Fw 190A-8 1/72 Profipack - Eduard 70111
Escrito por Eduardo Mendes   
Qua, 30 de Dezembro de 2015 00:10

 

Fw 190A-8 1/72 Profipack -Eduard 70111

 

Introdução

No segundo semestre de 1937 o RLM emitiu uma nova chamada para um caça monoplace, que serviria como complemento para o Bf-109 e que fosse moderno o bastante para eventualmente substituí-lo com o tempo. O projetista-chefe da Focke Wulf, Kurt Tank, propôs um avião totalmente novo, concebido inicialmente em torno do motor radial BMW 139 que não estava alocado prioritariamente para outras aeronaves, ao contrário dos Daimler-Benz da série 600 que eram ferozmente disputados por aviões essenciais como o Bf-109, Bf-110, etc. A proposição do uso desse motor “alternativo” foi um dos principais diferenciais que garantiram a escolha do projeto básico de Tank para desenvolvimento.

O protótipo do novo avião, chamado FW-190, voou pela primeira vez em junho de 1939 - poucas semanas antes do início da II Guerra. Imediatamente uma série de problemas, vários associados à refrigeração, foram encontrados – e boa parte deles resolvidos quando decidiu-se adotar o novíssimo motor BMW 810, um motor radial de 14 cilindros (2x7) e 41,8 litros, capaz de entregar entre 1.500 e 2.000 hp, dependendo da versão.

O FW-190 era conceitualmente bem mais moderno que o Bf-109, refletindo os quase cinco anos de diferença entre eles e as experiências adquiridas não só na Alemanha, mas em todo o mundo na concepção de aviões de combate. Nas palavras de Tank:

O Messerschmitt 109 [sic] e o Spitfire britânico, os dois caças mais rápidos no mundo no momento que começamos a trabalhar no Fw 190, poderiam ser resumidos como “um motor muito grande na frente da estrutura menor possível”; em ambos os casos o armamento tinha sido adicionado quase como um acessório tardio. Estes projetos, ambos reconhecidamente bem-sucedidos, podem ser comparados a cavalos de corrida: com bom trato e uma boa pista, eles poderiam correr mais do que qualquer coisa. Mas na eventualidade de as condições não serem favoráveis, eles eram sujeitos a falhar na sua missão. Durante a Primeira Guerra Mundial, eu servi na cavalaria e na infantaria. Testemunhei  as duras condições sob as quais os equipamentos militares eram obrigados a  trabalhar em tempo de guerra. E tinha certeza de que um tipo completamente diferente de caça também teria espaço em qualquer conflito futuro: aquele que poderia operar a partir de aeródromos de linha de frente mal preparados; aquele que poderia ser voado e mantido por homens que tivessem  recebido apenas um treinamento expedito; e aquele que poderia absorver uma quantidade razoável de danos em batalha e ainda assim retornar. Este foi o pensamento por trás do Focke-Wulf 190; ele não deveria ser um cavalo de corrida, mas um Dienstpferd, um cavalo de cavalaria.

Dentre as características inovadoras do FW-190 destacavam-se:

  •      Motor radial de baixa área frontal com ventilação forçada e capô com perfil NACA, que representavam um ganho de cerca de 150 a 200 hp equivalentes em função do aumento de eficiência
  •      Radiador de óleo anelar à frente do motor, reduzindo o arrasto aerodinâmico
  •      Sistema de gerenciamento (kommandogerät) que ajustava automaticamente rotação do motor, mistura ar-combustível, pressão de admissão e passo da hélice, reduzindo substancialmente a carga de trabalho do    piloto
  •      Carga alar relativamente elevada, proporcionando elevada taxa de rolamento e baixo arrasto
  •      Superfícies de controle de dimensões reduzidas e alta eficiência aerodinâmica, dispensando o uso de compensadores
  •      Sistemas de comando acionado por barras rígidas e rolamentos ao invés dos cabos e polias convencionais
  •      Trem de pouso de bitola larga, com acionamento elétrico
  •      Flaps com acionamento elétrico
  •      Freios hidráulicos
  •      Blindagem abrangente para piloto e partes vitais da aeronave
  •      Painéis permitindo total acesso ao motor e armamento
  •      Armamento poderoso, incluindo metralhadoras pesadas, canhões, bombas, foguetes e até torpedos
  •      Canopi em bolha proporcionando ampla visibilidade
  •      Posição do piloto com pés elevados, aumentando a resistência às forças G
  •      Versatilidade operacional: o projeto básico do FW-190 permitiu o seu uso como caça, caça bombardeiro, interceptador de bombardeiros, avião de reconhecimento, caça noturno e até torpedeiro, com excelência em todos os papéis.

