FW-190D-9/ D-13 Dual Combo - Eduard 1/48
Escrito por Júlio Martins   
Qui, 22 de Julho de 2010 11:20



 Eduard Item nº 8185

 

Histórico

Passagem retirada do livro "O Grande Circo", do piloto Franco-Brasileiro Pierre Clostermann, narrando episódio em que foi abatido por um FW-190D.

"Por duas vezes meu instinto de perigo não se fez presente. A segunda delas, aconteceu no dia 21 de abril de 1945, quando a guerra estava na iminência de terminar. Eu liderava uma patrulha de cinco Tempests ao longo da estrada que liga Osnabruck a Bremen, por sobre o lago Dummersee. Pilotávamos o melhor caça que a RAF possuía e a guerra estava prestes a terminar. Estávamos super confiantes, mas nas últimas semanas a I/JG26 havia derrubado 14 Tempests !!!

De repente, um Focker Wulf  "Nariz Comprido" surgiu das nuvens, e antes que eu pudesse ter qualquer reação, meu ala da esquerda explodia em chamas, para logo em seguida outra explosão acontecer do meu lado direito, e eu só ter tempo de ver o vitorioso "Dora" desaparecer entre as nuvens para surgir em seguida acima da superfície do lago Dummersee.

Chamei pelo rádio o outro ala, o australiano Bay Adams, e ordenei-o que assumisse o comando da esquadrilha. Disse ainda "Me cubra. Deixe comigo. É um alvo fácil". Essa seria uma frase que ficaria em minha memória...

Empurrei a manete de potência ao máximo, e o Tempest mergulhou  a 800 km/h. Nivelei bem em cima do lago e aproximei-me do "Dora" a uns 400 metros. Pensei que estivesse com vantagem, pois estava com o Sol por trás. Ajustei o visor, armei os quatro canhões e quando levantei a cabeça o "Dora" não estava mais lá. Meu Deus, para onde foi o alemão?
Esse cara deixou-me aproximar, fazendo-se de morto, e quando estou ajustando o visor desaparece. Quase que por instinto, vislumbro uma sombra acima do meu avião. É o "Dora" que sobe como um foguete. Automaticamente puxo o manche e subo atrás dele, vendo a parte inferior do FW suja de óleo.

Continuo subindo, e de repente meu Tempest estola. Fico completamente atordoado, pois entrar em um stol num Tempest a menos de 3000 metros é terminantemente proibido. Estou em pânico. Corto o fio da "overspeed", e faço uma manobra maluca na tentativa de recuperar velocidade, mas onde está o "Dora"? Perdi-o de novo.

BANG!

Sinto o impacto de um obus na capota do motor e em seguida um outro. Meu coração dispara. A hélice trava e observo fumaça saindo dos escapamentos. Ninguém pode imaginar a sensação que um piloto sente neste momento. Todas as palavras desaparecem e o medo toma conta de seu corpo, mas eu ainda estou vivo.

Como sempre, foi uma questão de centímetros. O primeiro obus atingiu a blindagem do tanque de combustível, e o que seria se a blindagem não suportasse o impacto? Comecei a planar, se é que posso dizer que um Tempest plana. Eu estava muito baixo para saltar de paraquedas, e por isso entro em pânico de novo. Tento destravar o canopy, mas o mecanismo não funciona. Olho para cima e vejo uma fuselagem de côr ocre com manchas verdes, faixas vermelha e amarela na cauda e uma cruz preta. Que bela máquina.

Faço uma aterrissagem forçada após deslizar por mais de 100 metros de lama, o que de certa forma me salvou, absorvendo todo o grande impacto.

Vendo tudo escuro a minha frente, saltei para a asa do avião, escorreguei e caí sentado na lama. Então, ouvi o característico som do motor alemão. Tão lindos eram seus aviões, mas o ronco dos motores parecia sucata. Eu ainda posso ver as negras hélices vindo contra mim, com a espiral branca girando ao centro...será que vai atirar? Não, ele balançou as asas e foi embora.

Fiquei deitado alí, atordoado e estarrecido, até que dois soldados americanos, estúpidos demais para reconhecer um avião aliado, apontaram suas aramas em meu nariz...

Um carro americano me levou de volta à base. Estava salvo! Naquela tarde, na sala dos oficiais, todos os meus pilotos ironicamente aplaudiram quando entrei caminhando. Eles tinham pendurado uma faixa do teto ao chão escrito: "Leave it to me, it's a piece of cake!" A gozação durou todo aquele mês...

O piloto alemão era, provavelmente, Rudi Wurlf da III/JG 301, com 48 vitórias em 8 meses de combate."



O Kit

Dando sequência à série de "Wurgers", a Eduard lança agora este espetacular "Dual Combo" com os Doras 11 e 13. O 190D-11 já havia sido lançado antes na 1/48 pela Dragon e pela ProModeler, mas o D-13 é a primeira vez que sai injetado.

Apesar de semelhantes ao já conhecido e por nós revisado FW-190D-9 Eduard (http://www.aprj.com.br/reviews/68.html), estas duas aeronaves tem no motor e nos armamentos suas diferenças mais marcantes, como veremos a seguir.

