Soviet Battleship Marat - Zvezda 1/350
Escrito por Ricardo P-40   
Seg, 19 de Outubro de 2015 00:00

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Soviet Battleship Marat

Zvezda 1/350 - #9052

HISTÓRICO

A Classe Gangut de couraçados

Os navios da Classe Gangut foram os primeiros couraçados do tipo dreadnought construídos para Marinha Imperial Russa antes da Primeira Guerra Mundial. Após os desastres ocorridos durante a Guerra Russo-Japonesa, a Marinha Imperial Russa precisava urgentemente rever seus conceitos e o design de seus navios, e para isso realizou uma grande reforma em seus quadros. Em 1907 foi aprovado o requerimento para uma nova classe de couraçados do tipo dreadnought, tendo o estaleiro inglês Vickers Ltd. apresentado um projeto que atendia as especificações iniciais de uma embarcação de 22.000 toneladas com 12 canhões de 12 polegadas montados em torres triplas superpostas. Porém problemas com a construção do Cruzador Armado Rurik pela Vickers na Inglaterra, fez com que o Ministério Naval revogasse o contrato com ela e abrisse uma concorrência internacional para desenvolvimento da nova classe, cujos navios deveriam ser construídos na própria Rússia. Em março de 1908, 51 projetos foram apresentados por 13 estaleiros diferentes, tendo ganho a concorrência o projeto da Blohm und Voss alemã. Porém surgiram então divergências com a França, a qual estava financiando o rearmamento russo, que desaprovou o repasse do dinheiro francês para uma empresa Alemã. Finalmente, para evitar maiores problemas diplomáticos, os russos compraram o projeto alemão e o engavetaram, encomendando um novo projeto a empresa russa Baltic Works. Esta pelo seu lado, contratou a empresa inglesa John Brown & Company para assistí-la com o desenho do casco e maquinário. Um detalhe importante do novo projeto é que os russos deram preferência a um arranjo do armamento principal onde as torres ficassem todas no mesmo nível. No entender deles, as torres superpostas causavam interferências  nas torres inferiores durante as salvas, preferindo estes um arranjo linear distribuído ao longo do navio. As vantagens desse arranjo é que aliviava o peso nas extremidades do casco, já que não havia concentração do peso de duas torres numa mesma área, melhorava a estabilidade por não haver torres e barbetas mais altas, o que também permitia um perfil geral mais baixo. Por outro lado ainda diminuíam o risco de explosão já que os estoques de munição eram separados uns dos outros. No entanto isso também obrigava que esses estoques ficassem entre as máquinas totalmente envoltos pela tubulação que as interligavam, além do arranjo reduzir o espaço livre sobre o convés. Essa falta de espaço, ainda complicou substancialmente o posicionamento dos canhões secundários que defenderiam o navio contra barcos torpedeiros, uma vez que esses deveriam ficar o mais próximo possível da linha d’agua nas laterais do casco.

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Uma vez estabelecidos os parâmetros básicos do projeto, quatro navios foram encomendados em 1909, dos quais dois, Gangut e Poltava, receberam os nomes de batalhas vencidas por Pedro o Grande durante a Grande Guerra do Norte, e os outros dois, Sevastopol e Petropavlovsk, os de batalhas da Guerra da Crimeia. Sendo que destes, três nomes já tinham sido usados antes por couraçados pré-dreadnoughts da Classe Petropavlovsk, perdidos na Guerra Russo-Japonesa.

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Os quatro navios tiveram suas quilhas batidas em junho de 1909, porém, devido a problemas financeiros, a construção seguiu bastante lenta até o início de 1911, quando então finalmente foi liberada a verba necessária para o andamento do projeto, cerca de 11 milhões de Rublos por navio. Com isso os navios só foram incorporados a esquadra  entre dezembro de 1914 e janeiro de 1915,  mesmo assim ainda necessitaram passar por ajustes nas torres e sistemas de controle de tiro até março de 1915.

