IJN Kagero - Eduard #53161 & #53162 1/350
Escrito por Ricardo P-40   
Seg, 23 de Maio de 2016 00:10

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IJN Kagero – For Tamiya kit

EDUARD #53161 (pt 1) & #53162 (pt 2) – 1/350

O IJN Kagero

Nos anos 20 o Japão surpreendeu o mundo com o inovador design da Classe Fubuki de destroyers, que além de serem maiores que os que eram operados na época,  introduziu o uso de canhões em torretas em destroyers, um armamento mais potente que incluiu tubos múltiplos de lançamento de torpedos que aumentava consideravelmente a sua capacidade de escoltar navios de maior porte e realizar missões de ataque. A partir de então, as novas classes de destroyers, não só japonesas, mas também das principais potencias navais, foram de alguma forma influenciadas pela filosofia que surgiu com a  Classe Fubuki.

Em meados dos anos 30 o Japão se libertou das limitações do Tratado de Londres de 1930, o que lhe permitiu construir destroyers com mais de 2.000 toneladas de deslocamento e  que agora poderiam acomodar canhões de 5 polegadas em torres duplas sobre o deck em lugar das torres simples usadas nas classes precedentes, dando assim origem a nova Classe Asashio. Porém a necessidade de solução de alguns problemas na estabilidade e no conjunto propulsor que apareceram no seu uso operacional, associados ao desejo da Marinha Imperial Japonesa de explorar melhor a vantagem que ela detinha sobre as demais em relação a tecnologia de torpedos, levou a evolução do desenho desta  ao  desenvolvimento da Classe Kagero (陽炎型駆逐艦, Kagerō-gata Kuchikukan) no final dos anos 30. Ao todo 19 navios dessa nova classe (Kagero, Shiranui, Kuroshio, Oyashio, Hayashio, Natsushio, Hatsukaze, Yukikaze, Amatsukaze, Tokitsukaze, Urakaze, Isokaze, Hamakaze, Tanikaze, Nowaki, Arashi, Hagikaze, Maikaze e Akigumo) foram construídos, sendo oficialmente designados pelos japoneses como Destroyers do Tipo-A. Eles tinham o tamanho próximo ao dos cruzadores leves da Marinha Japonesa e foram projetados para acompanhar as principais forças japonesas em suas operações diurnas e noturnas contra a Marinha Americana durante a sua expansão através do Pacífico. Eles eram armados inicialmente com 6 canhões de 5 polegadas em três torres duplas, e 8 tubos lança torpedos de 24 polegadas que operavam com os excelentes torpedos “Longa Lança que deram supremacia aos japoneses  nessa área. A época de sua introdução, estes eram os destroyers mais eficientes em serviço, devido não apenas ao seu alcance, mas também a letalidade dos Torpedos “Longa Lança”. Porém como na maioria dos navios projetados antes da guerra, a falta do radar e a deficiência do armamento antissubmarino  e antiaéreo se fizeram sentir no decurso das operações. Como paliativo, o número de cargas de profundidade transportadas passaram de 18 para 36 e mais quatro lançadores de cargas foram adicionados. O número de canhões antiaéreos de 25mm  passou de 4 no início da guerra para 28 ao final dela, tendo para isso havido a necessidade da remoção de uma das torres duplas de 5 polegadas. Apesar da excelência do seu desenho, o desgaste da guerra foi grande e dos 19 navios construídos apenas um, o Yukikaze, sobreviveu a ela. Seis dos navios foram perdidos em ataques aéreos, cinco por ataques de submarinos, cinco em confrontos com outros navios, um por mina e dois por um combinação de minas e ataques aéreos.

O destroyer Kagero, cujo nome significa Miragem, foi o primeiro navio construído dessa classe. A sua construção foi iniciada em setembro de 1937 no Arsenal Naval Maizuru, foi lançado ao mar em setembro de 1938 e comissionado em novembro de 1939. A sua vida operacional durante a guerra foi bastante atribulada, conforme descrito a seguir:

Quando do ataque a Pearl Harbor o Kagero estava designado a 19ª Divisão de Destroyers e era parte do 2º Esquadrão da Segunda Frota da Marinha Imperial Japonesa. Partindo de Etorofu nas Ilhas Kurilas, ele se juntou a escolta da Força de Ataque do Almirante Nagumo, retornando posteriormente a Kure no final de dezembro. Em janeiro de 1942 o Kagero escoltou os Porta Aviões Shokaku e Zuikaku até Truk e posteriormente até Rabaul para a cobertura dos desembarques japoneses em Rabaul e Kavieng. Retornou de Palau junto com o Shokaku até Yokosuka no início de fevereiro, onde passou o resto do mês em patrulhas de treinamento.

