Messerschmitt Bf-109 F2 - Zvezda 1/48
Escrito por Fernando Estanislau   
Qui, 29 de Julho de 2010 00:00


Zvezda item 4802

Ficha técnica

Messerschmitt Bf-109 F2

Fabricante: Zvezda (Rússia)

Escala: 1/48

Código: 4802

Galhas: A (2), B, C, D

Decais: (4 versões, stencils, painel de instrumentos)

Manual de Instruções: em branco e preto, folha única dobrada em 8 páginas, texto em Russo com legendas em Inglês.

Peso bruto: 246g
Dimensões da caixa: 5 x 20,5 x 30,5cm

Preço: US$18,70 na Hobbyterra

O que você leva

195 peças em plástico, dividas em 4 galhas em cinza médio e uma transparente. A injeção é limpa e precisa, algumas peças exibem um acabamento ligeiramente fosco, outras são polidas. No meu exemplo poucas rebarbas aparecem. O defeito apresentado na ponta de uma das pás da hélice logo no início, demonstrado por alguns sites de plastimodelismo, foi corrigido com o acréscimo de uma segunda galha de injeção.

As galhas contém um motor Daimler Benz detalhado e seus acessórios, o cockpit inclui diversos equipamentos em pequenas peças, e a figura do piloto (sentado e já com os cintos de segurança) tem braços e cabeça separados. Há a opção de se usar os decais em um painel liso, ou pintar tudo em uma peça equivalente com os instrumentos em relevo.

Dois diferentes modelos de canopy estão presentes na galha correspondente. Eles são os mesmos dos modelos E-1 (arredondado) e E-3/4/7 (angular). Nessa mesma galha estão mais duas peças correspondentes à seção anterior: uma delas para ser montada junto com a blindagem frontal, outra contendo uma pequena entrada de ar articulada na parte de cima. As coberturas das lâmpadas de posição e o refletor do colimador também estão incluídos.

A fuselagem vem separada em várias partes. A maior delas corresponde à seção central, e a seção anterior e cauda são montadas separadamente. O manual recomenda encaixar o motor juntamente com seus suportes, parede de fogo, metralhadoras, caixas de munição e culatra do canhão, tudo montado junto, e depois “revestir” esse conjunto com o acabamento frontal (mais o tanque de óleo), capôs laterais e inferior (mais o radiador) - como se faria no avião real. Dois pares de capôs laterais são fornecidos, um deles detalhado internamente para ser montado aberto. O spinner tem sua parede posterior detalhada como era no avião real, mas é preciso furar a saída do canhão.

As asas são fornecidas com dois pares de pontas diferentes, com luzes de navegação expostas ou protegidas. Todas as partes móveis (ailerons, flaps e slats) são separadas - e isso inclui também os profundores, leme e até as partes móveis dos radiadores sub alares e do queixo do avião. A seção inferior contém três grandes painéis de acesso já abertos, incluindo a estrutura interna da asa. As caixas de roda possuem chapas vazadas e uma representação da lona costurada que fazia o acabamento lateral.

O trem de pouso é composto pelas rodas divididas em duas partes, e as articulações dos amortecedores são separadas das pernas principais, que foram desenhadas para se encaixarem na raiz da asa ficando muito parecidas como eram no avião real. A bequilha tem a roda separada da sua estrutura (o kit traz duas opções dessa estrutura, uma de seção mais arredondada e outra mais aquadradada).

O que você não leva

O kit não prevê a versão F-4, então nada de caixas de roda redondas (na parte onde entram os pneus), nada de opções de hélice ou entradas de ar maiores, filtros de ar para as versões do deserto ou tanques ejetáveis. Bombas ou canhões também não são fornecidos, nem a cauda sem as tiras de reforço. Portanto, somente um F-2 pode ser feito exclusivamente com as peças do kit.

Apesar de um suporte estar previsto nas instruções, que inclusive fazem menção o tempo todo à possibilidade de se montar o kit “voando” (versão1 - pousado, versão 2 - em vôo), ele deve ser adquirido separado.

Não há peças em metal fotogravado ou resina, nem máscaras de pintura pré-cortadas.

O que há de melhor

O projeto desse kit contou com uma pesquisa incomum e consistente, de modo a apresentar detalhes pouco ou desconhecidos do Bf109F, mesmo para quem tem tentado acompanhar e aprender a respeito dele ao longo dos anos.

Centenas de desenhos de fabricação foram usados, incluindo planos de coordenadas e medidas feitas na época, então há algumas surpresas como a superfície superior da asa sem linhas de chapeamento, por exemplo, ou a ligeira protuberância ovalada nas laterais do capô do motor. As medidas completas da hélice, em outro exemplo,  foram conseguidas em um livro russo raríssimo, informação publicada em 1944. Detalhes como esses são quase impossíveis de se comprovar em fotografias de época, apenas documentos de fábrica poderiam ratificá-los. Ao que parece poucos kits tiveram seu projeto tão comprometido com a precisão como esse, e acesso à informação tão privilegiada. (Evidentemente estou aqui considerando (e confiando) que os projetistas fizeram a parte deles, não tenho como contestar esse tipo de informação se não disponho de material equivalente).