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De um modo geral os navios da classe tinham originalmente  181,20 metros de comprimento, 26,9 metros de largura, 8,99 metros de calado e deslocavam 24.400 toneladas. Dois lemes operados eletricamente foram instalados na linha central dos navios, o auxiliar menor na frente e o principal maior atrás. Dez turbinas moviam as 4 helices, a casa das máquinas ficava entre as torres 3 e 4 em quatro compartimentos transversais, haviam ainda 25 caldeiras instaladas em grupos a frente da torre número 2 e entre as torres 2 e 3 que eram aquecidas por uma mistura  de óleo e carvão. No total, o conjunto propulsor proporcionava aos navios a velocidade máxima de 24,1 nós e um alcance de 3.500 milhas náuticas a velocidade de cruzeiro de 10 nós. O armamento principal consistia em 12 canhões Obukhovskii de 12 polegadas montados em 4 torres triplas. Adicionalmente, 16 canhões de 4.7 polegadas foram montados em casamatas operadas manualmente, que ficavam nas laterais do casco pouco acima da linha d’água. O propósito desse armamento secundário era prover proteção contra o ataque de barcos torpedeiros, porém devido ao arranjo feito no armamento principal os canhões secundários da proa acabaram ficando numa posição em que eram facilmente atingidos pela água em mar, mesmo quando levemente agitado. Na sua configuração original, os navios receberam um único canhão de anti-aéreo de 3 polegadas instalado no convés, porém segundo algumas fontes, mais 4 canhões de 3 polegadas foram instalados sobre as torres principais ao curso da Primeira Guerra Mundial. Haviam ainda 4 tubos lança torpedos de 17.7 polegadas instalados abaixo da linha d’água.

Com a Primeira Guerra Mundial já em andamento, a idéia inicial foi usá-los para defender a entrada do Golfo da Finlândia de eventuais ataques alemães. Porém como esses nunca ocorreram, os navios passaram a guerra em missões de treinamento e provendo cobertura ao lançamento de minas. As suas tripulações aderiram ao motim geral da Frota do Baltico que se seguiu a Revolução de Fevereiro de 1917 e se juntaram aos bolcheviques no ano seguinte. Com a independência da Finlândia em dezembro de 1917, os russos foram obrigados a evacuar sua base naval em Helsinque. Com isso os navios da Classe Gangut lideraram o primeiro contigente de navios que partiu para Kronstadt, através do Golfo da Finlândia que estava totalmente congelado. Por falta de tripulantes, todos os navios da classe, a excessão do Petropavlovsk, foram desativados entre outubro e novembro de 1918, sendo que o Poltava foi seriamente danificado por um incêndio enquanto estava inativo em 1919.

O Petropavlovsk foi mantido em comissão para a defesa de Kronstadt e Leningrado contra as forças britânicas que estavam dando apoio aos Russos Brancos, nesse meio tempo ele ainda ajudou a suprimir o motim da guarnição do forte Krasnaya Gorka em 1919 e dar apoio as forças bolcheviques. A sua tripulação, junto com a do Sevastopol, se juntou a Rebelião de Kronstadt de março de 1921. A participação nessas rebeliões, motivou que se agraciassem  os navios com novos “nomes revolucionários” , assim o Gangut passou a se chamar Oktyabrskaya Revolyutsiya (Revolução de Outubro), o Petropavlovsk recebeu o nome de Marat (Jean-Paul Marat), o Sevastopol foi rebatizado como Parizhskaya Kommuna (Comuna de Paris) e o Poltava como Frunze (Mikhail Frunze). Entre 1925 e 1926 foram feitos arranjos para se tentar recomissionar o Frunze (ex-Poltava) e o  Parizhskaya Kommuna (ex-Sevastopol). Porém o custo de recuperação do primeiro se mostrou muito alto, já o Parizhskaya Kommuna recebeu diversas modificações em 1928 para melhorar sua navegabilidade em mar aberto, de forma poder ser transferido para a Frota do Mar Negro que no momento não tinha nada além de cruzadores leves para a sua proteção. Essas modificações se mostraram bem sucedidas e deram ensejo a várias outras as quais cada navio da classe passou a ser submetido no período entre guerras, de forma melhorar seus respectivos desempenhos. Ainda se tentou em 1930 reconstruir novamente o Frunze como cruzador de batalha, removendo uma das torres, mas o resultado se mostrou insatisfatório e ele permaneceu inativo até ser sucateado.