Em 17 de março deixou Yokosuka novamente em companhia do Shokaku e Zuikaku em direção a Staring-baai nas Indias Orientais Holandesas, de lá escoltou a força de porta aviões a partir de 27 de março em diversas ações no Oceano Indico. Após os ataques japoneses a Colombo e Tricomalee no Ceilão, retornou ao porto de Kure no Japão para reparos em finais de abril. Em 3 de junho, partiu de Saipan como parte da escolta dos comboios de transportes de tropas para a Batalha de Midway. Posteriormente escoltou os cruzadores Kumano e Suzuya em seu retorno de Truk para Kure. Em 5 de julho realizou a escolta do transporte Kikukawa Maru em uma missão de suprimento até Kiska nas Ilhas Aleutas e a 8 de agosto ajudou no reboque do destroyer Kasumi de retorno ao Japão.

Em 20 de julho o Kagero foi redesignado para a 15ª Divisão de Destroyers do 2º Esquadrão da frota, em meados de agosto ele escoltou o cruzador leve Jintsu até Truk e a partir de Truk realizou uma “missão de transporte rápido”, também conhecida como “Expresso de Tóquio”, até Guadalcanal.  Pelo resto de 1942 até fevereiro de 1943, foi designado para missões de patrulha partindo de Guadalcanal até Shortland e para várias operações do tipo “Expresso de Tóquio”, nas Ilhas Salomão. Durante esse período ele também combateu na Batalha das Salomões Orientais, Batalha de Santa Cruz, Batalha Naval de Guadalcanal e na Batalha de Tassafaronga.

Em meados de fevereiro de 1943, o Kagero retornou junto com o Porta Aviões Junyo para Kure para passar por novos reparos. Em meados de março o Kagero voltou a Truk em companhia dos Porta Aviões Junyo e Hiyo, continuando a viagem sozinho até Shortlands, onde chegou em 24 de abril. Após fazer uma missão de transporte de Rabaul a Kolombangara em 7 de maio, o Kagero foi danificado por uma mina naval quando deixava o porto de Vila ao sul da ilha de Kolombangara. Estando com pouca capacidade de manobra, foi fatalmente atingido por um ataque de aviões aliados, vindo a afundar a sudeste de Rendova. A bordo do Kagero morreram 18 tripulantes e outros 36 foram feridos.

Infelizmente não consegui localizar fotos do próprio Kagero para ilustrar o artigo, resolvi então usar fotos de outros navios da classe em sua fase inicial quando todos tinham praticamente a mesma configuração.  

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 O Kagero da Tamiya 1/350

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O Kagero da Tamiya é um lançamento recente e representa o navio numa  configuração que vai desde o seu comissionamento até o início da Segunda Guerra Mundial. Ele foi desenvolvido a partir do kit do Yukikaze da própria Tamiya, compartilhando diversas partes com o mesmo e herdando todas as suas excelentes qualidades. A principal diferença entre os dois kits é que o Kagero representa um navio de sua classe em seus primeiros dias com todas as 3 torres duplas de canhões de 5 polegadas e apenas 4 canhões antiaéreos de 25mm. Já o Yukikaze representa a configuração da classe por volta de 1944, com uma das torres removida e o armamento antiaéreo significativamente ampliado. Ambos os kits são excelentes e estão entre os melhores  kits de destroyers japoneses nessa escala hoje no mercado, vindo a representar dois dos navios de uma das classes mais importantes e atuantes de destroyers da Marinha Imperial Japonesa durante a Segunda Guerra Mundial. É um kit que faz juz a qualquer investimento em acessórios que possam de alguma forma realçar e aprimorar as suas qualidades naturais.

 

O Conjunto EDUARD #53161 IJN Kagero (pt 1) 1/350 – For Tamiya kit

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Esse primeiro conjunto de  fotogravados da Eduard para o Kagero consiste  em detalhes a serem aplicados nos decks e em partes da superestrutura.

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Encontramos nesse conjunto as amuradas, as correntes das ancoras, os carreteis dos cabos, parte de cima dos botes e remos, boias, escadas, portas estanque e outros detalhes variados. Tudo é muito bem representado e as partes adicionarão ou substituirão detalhes do kit com grande vantagem.

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O folheto de instruções é impresso em várias cores sobre papel de boa qualidade e segue o padrão geral das instruções da Eduard. Ele traz inicialmente um diagrama geral do conjunto, seguido das instruções de montagem propriamente ditas. Estas são apresentadas em forma de diagramas de fácil compreensão que indicam as dobraduras e as montagens dos subconjuntos, assim como o posicionamento das partes sobre as superfícies do kit. Uma certa atenção deve ser dada a determinadas áreas que deverão ser removidas para a aplicação dos fotogravados, assim como a adição de tubos plásticos para complementar determinados conjuntos.   Tudo é mostrado de forma bastante clara e de acompanhamento bem compreensível.

Clique aqui para dowload do manual deste conjunto em formato PDF diretamente da página da Eduard.

Esse primeiro conjunto fotogravados é uma excelente adição que irá melhorar sensivelmente a aparência do navio, com a inclusão e melhoria de diversos detalhes. Porém cabe lembrar que o mesmo não esgota as possibilidades de detalhamento do kit previstas pela Eduard, pois este foi concebido para atuar simultaneamente com a parte 2, conforme a seguir.