O motor, da forma como é apresentado, já vale a aquisição do modelo para quem quiser deixá-lo à mostra. 25 peças formam o conjunto principal, e se contarmos suportes, escapamentos, metralhadoras, parede de fogo, caixas de munição, radiador inferior e culatra do canhão, são 54 peças apenas nessa parte do kit. Isso é quase dois terços do que tem o kit da Hasegawa inteiro (85)!

No cockpit, nada de relevos nas paredes simulando os equipamentos, todos os elementos principais estão presentes em peças separadas.

Temos pedais, dois painéis de instrumentos para escolher (cuja diferença é apenas o modelo do contador de munição), rodas de ajuste fino dos profundores e de descida de emergência do trem de pouso, acelerador, bomba manual de injeção de combustível, central elétrica, central de oxigênio e medidores, porta papéis, tubulação de combustível auxiliar, entre outros itens.

Só pra dar mais um exemplo, a calota da roda da bequilha tem os três parafusos e a válvula de ar (quase não dá pra ver, e a qualidade da injeção não permitiu melhor do que foi feito, mas o detalhe está lá).

Os projetistas se deram ao luxo de incluírem sobrechapas em algumas regiões, como em baixo das asas, e parafusos também.

A representação das superfícies enteladas também é bem feita e suave, muito melhor que o tradicional “efeito a vácuo” que outros fabricantes adoram fazer.

O que há de pior

Infelizmente, boa vontade não quer dizer perfeição, e esse kit traz algumas falhas, a principal delas na engenharia dos canopies. Ao que parece para não gerar uma contraforma que prenderia a peça injetada na matriz, a equipe de usinagem optou por não fazer a quina interna da parte de cima das janelas laterais, onde elas encontrariam a estrutura de metal. O resultado é um excesso de plástico do lado de fora, em forma de prisma, que gera uma indesejável faixa cristalina, visível no reflexo. O fabricante deve corrigir na próxima edição do kit, imagino que seja um F-4.

As metralhadoras MG17 deveriam ter as jaquetas dos canos furadas, mas foram feitas completamente lisas. Os tubos truncados que promovem o acabamento interno das frestas das metralhadoras ao passarem pelo capô também estão ausentes.


O ponto de contato do fio de antena, uma peça de material isolante presa no dorso da fuselagem, foi esquecido.

A chapa da perna do trem de pouso, na parte de dentro, deveria ter um relevo rebaixado, esquecido pelos projetistas, cuja amnésia também atingiu a superfície inferior dos ailerons, tornando-os completamente lisos por baixo.

O spinner traz uma linha de chapa em volta da abertura para o canhão central. Apesar dessa linha aparecer por exemplo no B109G-2 “Preto 6” restaurado (Verlinend Lock On 28, pág 18), não encontrei nenhuma fotografia de época com ela.

O Sergei Kosachev, da fabricante de acessórios de resina Vector, afirma que o perfil da entrada de ar para o supercharger do motor está errado. O original não apresenta a quina interna encontrada na peça de plástico. A Vector inclusive já colocou disponível um set de correção que inclui outras peças, e uma modificação para o Bf109F especial do ás Adolf Galland, armado com metralhadoras de 13mm (que seriam padronizadas nos G-5 em diante).

Há um suporte lateral extra para o motor (peça 55) que não tem o pequeno container triangular no meio da estrutura, parte do sistema de pressão de óleo. O manual equivocadamente indica seu uso para a versão de pintura 2 (uma interpretação errônea da fotografia do avião). O correto é usar a peça 4, comum a todos os outros.

Na lateral direita da fuselagem, dois problemas de uma vez: uma estranha distorção no acabamento da raiz da asa, que ao invés de reto ficou meio curvado para baixo, e o formato esquisito do painel de acesso na parte de baixo. Além disso, não consegui ver em fotos do avião real o uso de sobrechapas na região logo atrás/abaixo do canopy, nem na divisão do centro da fuselagem para as estações seguintes.

A folha de decais também deixa um pouco a desejar. Apesar das marcações estarem corretas para cada avião apresentado, evidenciando uma pesquisa relativamente bem feita, no meu exemplo alguns registros ficaram um pouco deslocados, e a impressão do preto ligeiramente serrilhada. Não é tão mal impresso como se faz no Brasil, mas não tão bem feito quanto se imprime na Itália (Cartograf) ou nos EUA (Microscale). O ponto alto é a inclusão da espiral de 6 voltas para o spinner do avião do Hans Von Hahn, difícil de pintar, e o ponto baixo a representação horrorosa dos emblemas do falcão do JG51 e do “dragão” verde (Tatzlwurm) no JG3, que mesmo aparecendo em bom detalhe em uma das fotografias existentes da aeronave, não foi reproduzido com atenção.