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Os dois navios que restaram na Frota do Baltico, Oktyabrskaya Revolyutsiya e Maratnão tiveram uma participação significativa na Guerra de Inverno. Embora ambos tenham tido seu armamento anti-aéreo bastante ampliado antes da Operação Barbarossa em 1941, isso porém, não foi o suficiente para que eles dessem o apoio esperado aos defensores de Leningrado. O Marat afundou após ter sua proa arrancada e o Oktyabrskaya Revolyutsiya foi seriamente avariado por vários impactos de bombas em setembro de 1941. O primeiro foi reflutuado e transformado em uma bateria flutuante e assim continuou atuando durante o decorrer do Cerco de Leningrado, já o segundo passou mais de um ano em reparo, recebendo novamente vários impactos de bombas enquanto estava no estaleiro. Ambos os navios proveram considerável suporte de fogo contra as tropas alemães e finlandesas, enquanto estas permaneceram ao alcance de seus canhões, levando-se em conta que o Marat estava imobilizado e o Oktyabrskaya Revolyutsiya não ousou se aventurar para além de Kronstadt durante o resto da guerra.

Nesse meio tempo o Parizhskaya Kommuna permaneceu em Sevastopol até ser forçado a evacuar pelo avanço das tropas alemães. Chegou ainda a realizar uma missão a Sevastopol, já sob cerco, em dezembro de 1941 e realizou diversos bombardeios em suporte a ofensiva de Kerch entre janeiro e março de 1942. Por volta de abril, foi forçado a recuar, tendo em vista que se tornou um alvo muito vunerável ao aumento da supremacia aérea alemã no período.  

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O Oktyabrskaya Revolyutsiya  e o Parizhskaya Kommuna, permaneceram no serviço ativo após o fim da Segunda Guerra, embora se saiba muito pouco das suas atividades. Em 1954 ambos foram re-classificados como “Couraçados Escola” e em 1956 descarregados da Marinha e aos poucos sucateados.  Foram feitos vários planos para se reconstruir o Marat usando a proa do Frunze, porém todos foram rejeitados e a idéia foi formalmente descartada em meados de 1948. Em 1950 foi renomeado Volkhov (Rio Volkhov) e passou a servir como navio de treinamento estacionário até ser descarregado 1953 e posteriormente sucateado. Já o Frunze teve o seu sucateamento oficialmente iniciado em 1949, porém duas de suas torres com os respectivos canhões foram usados na reconstrução da Bateria de Defesa Costeira 30 (Maksim Go’kii I) em Sevastopol, permanecendo em serviço ativo na Marinha Soviética até 1997.

 

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O Couraçado Marat

Originalmente batizado Petropavlovsk, foi o terceiro navio da classe Gangut de dreadnoughts a ser lançado, seu nome teve origem na vitória russa na Criméia durante o cerco de Petropavlovsk em 1854. O navio teve sua quilha batida em junho de 1909, e foi lançado ao mar em setembro de 1911, porém só foi completado em janeiro de 1915, seis meses após o início da Primeira Guerra Mundial. 

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No entanto sua vida operacional só começou em meados de 1915, quando foi enviado a Helsinque para se juntar a Primeira Brigada de Couraçados da Frota do Mar Báltico, a qual tinha como missão inicial a defesa da entrada do Golfo da Finlândia. Porém como os alemães nunca tentaram penetrar o golfo, essa passou a maior parte do tempo em missões de treinamento e cobertura a operações de lançamento de minas.  Em 10 e 11 de novembro e a 6 de dezembro o Petropavlovsk realizou junto com o Gangut missões de cobertura a distância do lançamento de minas, porém permaneceu praticamente inativo durante quase todo o ano de 1916.

Após o início da Revolução de 1917 sua tripulação se juntou ao motim geral da Frota do Baltico de 16 de março de 1917. Como resultado do Tratado de Brest-Litovsk, os soviéticos foram obrigados a evacuar sua frota da Base Naval de Helsinque em março de 1918 para não ter seus navios internados pela Finlândia que acabara de se tornar independente. O Petropavlovsk e seus irmãos de classe lideraram a atravessia da frota através do Golfo da Finlandia congelado até Kronstadt, durante cinco dias, um episódio que acabou sendo chamado de  “A Viagem do Gêlo”.