 

O Conjunto EDUARD #53162 IJN Kagero (pt 2) 1/350 – For Tamiya kit 

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No segundo conjunto de  fotogravados da Eduard para o Kagero as partes comtemplam os demais detalhes da superestrutura que não foram abordados pelo primeiro conjunto.

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Estão presentes nesse conjunto: detalhes que complementam o castelo de proa, guindastes, turcos, o restante das portas estanques, detalhamento das chaminés, suportes das plataformas, grade frontal dos holofotes, suporte das antiaéreas de 25mm, detalhamento do mastro principal, estruturas vazadas das laterais da chaminé, detalhamento do lançador de torpedos, detalhamento das torres dos canhões principais e outros detalhes menores da superestrutura. Apesar da folha de fotogravados não ser das maiores, ela trás uma quantidade muito grande de detalhes que cobrem a maioria dos conjuntos da superestrutura. Os detalhes estão todos finamente representados e bastante coerentes com o que pode ser visto nas poucas fotos de perto sobreviventes dos navios da classe Kagero.

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O folheto de instruções segue o mesmo padrão encontrado no folheto da parte 1, não havendo maiores dificuldades na sua interpretação. Apenas chamo a atenção para o cuidado redobrado que deverá ser tomado na remoção da grande quantidade de detalhes originais do kit que é indicada no folheto dessa parte 2, em preparação para a aplicação dos seus respectivos substitutos fotogravados.

Clique aqui para dowload do manual deste conjunto em formato PDF diretamente da página da Eduard.

Esse segundo conjunto complementa de forma magnífica a parte 1, contribuindo ambos em conjunto para realçar de forma excepcional os detalhes de um kit que já é primoroso por sí mesmo.

As fotos abaixo foram retiradas da página da própria Eduard e mostram de forma bastante clara a contribuição que esses dois conjuntos quando aplicados darão ao Kagero da Tamiya.

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Fotos com os detalhes de bordo de navios japoneses geralmente são muito raras, porém felizmente sobreviveu esse pequeno conjunto de fotos do destroyer Shiranui da classe Kagero. As fotos são de quando ele esteve em dique seco no estaleiro Maizuru em 1942, após ter tido a proa arrancada por um torpedo do submarino americano USS Growler nas proximidades da baia de Kiska. Nessas fotos pode-se ver muitos dos detalhes representados pelos  dois conjuntos de fotogravados da Eduard.

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Portanto,  apesar da pouca disponibilidade de referências fotográficas existentes sobre navios japoneses, quando comparadas com as de outros combatentes da Segunda Guerra Mundial, tanto kit da Tamiya quanto esses dois conjuntos da Eduard estão perfeitamente de acordo com o que pode ser visto nas poucas fotos sobreviventes e nos inúmeros desenhos publicados na literatura especializada. De forma que, o kit combinado com esses dois conjuntos serão o suficiente para se realizar uma representação bastante honesta e convincente de um dos navios mais combativos da Marinha Imperial Japonesa  e que esteve presente na maioria dos eventos mais significativos da primeira metade da guerra no Pacífico.  

Apesar do kit em si não ser dos mais complexos, a grande quantidade de peças minúsculas presentes nos fotogravados desses dois conjuntos a serem aplicadas, recomenda que o modelista já possua alguma experiência com o manuseio e colagem de fotogravados pequenos, assim como um ferramental adequado. Pinças finas, tesouras próprias para o corte de fotogravados, dobradores de fotogravados, brocas finas e cola de secagem lenta serão bastante úteis e necessários na montagem dos subconjuntos e no seu correto posicionamento sobre as partes do kit.  

Concluo ainda com uma pequena observação quanto a outras possíveis aplicações para esses dois conjuntos da Eduard dedicados ao Kagero da Tamiya: Pelo o que pude observar, não há ainda nenhum set da Eduard especifico para o Yukikaze da Tamiya. Porém, conforme pode ser constatado nas fotos comparando os dois kits, Kagero e Yukikaze, ao final da página do Kagero da Tamiyaambos são basicamente iguais, com pequenas diferenças em alguns locais, e que a grande maioria das peças são comum aos dois. Isso me leva a acreditar que a maioria das partes desses dois conjuntos de fotogravados possa ser aproveitada na montagem dos dois navios.

Por outro lado pode haver uma tendência a se acreditar que esses conjuntos possam também ser parcial ou totalmente utilizados nos kits do Yukikaze 1940, Yukikaze 1945, Kagero ou Isokaze da Hasegawa.  Eu particularmente não recomendo que se tente isso, pois é sabido que esses kits da Hasegawa, apesar de serem igualmente excelentes, foram desenvolvidos numa escala um pouco maior do que a 1/350 que é anunciada pelo fabricante. Isso fez com que todas as suas partes sejam um pouco maiores que as da Tamiya, tornando muito pouco provável que fotogravados desenhados para o kit da Tamiya se adaptem corretamente a elas. Para esses kits é mais recomendável se usar o set da Eduard #53032 que foi desenhado para o Yukikaze da própria Hasegawa.

Agradecemos a Eduard pelos dois conjuntos fornecidos para a elaboração desse Review.

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