Na tradicional caixa, decorada com espetacular "aviation art", encontramos 2x 159 peças plasticas, dois frets de photoetches coloridos para o cockpit, máscaras para a pintura das transparências e grande folha de decais Cartograf, além das instruções em livreto colorido tamanho A4 com 16 páginas de papel couche.

As peças plásticas não apresentam qualquer deformidade ou rebarbas. Possuem pinos de contato pequenos, que não atrapalharão na retirada das peças da galha.

O cockpit, nesta versão profipack, tem as opções de montagem com peças plásticas ou utilizando os photo-etches coloridos.

 




  

 

 

 Asas e fuselagem com detalhes soberbos em baixo relevo, com finos e delicados rebites e linhas de painel. Apresentam dimensões exatas para a escala quando confrontados com desenhos técnicos.

 


 Este lançamento nos dá peças para a montagem de um D-11 e um D-13. Não há condição de montar dois da mesma série.
Vejamos as diferentes versões:

 

D-9 D-11 D-12 D-13
Motor Jumo 213A-1 Motor Jumo 213E Motor Jumo 213E Motor Jumo 213E

Armamento:
2x MG-131/13mm sobre o motor

2x MG-151/20mm na raiz das asas.

Armamento:
2x MG-151/20mm na raiz das asas

2x Mk-108/30mm na posição externa das asas.

Armamento:
2x MG-151/20mm na raiz das asas

1x Mk-108/30mm atirando pelo  hélice.

Armamento:
2x MG-151/20mm na raiz das asas

1x MG-151/20mm atirando pelo  hélice.

 

Ou seja, as estações de armas diferentes requerem asas diferentes, e o motor maior e a ausência de armas no capô, nova fuselagem. Atenção nas instruções para montar a versão desejada corretamente!

 

Outras diferenças entre estes e o D-9 é a entrada de ar do super charger, com formato bastante diferente, o capot liso pela ausência de armamento e  o hélice VS-9 de madeira com pontas arredondadas. Tudo bem retratado e fiel.

 

 

Detalhe belíssimo nestes Doras Eduard é a parte aparente do motor vista pelo porão de rodas. Em Doras de outras empresas, colocam um tampão no porão de rodas, como nos FW radiais. A Eduard é a única a representar isso de forma correta.

Diferentemente da série radial que a Eduard fez o motor completo, aqui temos apenas a parte visível atravéz do porão de rodas. A montagem fica mais facilitada.

 

Falando novamente nas asas, será necessário fechar as saídas de cartuchos da parte central, isto pois estes furos estariam corretos para os Dora 9, mas não aqui. Feche ambos no caso do D-11, e apenas o esquerdo no caso do D-13. O direto fica para o canhão do eixo do hélice.

 

Ailerons e leme em peças apartadas, mas não os profundores e flap.


 Transparências sem oferecer nenhuma distorção. O conjunto ainda oferece máscaras pré cortadas para o canopi, em fita com pouca cola, o suficiente para não dar trabalho algum para um mascaramento perfeito.

 

 Não faltam detalhes!



 

Decais e versões de pintura.

Decais fabricados pela Cartograf com 6 versões dão o toque final ao conjunto. Registro perfeito, cores firmes, finos e sem nenhum filme em excesso. Insignias, brasões e dois conjuntos completos de marcas de serviço.

 

 

 Fw 190D-11, W.Nr.2200XX, Lt. Karl-Heinz Hofmann, Sachsenberg Schwarm, JV 44, München – Riem, Maio de 1945
Fw 190D-11, W.Nr. 2200XX, VFS des G. d. J., Bad Wörishofen, MArço/ Abril de1945
Fw 190D-11, W.Nr. 220014, VFS des G. d. J., Bad Wörishofen, Abril de 1945
Fw 190D-13, W.Nr. 836016, V./EJG 2(?), Pilsen – Bory, Tchecoslováquia, Maio de 1945
Fw 190D-13/R11, W.Nr. 836017, Stab./JG 26, Flensburg - Weiche, Alemanha, Maio de 1945
Fw 190D-13/R11, W.Nr. 836017, Flensburg – Weiche, Alemanha, verão de 1945

 

 

 Instruções compreensivas, expressas em desenhos esquemáticos de fácil interpretação, em livreto colorido tamanho A4 com 16 páginas de papel couche.

 

 

 Conclusão

Os Dual-Combo da Eduard são ótimas versões de colecionador, e em especial este conjunto de Doras pela beleza de engenharia das peças e delicadeza dos detalhes, além é claro de se tratar de um dos mais espetaculares aviões que o homem já fez voar.

Imperdível! Recomendo aos já iniciados, pois a montagem deste kit não é tão simples.

Cuidado na montagem das peças X46 + X5 + 38. O ângulo de encaixe entre elas deverá ser de 93º, e não 90º como intuitivamente imaginamos. Cuidado ainda com o encaixe do trem de pouso na asa, ele é traiçoeiro.

 

Obrigado Eduard pelo exemplar para review!

 
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