Por vários anos após a Revolução o Petropavlovsk foi o único dreadnought operacional disponível para os bolcheviques, provendo cobertura para navios menores em missões de ataque. Em 31 de maio de 1919 disparou seus canhões em apoio ao destroyer russo Azard e vários navios caça-minas  que caíram numa armadilha feita pelas forças britânicas que apoiavam os Russos Brancos. O destroyer britânico HMS Walker aparentava estar operando sozinho na área quando os soviéticos partiram para ataca-lo, porém vários outros destroyers britânicos estavam posicionados para atacar os soviéticos pela retaguarda. O Azard recuou a toda velocidade e o Petropavlovsk abriu fogo contra o HMS Walker a 14.000 milhas de distância, ele atingiu o Walker duas vezes, causando pequenas avarias e ferindo dois tripulantes. Os demais destroyers britânicos desengajaram na medida em que se aproximaram da artilharia costeira soviética e dos campos minados. Alguns dias depois o Petropavlovsk e o couraçado pré dreadnought Andrei Pervozvanny bombardearam a guarnição do Forte Krasnaya Gorka que se amotinou contra os bolsheviques. Durante a ação o Petropavlovsk disparou cerca de 570 projeteis de 12 polegadas contra os amotinados. A guarnição se rendeu a 17 de junho após Leon Trotsky prometer-lhes o indulto, porém este em seguida ordenou o seu fuzilamento. Em 17 de agosto de 1919 o Petropavlovsk foi torpedeado e posto temporariamente fora de operação pelo Barco Costeiro Motorizado britânico CMB 88 durante um ataque noturno a Kronstadt, porém os danos não foram muito sérios. A tripulação do Petropavlovsk se juntou a Rebelião de Kronstadt de março de 1921, razão pela qual o navio foi rebatizado em 31 de março de 1921 como Marat, em homenagem ao líder revolucionário francês Jean-Paul Marat.

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Por volta de 1922 o seu telêmetro principal foi movido para uma plataforma no mastro da frente e foram montados canhões anti-aéreos de 3 polegadas no teto das torres frontal e traseira. O Marat foi parcialmente reconstruído do final de 1928 a abril de 1931 no estaleiro Baltic Works. A mudança externa mais visível foi a superestrutura frontal mais elaborada para acomodar os novos instrumentos de controle de tiro. Um controlador de tiro KDP6 com 2 telêmetros Zeiss de 6 metros foi posicionado no topo do mastro tubular frontal e um outro telêmetro Zeiss com 8 metros foi adicionado a superestrutura traseira.  A chaminé dianteira foi alongada em 2 metros e dobrada em ângulo para trás de forma afastar a emissão de gases dos dispositivos de controle de tiro. Uma grua foi instalada no mastro principal para movimentar um bote voador KR-1 (Heinkel HD 55), importado da Alemanha, que ficava instalado sobre a terceira torre. Não havia catapulta instalada no navio e o avião tinha que pousar e decolar diretamente da água. A proa do navio também foi elevada, formando um castelo de proa, o que melhorou sensivelmente a capacidade do navio ne navegar em mar aberto. Suas torres também foram retrabalhadas, os canhões substituídos e cada uma recebeu um telêmetro de 8 metros. Suas caldeiras a combustão mista foram convertidas em uma única a óleo com maior potência, o que permitiu a remoção das três caldeiras da proa, criando espaço para a estocagem de mais munição anti-aérea e áreas de controle. As turbinas de cruzeiro também foram removidas, simplificando o maquinário. Essas mudanças produziram um aumento no deslocamento para 26.170 toneladas e no comprimento do navio para 184 metros.  Mais peso foi adicionado ao navio antes da Segunda Guerra Mundial, incluindo um aumento na espessura da blindagem do teto das torres. Haviam planos para uma nova reconstrução de forma resolver problemas que não foram de todo sanados com essas mudanças, porém esses foram cancelados pelo início das hostilidades em 1941.

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O navio representou a União Soviética durante a Revista Naval de Spithead durante a Coroação do Rei George VI em 1937. Dois anos depois teve uma participação mínima na Guerra de Inverno, com o bombardeio contra as posições de artilharia costeira finlandesas em Saarenpää nas Ilhas Beryozovye, no qual disparou 133 projéteis de alto explosivo. Com o congelamento do Golfo da Finlândia, sua atuação na área foi interrompida. No início de 1940 seu armamento anti-aéreo foi consideravelmente reforçado, com a troca dos obsoletos canhões de 3 polegadas por canhões modernos de 76,2mm 34K e dois canhões duplos de 76,2mm 81K no deque. Foram também adicionada 6 metralhadoras automáticas de 37mm 70K, essas adições aumentaram o deslocamento do navio para 26.700 toneladas. O Marat foi para Tallininn logo após os soviéticos terem ocupado a Estônia, no entanto retornou para Kronstadt dois dias antes dos alemães invadirem a Rússia. 