Com os problemas iniciais equacionados, os primeiros FW-190 chegaram ao JG26 em meados de 1941 e causaram um tremendo impacto no front do Canal: os novos aviões revelaram-se nitidamente superiores aos caças aliados então em uso, especialmente ao Spitfire Mk.V. Com o equilíbrio de forças ameaçado, a RAF foi obrigada a antecipar a entrada em produção dos Spitfires com motores Merlin da série 60, adaptando estruturas dos Mk.V em produção aos novos motores, criando o Spitfire Mk.IX. O surgimento dos FW-190 também acelerou os programas do Typhoon e do Tempest e reforçou a decisão de adotar no teatro europeu os novos caças americanos P-39, P-47 e P-51. Graças a um erro de navegação, em junho de 42 os aliados conseguiram um primeiro exemplar intato do FW-190, que foi testado à exaustão. FW-190 capturados serviram para ajudar a especificar a próxima (e última) geração de caças a pistão, representada pelos formidáveis Hawker (Sea)Fury e o Grummann F8F Bearcat.

O projeto básico do FW-190 da série “A” evoluiu ao longo dos anos, com mudanças na motorização, armamento, estrutura (uma nova asa mais resistente foi introduzida na versão A6) e blindagem, chegando à introdução da versão A8 em fevereiro de 1944. Esta, que foi a variante mais produzida, e operou até o final de Guerra com distinção em todos os fronts.

A versão A8 era equipada com o motor BMW 801D-2 de 1.700 hp, que usava gasolina de 100 octanas e previa injeção de MW50 (água-metanol). Esse sistema, específico para uso em baixas altitudes, elevava a potência até 2.000 HP por períodos curtos de tempo. Para armazenar o MW50 um tanque de 118 litros foi adicionado à ré do cockpit. A introdução deste tanque é evidenciada externamente por um painel “cirdular” no ventre do avião e pela presença de pontos de abastecimento desse tanque na lateral da fuselagem a bombordo. A adição deste tanque (que podia também conforme a situação levar gasolina para aumentar o raio de ação) alterou o cg do avião, obrigando que o rack ventral ETC 501, que tornou-se padrão nos A8, fosse deslocado mais 20cm para a frente.

Uma opção ao MW50 para aumentar o desempenho em altitudes elevadas e também disponível para os FW-190 A8 e posteriores era o sistema de injeção de óxido nitroso GM-1 (Göring Mischung 1), conhecido na Luftwaffe como Haha-Gerät ou modernamente como nitro. O óxido nitroso era uma forma segura de transportar oxigênio, melhorando bastante a combustão no ar rarefeito. Normalmente era carregado GM-1 suficiente para 20 minutos, que podiam ser usados em tiros curtos de até 10 minutos cada.

Outro aspecto importante para diferenciar o A8 das versões anteriores foi o deslocamento do pitot para a ponta da asa de boreste.

Os A8 podiam ser equipados com diversos “pacotes” (Rüstsätze), adicionando grande versatilidade. Entre esses a substituição dos canhões MG-151/ 20 pelos MK 108 de 30mm nas baias externas das asas, a adição de foguetes WGR-21, a adição de blindagem pesada para interceptar bombardeiros e um pacote de aviônicos transformando-o em caça noturno/tempo fechado. 

O ponto fraco dos FW-190 com motor radial continuou sendo, até o final da Guerra, a perda acentuada de desempenho acima dos 6.000 metros de altitude. Como o GM-1 era apenas uma solução paliativa, um novo motor era necessário para operar nessa faixa de altitude. Assim, novas opções de motorização foram avaliadas levando aos FW-190 da série D, que usavam o motor Junkers Jumo 213 e entraram em serviço no final de 1944. Uma série ainda mais avançada, o Ta-152, surgiu nas semanas finais da Guerra mas já era tarde demais.

