Bombas Alemãs I Guerra e Polonesas II Guerra 1/48 - Mirage Hobby #248001
Escrito por Eduardo Mendes   
Seg, 12 de Novembro de 2018 00:30

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Lekkie Bomby Niemieckie I Polski 1918-1939 / 1914-1918 1/48 – Mirage Hobby #248001

Introdução

As Bombas Alemãs da I Guerra Mundial

Nos anos iniciais da I Guerra Mundial os alemães empregavam duas famílias de bombas aéreas, a primeira desenvolvida pela APK e posteriormente um modelo da Carbonit AG. Em 1915 o PuW (Prufanstalt und Werft der Fliergertruppe), responsável pelo desenvolvimento da aviação militar alemã, encomendou à firma Goertz um novo tipo de bomba. O resultado foi possivelmente a primeira bomba aérea realmente moderna.

As bombas PuW foram fabricadas em diversos tamanhos, entre 12,5 kg (de fragmentação, especiais para alvos vivos como tropas e animais), 50, 100, 300 e 1000 kg. As mais leves também tinham versões incendiárias. As bombas de 50 kg equivaliam a um projetil de 150 mm de artilharia e eram capazes de danificar bastante uma edificação; as de 100 tinham um impacto comparável ao de uma peça de 210 mm e podiam destruir um prédio com um impacto direto. Já as de 300 e 1000 kg podiam arrasar áreas de até um quarteirão, mesmo em impactos indiretos.

Alguns aspectos fundamentais dessas bombas eram o seu método de construção (em aço, ao contrário das bombas convencionais da época que eram feitas de ferro fundido), seu formato aerodinâmico que lhes conferia maior velocidade e aletas levemente curvadas, que induziam uma rotação na bomba em queda, aumentando consideravelmente a estabilidade da sua trajetória e consequentemente maior acurácia. As bombas eram ativadas automaticamente por meio de um mecanismo inercial acionado pela rotação da bomba em queda. A altitude de detonação podia ser regulada (ainda que de forma grosseira), o que possibilitava a sua detonação acima do solo – característica bastante útil em bombas de fragmentação, por exemplo. Com isso, normalmente as bombas PuW tinham uma altitude mínima de lançamento, em geral de 200 metros ou mais. Os alemães empregaram as PuW com grande sucesso a partir de 1916 até o final da guerra.

Outros artefatos leves eram bastante empregados pelos Schlaststaffeln alemães. Entre eles, a Stielhandgranate M17 e a Wurfgranate 15.

A primeira, também conhecida pelo apelido Kartoffelstampfer (amassador de batatas) era basicamente a icônica granada de mão usada pela infantaria alemã na I e II Guerras Mundiais. Tratava-se uma granada de impacto, ou seja, os danos eram causados mais pela onda de choque da explosão do que pelo shrapnel espalhado. Seu mecanismo de acionamento era por meio de um pavio que era aceso por ficção ao se puxar uma cordinha no interior do cabo oco da granada. A granada levava aproximadamente 4,5 segundos para explodir depois de acionada, o que dava tempo para ser arremessada a uns 30 metros de distância por um soldado treinado ou cair 100 metros lançada de uma aeronave. Diversas modificações foram introduzidas na Stielhandgranate; uma relevante no seu uso aeronáutico foi a modificação do anel de metal que servia como trava e acionava a espoleta; a peça passou a ter uma forma de estrela para ser acionada com mais facilidade pelos observadores dos aviões – que em geral usavam luvas grossas contra o frio e tinham dificuldade para girar a peça e armar a bomba.

A Wurfgranate 15 era basicamente a granada de fragmentação usada em um morteiro desenvolvido para a guerra nas trincheiras. Seu acionamento era por impacto e podia causar um grande estrago contra tropas, animais e cercas de arame farpado.