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Quando os alemães invadiram a União Soviética em 22 de junho de 1941, ele estava em Kronstadt e veio a prover suporte as forças Soviéticas, disparando seus canhões contra as posições do 18º Exército alemão em 8 de setembro, a partir do canal de Leningrado. Em 16 de setembro, foi levemente danificado por disparos de canhões alemães de 15 cm que estavam nas proximidades. Acabou sendo afundado em águas rasas, em 23 de setembro, quando duas bombas de 2.000 libras o atingiram próximo a superestrutura frontal, causando a explosão do paiol da proa. Que por sua vez arrancou a torre frontal, atirou a superestrutura e chaminé frontais para estibordo e destruiu a proa, fazendo com que o navio submergisse lentamente até se chocar com o fundo a 11 metros de profundidade, com uma perda total de 326 tripulantes. O seu afundamento é geralmente atribuído ao Oberleutnant Hans Ulrich Rudel do III/StG 2, mas Rudel lançou apenas uma das duas bombas que atingiram o navio.

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A parte restante do navio foi reflutuada alguns meses depois e em dezembro de 1941, lages de granito de 40 a 60mm de espessura, que foram retiradas das paredes do porto, foram colocadas sobre seus deques para reforçar a proteção. Uma nova antepara foi construída um pouco mais atrás da antepara original que foi rompida quando da perda da proa e o espaço entre ambas foi preenchido com concreto, para evitar que o navio voltasse a afundar. Mesmo apesar de ter tido todos os canhões de 120mm removidos, foi transformado em uma bateria estacionária flutuante. No início apenas as duas torres principais traseiras estavam operantes, porém a torre número dois foi posta novamente em operação no outono de 1942, tendo disparado 1.971 projeteis de 12 polegadas durante o cerco de Leningrado. Em 1943 o navio voltou a ser chamado de Petropavlovsk.

Foram feitos planos após a guerra para reconstruí-lo usando a proa do Frunze que estava para ser sucateado. Porém tais planos não prosperaram até serem formalmente cancelados em meados de 1948. Em novembro de 1950 foi rebatizado como Volkhov e serviu como navio estacionário de treinamento até setembro de 1953, quando foi desativado e sucateado.

O KIT

O kit é formado por 7 árvores injetadas em plástico cinza médio de excelente qualidade, contendo cerca de 460 peças, 1 base expositora também em plástico cinza, 1 folha de decalques, uma folha de bandeiras impressa em papel fosco e um livreto de instruções. A injeção é de boa qualidade com detalhes bem definidos, uma pequena quantidade de rebarba eventualmente aparece em uma ou outra peça, mas nada que cause maiores complicações na sua remoção. As marcas de injeção também foram muito bem posicionadas, e a primeira vista nenhuma se encontra em local indesejável. Cabe ainda  lembrar que esse kit foi desenvolvido a partir do kit do Sevastopol da própria Zvezda e compartilha algumas peças e  árvores daquele kit.

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A embalagem segue o padrão da Zvezda com uma caixa interna em papelão pardo com tampa própria e uma segunda tampa externa em papelão cinza com as ilustrações aplicadas externamente em papel brilhante. Além da caixa de papelão pardo ser bastante resistente, a Zvezda providenciou divisórias internas, também em papelão, de forma que as árvores não fiquem soltas dentro da mesma durante o transporte, evitando assim danos às partes. As árvores são ainda acondicionadas em sacos plásticos, assim como o decalque e a folha de bandeiras. 

A árvore (A), é composta pelo casco e é uma das partes herdadas do kit do Sevastopol, o mesmo é dividido em duas metades e possui marcação interna para o corte na altura linha d’água. Embora a Zvezda tenha fornecido longarinas internas para manter as metades superiores do casco corretamente alinhadas após o corte, nenhum fundo plano foi previsto para o seu fechamento em baixo.  Pode-se ainda observar pela forma como o alto da proa foi cortada, que esse casco foi originalmente concebido levando-se em conta as possíveis variações dos navios da classe Gangut, que poderiam vir a ser lançadas. A princípio eu estranhei os detalhes do casco abaixo da linha d’água, porém observando a foto do Sevastopol no dique seco acima no histórico, percebi que a aparência das chapas do casco da classe era realmente conforme está representado no kit. As casamatas dos canhões secundários também encontram-se muito bem realizadas junto ao costado.