Após a guerra Kurt Tank emigrou para a Argentina onde desenvolveu novos projetos, entre eles o jato Pulqui II nos anos 50. Depois trabalhou projetando aviões na Índia e Egito até retornar para a Alemanha nos anos 70, tornando se consultor da Messerschmitt-Bölkow-Blohm. Faleceu em 1983 em Munique.

 

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Um FW 190 A8 magnificamente preservado no Luftfahrtmuseum Hannover

 

 

O kit

Há quase dez anos, a Eduard lançou o seu FW-190 A8 na escala 1/48, que foi saudado como um dos grandes lançamentos da época e que ajudou a consolidar a marca como uma das grandes do mercado, capaz de produzir kits de excelente qualidade atendendo aos mais exigentes modelistas. Passado este tempo, a Eduard lança um novo kit agora na "one true scale", 1/72.

O kit vem em uma caixa padrão da Eduard, com uma bela ilustração de um A8 em ação. O tamanho da caixa é justo para conter as duas árvores de estireno cinza claro, uma de transparências, uma folha de fotogravados, duas folhas de decais (uma com marcações para seis versões diferentes e uma de estênceis), uma pequena folha de máscaras e o folheto de instruções.

 

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A moldagem das peças é excelente, com detalhes finos e adequados para a escala. Nota-se uma impressionante atenção aos detalhes: todas as principais feições características do Fw-190 A8 básico estão presentes e bem representadas. Deve-se destacar, porém, que a partir deste kit Profipack não é possível modelar todo e qualquer A8 sem a adição de peças adicionais ou algum trabalho de conversão. Fora do escopo deste kit estão, por exemplo, os “Sturmbocks”, os “Wilde Sau” ou o avião de Priller do Dia D, que têm pequenas diferenças, por exemplo, no armamento das asas e na blindagem. Assim, recomenda-se que o modelista pesquise primeiro se o conteúdo deste primeiro kit permite a montagem de um modelo específico. Por outro lado, é possível notar a intenção da Eduard de lançar diversas outras versões do FW-190 em seguida. Pode-se observar nas árvores antenas de radar, consoles do cockpit, portas do trem de pouso, rack ventral, canhões e metralhadoras das asas, cobertura das metralhadoras do capô, uma hélice de pás largas e até placas de vidro blindado que não serão utilizadas nos modelos propostos nesta edição do kit.

A Árvore de peças “C” traz os elementos fundamentais do avião: asas, fuselagem, profundores e ailerons, leme de direção e coberturas das metralhadoras da fuselagem. O conjunto traz gravados os detalhes representando o tanque de MW50, o que indica que esta árvore será útil para FW-190 A8 e A9, mas não para versões anteriores. Temos várias opções de capota para as metralhadoras, uma específica para as MG 131 dos A8. As asas, por sua vez, apresentam as “bolhas” que abrigam as MG 151 nas baias externas - o que limita as opções de A8 que podem ser construídas a partir deste kit. O que não gostei foi o pitot moldado na ponta da asa. O modelista deverá ser extremamente cuidadoso para não quebrar essa peça, extremamente delicada, durante a montagem e a pintura. Talvez a opção mais sensata seja retirar a peça e colá-la ao final da montagem. Veremos.

 

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A Árvore de peças “A” traz pouco mais de uma centena de peças que compreendem boa parte dos detalhes do kit. Ali estão os elementos do cockpit, conjunto propulsor, trem de pouso, armamentos, até antenas de radar. Várias dessas peças são redundantes ou não aplicáveis ao A8 padrão, o que sugere que teremos vários lançamentos nessa linha num futuro próximo. A edição Royal Class, recentemente lançada, já contém peças específicas para completar o A8 tanto como o /R2 “Sturmbock” e o /R11 caça noturno.

 

 

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Por fim, a árvore “D” traz as transparências, finíssimas, sem distorções, sem deixar de lado os detalhes das estruturas delicadamente representados. Temos um para-brisa, um colimador e duas opções de canopi deslizante (um, o tradicional “reto” e o outro, mais em “bolha”, dos aviões de final de produção). Para garantir uma montagem correta, cada uma dessas opções tem duas peças diferentes, uma para o canopi em posição aberta e outra para o canopi na posição fechada, totalizando assim quatro peças diferentes para o canopi deslizante, à escolha do modelista. Completa a árvore duas peças representando o vidro blindado usado nos “Sturmbocks”, que não serão usadas nas neste kit.

