levemente texturizada, característica dos kits da Roden. As linhas de rebaixamento são um tanto pronunciadas, o que pode comprometer a qualidade das versões com cores claras. Encontramos algumas marcas de pinos extratores em locais visíveis após a montagem, como no porão dos trens de pouso principais. Em geral, o kit apresenta pouca rebarba para ser trabalhada.

A árvore transparente é de ótima qualidade, não apresenta rebarbas, nem irregularidades na moldagem.



Os decalques apresentam excelente qualidade de impressão, são finos, sem distorções e com o mínimo de filme. Possui marcações para os instrumentos dos painéis de controle, stencils e marcação para três belíssimas versões:


- T-28B Trojan, 140006, Naval Aerospace Recovery Facility, NAS El Centro, California, 1970;

- T-28B Trojan, 137692/KB4, U.S. Marine Corps, Kaneohe Bay, Hawaii, March 1977;

- T-28B Trojan, 148288, Pacific Fleet All-Weather Training Unit, mid-1970.

 

O manual de instruções impresso em preto & branco, em oito páginas em papel sulfite de tamanho A4. Na primeira encontramos uma breve história do avião, na segunda uma lista das cores com referências para a linha de tintas da Humbrol, Testors, Lifecolors e Gunze Sangyo / Mr.Color e os diagramas das árvores. Os diagramas da montagem são bem desenhados e de fácil compreensão. A última página contém os esquemas de pintura e o posicionamento dos decalques para as três versões disponíveis.

 

 

Conclusão:

O T-28B Trojan da Roden passa a ser a melhor opção na escala 1/48 para esse avião. Apesar das poucas opções de decalques existentes para a montagem das diversas versões existentes do T-28, o mercado já se prepara para oferecer motores e cockpit em resina, máscara de canopy, trens de pouso em metal branco.

Não se trata de um kit para iniciantes, mas certamente dará muito prazer aos modelistas que encarem o desafio de montar esse belo treinador da North American.

 

Obrigado a Roden pelo exemplar para review!



 
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