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A árvore (B) é própria do kit do Marat e trás a maioria das partes que foram modificadas durante a reconstrução do navio entre 1928 e 1931. Temos aqui as duas metades da nova proa mais elevada, o convés principal dividido em duas partes, os dois conveses laterais da popa em uma única peça, o piso do castelo de proa, as longarinas que unem as duas metades do casco na parte superior, os dois lemes, as peças que formam as duas chaminés e algumas partes das superestruturas. Vem ainda na árvore uma plaqueta com o nome “MARAT” escrito em cirílico para ser colada na base expositora.  É interessante observar que mesmo usando de recursos mais simples do que a maioria dos fabricantes atuais de navios, a Zvezda conseguiu um resultado excelente nesse kit. O nível de detalhamento é excelente e bastante adequado a simplicidade do navio real, algumas áreas são surpreendentes como o piso das duas metades do convés, onde foi representado o  padrão de colocação das pranchas de madeira, sem as tiras transversais de latão sobre elas, tal qual se vê em algumas fotos  dos navios da classe no período da Segunda Guerra Mundial. Mesmo aquilo que pode parecer muito simples ou vazio de detalhes está correto, pois o navio real possuía várias áreas assim. As chaminés estão muito bem detalhadas, com destaque especial para aquela que é dobrada para trás que é uma das principais características do perfil do Marat. A base da chaminé também está muito bem feita, com detalhes representados que podem ser conferidos em algumas fotos.  A nova proa do kit reproduz muito bem o formato que ela adquiriu no navio após ter sido aumentada para que o Marat pudesse navegar melhor em mar aberto.

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São fornecidas duas árvores (C), as quais também são comuns ao kit do Sevastopol. Nela encontramos os canos dos canhões de 12 polegadas e dos de 120mm, as bases e barbetas das torres principais, os turcos, os botes salva-vidas, as hélices, as âncoras, os holofotes, os postes de amarração e outros elementos menores a serem aplicados sobre o convés e superestruturas. Os detalhes de um modo geral são simples, porém bastante convincentes e adequados para a escala, os botes em especial são muito bem feitos e poderão ser melhorados com fotogravados para o Sevastopol atualmente a disposição no mercado ou com os que venham ainda a ser lançados especificamente para o Marat. Os canhões principais  e secundários infelizmente não tem a boca vazada, porém isso pode ser feito facilmente com brocas de espessura adequada ou ainda ambos substituídos pelos canos em metal torneado que já existem para o Sevastopol.

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A árvore (D) também é específica do Marat e nela temos: os bocais das chaminés, as correntes das âncoras, plataformas dos mastros e superestruturas, amuradas cobertas com lona e outros detalhes menores a serem aplicados nos mastros e superestruturas. Aqui o nível do detalhamento permanece o mesmo visto em outras árvores. As  grades dos bocais são bastante razoáveis, mas eventualmente poderão ser substituídas por fotogravados. As correntes das âncoras não são um detalhe que fique muito bem em plástico injetado, porém a presença delas aqui indica que felizmente a Zvezda não as estampou sobre o convés, o que seria imperdoável num kit atual. Significando também que estas poderão ser facilmente substituídas por correntes de metal de tamanho adequado sem a necessidade de removê-las do convés com o risco de danificar outros detalhes. Dois detalhes merecem um destaque especial nessa árvore: A forma eficiente e adequada como o caimento da lona sobre as amuradas foi representado e o cuidado na representação das estruturas de sustentação sob as plataformas, um detalhe que nos kits mais antigos ou eram simplesmente omitidos, ou eram mal representados devido serem pouco visíveis.