 

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Uma folha bastante abrangente de fotogravados acompanha o kit, a maioria delas para enriquecer o cockpit: painéis de controle, consoles laterais, cintos de segurança, pedaleiras, até algumas alavancas. Juntamente com as peças do kit, espero que tenhamos um conjunto bastante rico em detalhes, especialmente considerando-se a escala. A maioria das peças para o cockpit é pré-pintada, o que facilitará sobremaneira o trabalho do modelista. A discutir somente o tom do RLM66, na minha humilde opinião um pouco claro demais. Mais para a frente deverei decidir de retoco as peças em fotogravado ou se “clareio” mais um pouco o RLM66 na pintura. Muito provavelmente a segunda alternativa vencerá...

Completa a folha de fotogravados peças para fazer as antenas (morane e DF loop), o degrau retrátil para embarque e as pinças do trem de pouso principal.

O kit também traz um conjunto de máscaras para as partes transparentes, o que facilita bastante o trabalho de pintura; apesar de as transparências do FW-190 não serem especialmente complexas, os ganhos em precisão e qualidade do mascaramento são muito grandes.

 

 

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Duas folhas de decais são oferecidas. Uma traz os muitos estênceis aplicáveis, com diversas opções refletindo sutis variações de forma, cor e conteúdo – o que exigirá do modelista um pouco de pesquisa para decidir quais serão de fato aplicados. A outra folha traz marcações para cinco aeronaves diferentes, abrangendo boa parte da trajetória do A8 “padrão”. Ambas as folhas são impressas pela Eduard, finas, com registro perfeito e, pelo que aparentam, suficientemente opacas. As opções de decoração são, coincidentemente, as mesmas oferecidas no kit 1/48 de 2009 (#8173) que tenho na minha estante.

As opções são:

A – “Azul 8”, IV./JG 5, Herdla, Noruega, primavera de 1945

B – “Azul 13”, Maj. Walter Dahl, Stab/JG 300, Jüterbog, Alemanha, dezembro de 1944

C – “Branco 2”, Uffz. Julius Händel, IV./JG 54, Polônia, Agosto/setembro de 1944

D – “Branco 6”, Lt. Gustav Salffner, 7./JG 300, Lobnitz, Alemanha, março de 1945

E – “Preto 10”, W.Nr 380352, I./JG 11, Darmstadt, Germany, Spring, 1945

 

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O folheto de instruções é composto por 16 folhas tamanho A5 em papel couché, grampeadas formando um livrinho. A impressão a cores é de excelente qualidade; cinco das folhas trazem ilustrações ricamente detalhadas em cores dos esquemas de pintura e do posicionamento dos decais. Padrão Eduard de qualidade nessa área, muito bom. Você pode baixar as instruções em PDF seguindo este link

 

 

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Conclusões

Para os que, como eu, militam na escala 1/72, este lançamento da Eduard é extremamente bem vindo. O FW-190 é um dos mais importantes aviões da II Guerra Mundial e, embora já existam muitos outros kits dele na escala 1/72, este permite montar modelos ricamente detalhados com um grau moderado de dificuldade (mais em função da quantidade de peças do que da qualidade delas, diga-se de passagem) e uma gama incrível de acessórios.

O kit 1/48 da Eduard de alguns anos atrás era riquíssimo em detalhes mas sua montagem poderia ser extremamente complexa, o que assustou alguns modelistas. Este kit na 1/72, ao invés de ser uma mera redução do kit 1/48, traz um compromisso excelente entre nível de detalhes e facilidade de montagem, refletindo uma postura na minha opinião correta da Eduard em fazer kits basicamente simples mas com grande possibilidade de detalhamento com a adição de conjuntos extras.

Certamente outras versões virão num futuro próximo, e a Eduard já lançou diversos conjuntos de detalhamento em resina e fotogravados (veja a nossa avaliação aqui) e uma versão “overtree” para aproveitar os decais que porventura sobrarem da montagem deste kit. Um pacote “Royal Class” já está disponível também, com conteúdo para montar nada menos que quatro modelos completos entre doze opções de marcações e variantes. Muita diversão nos aguarda, tenho certeza.

Gostei muito deste lançamento, que está indo imediatamente para a bancada. Altamente recomendado para modelistas de todos os níveis!

 

 

Nossos agradecimentos à Eduard pelo exemplar para review

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