A folha de instruções é muito bem feita e bem ilustrada, mas as informações sobre cada versão foram reduzidas ao mínimo, e faltam alguns detalhes importantes. Uma busca rápida no site messerschmitt-bf109.de mostra várias fotos dos aviões representados. Observando as fotos, pode-se descobrir detalhes que não estão presentes nas ilustrações. Por exemplo, as canaletas das metralhadoras do avião da versão 1 aparecem em um tom bem escuro, diferente do resto do capô. Nem a ilustração da tampa da caixa respeita a evidência fotográfica.

As instruções também são vagas no momento de indicarem as cores das peças e camuflagens. Surpreendentemente preferiu-se usar termos como “medium grey”, “dark green” ou “USSR pale blue” ao invés das denominações oficiais das cores usadas pela Luftwaffe.

O que dá pra melhorar

Para o modelista mais dedicado, esse kit já é cheio de detalhes e poupa um monte de trabalho, mas alguns pontos podem ficar melhores. Furar o cano do canhão no spinner é essencial. Que tal adicionar os cabos de freio no trem de pouso, cintos de segurança se não for usar o piloto (quem hoje em dia usa?), e se for deixar o capô aberto, quem sabe ainda metralhadoras com jaquetas furadas e aquela quantidade de cabos em volta do motor? Os detalhes menores no cockpit que não puderam ser injetados, e talvez decais melhores podem completar um belo conjunto. Tomara que lancem logo a correção para o canopy (...apesar de que alguns modelistas não acham essa área importante ou nem mesmo conseguem ver esse tipo de detalhe).

O Rei está morto – longa vida ao Rei?

Não é preciso considerar a troca do seu kit Hasegawa pelo Zevzda se você não for realmente preocupado com detalhes. O que não falta são versões bonitas ou representativas da versão F, para o apaixonado pela aeronave sempre há espaço para mais um, e o kit da Hasegawa não faz feio em nenhuma coleção. Mas, para ajudar o modelista a escolher qual será o próximo Bf109 a comprar, escolhi algumas partes do Hasegawa para comparação. O Hasegawa ganha ou se equipara em poucos pontos (painel de instrumentos, qualidade da usinagem e acabamento), mas perde na maioria. As imagens falam por si:

Conclusão

A maioria das grandes empresas de kits plásticos, ano após ano, se empenham em acrescentar em seus catálogos os principais representantes da aviação ao longo da história recente. Cada vez que isso acontece, os plastimodelistas mais engajados se dividem entre os que preferiam poder contar com aviões cujo desempenho ou fabricação foi menos expressiva, e os que, apaixonados pelos grandes ícones da aviação, se mostram propensos a experimentar e comparar uns com os outros, de modo a proverem suas coleções de réplicas mais detalhadas ou corretas, seguindo a evolução natural das tecnologias de fabricação aliadas ao crescente comprometimento com a pesquisa histórica.

Na minha opinião, a atualização desses dois aspectos, tecnológico e histórico, por si só já justifica o recente lançamento da Zvezda. Ano após ano, mais informação está disponível aos construtores e plastimodelistas, e a exigência pela qualidade e fidelidade encontra eco nos bate-papos entre os plastimodelistas. Nunca tivemos tanto por tão pouco, e nunca fomos tão ouvidos pelos fabricantes, através da internet. A análise, nesse artigo, do melhor Bf109 feito em qualquer escala, nos faz justamente constatar que, passados mais de 60 anos, ainda há o que se descobrir sobre o mais produzido caça de todos os tempos, e ainda há espaço para melhorias nos kits que o representam.

Aqueles que estiverem abertos a escutar (se me permitem a figura poética) o “diálogo” entre os modelos da Hasegawa e Zvezda, certamente perceberão na diferença de tratamento dada aos dois kits, cada um em sua época, o caminho  que o plastimodelismo traçou ao longo dos últimos 20 anos, e o fará no futuro.

Tivesse a Zvezda um controle de qualidade melhor, sem nenhuma dúvida esse seria o kit do ano. Porém, a empresa ainda tem um bom caminho à frente até se equiparar às gigantes do oriente, em especial Tamiya e Dragon. Porém se considerarmos essa apenas sua segunda tentativa na área de aviação e adicionarmos um pouco de otimismo à receita, acho que teremos no futuro um grande fabricante de kits de aviação. Quem viver verá.

Obrigado HOBBYTERRA pelo envio do exemplar para review.

http://www.aprj.com.br/images/photoartigos/_urubu/tn_zv4802_08.jpg
 
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