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Nas duas árvores (E) fornecidas estão: As torres dos canhões principais, as casamatas dos canhões anti-aéreos de 76,2mm, escudos das metralhadoras de 37mm, os canhões de 76,2mm, as metralhadoras de 37mm, outras metralhadoras anti-aéreas de menor calibre, os paravans, os telêmetros das plataformas, holofotes e outros detalhes menores. As casamatas e escudos são muito bem feitos, porém um pouco espessos para a escala, porém isso é uma limitação própria do plástico injetado que eventualmente pode ser resolvida com substitutos fotogravados. Os canos de algumas das armas eventualmente também poderão ser substituídos por tubos de metal torneado. Embora os detalhes menores estejam em geral muito bem representados, hoje tem aparecido no mercado diversos conjuntos em resina que substituem com grande vantagem os holofotes, equipamentos óticos, paravans, telêmetros, metralhadoras e canhões de pequeno calibre da maioria dos kits. É possível até que alguns deles já estejam no mercado visando o kit do Sevastopol, já outros mais específicos para o Marat, certamente aparecerão em breve. Nessas duas árvores que também são próprias do Marat, estão representadas sobre uma das torres de cada, as três plataformas sobre as quais foram montados os canhões de 76,2mm a partir de 1922.

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A base expositora, que alguns afirmam representar um fundo de mar rochoso, é padrão nos kits de navios 1/350 da Zvezda. Ela é injetada no mesmo plástico do resto do kit, e tem duas colunas vazadas que se conectarão a pinos a serem colados no fundo do casco. Até hoje ví muito poucos kits montados sobre essas bases, e confesso que as considero de um gosto o tanto o quanto duvidoso.

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Duas bandeiras da Marinha Soviética são fornecidas impressas sobre uma folha de papel branco fosco. Uma pequena com uma estrela delineada em branco no centro, que era usada no mastro da frente e uma maior com uma estrela e a foice e martelo em vermelho sobre o fundo branco com uma barra azul na parte de baixo, a qual era hasteada no mastro de trás. As bandeiras são razoavelmente bem impressas para a escala e com as cores corretas. Para os que como eu, preferem usar bandeiras impressas em decalque ao papel, existe uma ótima folha de decalques da Begemot de bandeiras da Marinha Soviética na escala 1/350 que poderá substituí-las.

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A folha de decalque é impressa sobre um fundo azul claro e trás em dourado duas vezes o nome “MARAT” escrito em cirílico para ser aplicado nas laterais da popa do navio. Esses nomes, no navio real, eram montados com letras estampadas em latão que eram fixadas nas laterais da popa e ficavam em alto relevo. Eles aparecem em algumas fotos do Marat de antes da guerra, porém, acredito que por medida de camuflagem, eles tenham sido pintados por cima durante a guerra com o mesmo tom de cinza do restante do casco do navio. Está presente também o brasão de armas da União Soviética que era fixado no centro da popa.  Os demais motivos são todos em branco e não aparecem muito bem na imagem acima, eles são as diversas marcações de calado que eram pintadas tanto na proa, como em cinco seções diferentes ao longo do casco e também a fina linha branca que demarcava a linha d’água, seccionada em pequenas partes para facilitar a aplicação. O decalque é muito bem impresso e o único motivo multi colorido, que é o brasão, se encontra com o registro perfeitamente centrado. O filme me parece ser bastante fino e suponho que não causará surpresas durante a colocação. 

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O folheto de instruções possui oito páginas impressas sobre papel branco de boa qualidade, os textos e as informações e indicações em geral, estão em russo e em inglês. Na primeira página temos um pequeno resumo histórico e conselhos gerais de montagem. Na segunda página estão os diagramas das árvores e das demais partes, da terceira a oitava página, está a sequência de diagramas que orienta montagem propriamente dita. No início da terceira página há ainda um índice dos tipos de indicações utilizadas nos diagramas. Apesar da complexidade do navio, as sequências me parecem ter sido muito bem elaboradas e as indicações nos desenhos estão bem explícitas, não deixando margens a dúvidas. Estrelas pretas com bandeirolas numeradas indicam os números das cores a serem pintadas em partes menores durante a montagem de cada etapa e pequenas bolas cinza numeradas indicam o posicionamento nos conjuntos maiores dos pequenos sub-conjuntos que vão sendo montados em separado.