Bombas empregadas pelos poloneses na II Guerra

Mais uma vez a Polônia declarou-se independente no final de 1918, aproveitando-se da situação caótica dos Impérios Alemão e Austro-Húngaro. Entre 1918 e 1920 diversos conflitos sucederam-se e resultaram em uma nação para os poloneses que duraria até o início da II Guerra Mundial em 1939.

A Aviação Militar polonesa (Lotnictwo Wojskowe, ou LW) consolidou-se nesse período de lutas pela independência. Parte importante dela foi formada por grupos de pilotos e mecânicos que se capacitaram para o combate aéreo lutando ao lado dos franceses e russos contra os Impérios Centrais na Grande Guerra. Ao longo de diversas batalhas, uma das mais importante pela base aérea alemã de Ławica, nos arredores de Poznan, uma grande quantidade de aeronaves e equipamentos correlatos (entre os quais bombas) foi capturada pelos poloneses, que passaram a fazer uso imediato desse material.

A grande quantidade de bombas capturadas, em boa parte bombas PuW, fez com que esse tipo de bomba se constituísse no padrão de facto adotado pela LW nos seus primeiros anos. Somente no início da década de 1930 foram feitos esforços para substituir as PuW em estoque, e mesmo assim em função da natural deterioração delas após mais de 10 anos armazenadas.

 11-Carbonit  13-ShGr17 WGr15 loading  14-PUW bombs  12-German light bombs redux

 

O Kit

A caixa traz três árvores idênticas com 30 peças em poliestireno cinza cada, suficientes para o modelista construir:

- Duas bombas PuW de 50 kg;

- 24 bombas PuW de 12,5 kg;

- 12 granadas Stielhandgranaten M17 e

- 12 granadas Würfgranaten 15.

As bombas PuW de 50 kg são compostas de um corpo em duas metades (peças #6) e as aletas (#7). As instruções indicam para pintura as cores da gama Vallejo Model Color MC 70973 (cinza claro) e 70998 (bronze).

As PuW de 12,5 kg são compostas de uma peça inteiriça para o corpo da bomba (#3) e uma peça para as aletas (#4). As instruções recomendam sua pintura em cinza claro (MC 70973) ou amarelo claro (MC 79858), com a ponta em bronze (MC 70998).

As granadas Stielhandgranaten M17 e as Würfgranaten 15 são compostas de uma única peça inteiriça. Do caso das Stielhandgranaten, as instruções recomendam limar ligeiramente as extremidades dos cabos perfazendo oito suaves reentrâncias para dar a forma do acionador da granada. Uma fotografia ilustra a forma desejável. Trata-se de uma peça bastante pequena, consequentemente o detalhe será bastante sutil porém visível. As instruções recomendam pintar as Würfgranaten 15 de verde escuro (MC 71073 da gama Vallejo Model Air) e as extremidades da Stielhandgranaten em um outro tom de verde, MC 70920. Os cabos desta última devem replicar madeira (MC 70834 + 70828).

O folheto de instruções é bastante bem apresentado, em uma singela folha de papel couché tamanho A5 impressa a cores. O verso da folha traz diversas fotos de época das bombas instaladas em aviões operacionais e bons textos explicativos.

As peças são bastante bem moldadas e de fácílima montagem e pintura. Com certeza podem agregar bastante valor a qualquer modelo de avião de reconhecimento / ataque ao solo alemão ou polonês da época, bem como servirem de elementos em dioramas ou vinhetas.

 21-42boxcont  22-sprues  23-StHGr17  24-WuGr15
 25-PuW bodies  26-PuW fins  27-instr1  28-instr2

 

Conclusões

Recomendo com tranquilidade ambos os kits para os modelistas que desejem incluir esses importantes armamentos aos seus modelos.

A qualidade da moldagem das peças é excelente e denota uma cuidadosa pesquisa por parte da Mirage Hobby, sempre disponibilizando bons kits relacionados com a interessantíssima história da Aviação Militar Polonesa.

 

Obrigado à Mirage Hobby pelo envio dos exemplares para review!

Mirage Hobby

 
 
 
 
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