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Na última página está o diagrama geral de pintura do navio, o qual de um modo geral era todo no cinza naval russo com a parte de baixo do casco em preto e o convés em madeira natural. Acompanha ainda uma tabela de cores com a indicação dos números das bandeirolas mostradas nos diagramas associados ao nome de cada côr em russo e inglês e as suas respectivas equivalências com as tintas da Humbrol. Nesse diagrama também vem o posicionamento dos decalques e bandeiras. Tudo no folheto de instruções é bastante claro e compreensível não sendo difícil o seu acompanhamento até mesmo para os modelistas com pouca experiencia.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Não muito tempo depois que a Zvezda lançou o kit do Sevastopol no final de 2012, começaram a surgir especulações sobre o possível lançamento do Marat, a própria Zvezda anunciou ele ao longo de quase três anos tanto no seu fórum como nos seus catálogos. Tudo aparentava que a proposta inicial é que sairia apenas uma edição limitada, provavelmente com partes em short run e/ou resina para se fazê-lo a partir do Sevastopol. Porém o nível de interesse foi tanto que a Zvezda preferiu investir em mais algumas formas e fazer logo um kit completo, o que resultou em algo muito melhor para nós.  Não há dúvida de que essa foi uma decisão bastante inteligente, primeiro porque o kit do Sevastopol é considerado um grande sucesso e até hoje é bastante elogiado pelos modelistas. Dois exemplos da boa aceitação dele é o fato de além de outros fabricantes de acessórios de renome, a Pontos produz um fantástico set de detalhamento para ele, e mais recentemente a Revell relançou o mesmo kit como sendo do próprio Gangut que iniciou a classe. E em segundo lugar essa é uma evolução do projeto inicial da classe bastante conhecida e cobiçada e tudo indica que o kit do Sevastopol já foi projetado levando-se em conta o seu possível reaproveitamento em versões posteriores. Inclusive já expecula-se a possibilidade da Zvezda vir a lançar daqui a algum tempo o Oktyabrskaya Revolyutsiya e/ou o Parizhskaya Kommuna, lembrando que embora ambos se pareçam a primeira vista com o Marat, possuem diversas diferenças na superestrutura e configuração do armamento secundário.

O resultado disso tudo é que o kit do Marat herdou todas as excelentes qualidades do Sevastopol com partes com o mesmo nível de qualidade que o transformaram no Marat. Cabe ainda observar que apesar desse kit não ter o mesmo refino na injeção e nem a adição de fotogravados e outros extras que os kits mais recentes dos principais fabricantes tem trazido atualmente, ele é suficientemente bem detalhado e fiel ao original para se tornar numa representação bastante honesta do navio sem muito esforço ou necessidade de correções. Certamente, alguns detalhes cuja representação em plástico injetado deixa a desejar, se beneficiarão muito mais com a adição de fotogravados, tubos metálicos e de diversos outros acessórios em resina, mas isso é algo que ocorre com todos os kits de navios dessa escala, mesmo com os mais caros e sofisticados.  Com relação aos acessórios, muita coisa já existe no mercado para o kit do Sevastopol que pode ser usado nele, além do mais algumas empresas do leste europeu como a North Star tem desenvolvidos diversos acessórios em resina para navios russos de épocas distintas, dentre os quais muita coisa pode ser aproveitada para a sua melhoria. Porém certamente não tardará a aparecerem conjuntos dedicados exclusivamente para ele no mercado, inclusive a própria North Star já aventou a possibilidade de produzir um fotogravado com essa finalidade.

Com relação a referências, muitas fotos e desenhos podem ser encontrados na internet, porém a maioria dos textos está em russo. O mesmo acontece com relação aos livros, os russos dão um grande valor a suas tradições navais e possuem uma vastíssima literatura a esse respeito, inclusive sobre a classe Gangut e o Marat especificamente, porém com os textos todos em russo, raramente com algumas legendas em inglês. De qualquer forma recomendo para quem quiser se aprofundar no assunto ou ter uma referência mais apurada tanto para fazer o Marat como também para o Sevastopol ou o Gangut, o livro  Pervue Linkory Krasnogo Flota (Os Primeiros Navios de Guerra da Marinha Vermelha) da série Arsenal Kollektsiya da Yauza. Apesar do problema da língua, o livro possui uma grande quantidade de fotos, diagramas e desenhos de todos os navios da classe durante as suas carreiras, desde o lançamento até a desmobilização final.

Portanto, considero o kit bastante recomendável para praticamente todos os modelistas, até para os com pouca experiência com navios. Apesar da quantidade de peças assustar a primeira vista, a montagem aparenta ser bastante tranquila, com etapas bem elaboradas e a pintura também não é das mais complexas. Para os mais exigentes, recomendo aguardar até que haja no mercado acessórios mais específicos para o navio, como por exemplo, o deque em madeira e um fotogravado próprio, para iniciar a montagem.

 

 
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