A6M3/3a Type 22 "Zeke" - Tamiya 1/48
Escrito por Júlio Martins   
Qui, 22 de Julho de 2010 11:04


Item n. 61108

Breve histórico:

Hiroyoshi Nishizawa nasceu no dia 27 de janeiro de 1920, num pequeno povoado chamado Nagano Prefecture, era o quinto filho de Shuzoji e Miyoshi Nishizawa. Shuzoji era gerente de uma venda de sake.

Vivia e respirava só para voar. E voava por duas razões: pela alegria de alcançar o domínio daquele estranho e maravilhoso mundo celestial, e para lutar.

No momento em que saía para voar, este estranho e fleumático homem sofria uma transformação surpreendente.
A reserva, o silêncio, o desprezo pelos companheiros desapareciam quase tão rapidamente como a escuridão diante da aurora. Para todos que voavam com ele, tornou-se o "Diabo".

No ar era imprevisível, um gênio, um poeta que fazia seu caça responder docilmente ao suave e seguro toque do seu comando. Jamais vira alguém proceder com um avião de caça da mesma forma que Nishizawa com seu Zero. Assim o descreveu Saburo Sakai.

Forças japonesas pousaram a noroeste de Nova Guiné no dia 08 de março e capturaram Lae e Salomão. Então, em 01 de abril a JNAF sofreu uma reorganização, sendo que o 4º Kokutai se tornou uma unidade exclusiva de bombardeiros, logo, os caças foram incorporados ao Tainan Kokutai, passando a operar da pista de Lae. Foi nesta unidade que se formou o famoso "Trio da Limpeza" composto por Hiroyoshi Nishizawa, Toshio Ota e Saburo Sakai.

O 251º Ku, ou Tainan Kokutai, retornou a Rabaul em 7 de maio de 1943, retomando as operações acima de Nova Guiné e Salomão. Lá o Às passou a voar um A6M3 modelo 22 com a inscrição UI-105 na cauda.

Em 24 de Outubro, Nishizawa foi enviado para o aeródromo de Mabalacat na Ilha Cebu. No dia seguinte ele liderou três A6M5 modelo 52 para escoltar outros 5 A6M5 no que seria o primeiro ataque Kamikaze oficial.

No dia 26 de outubro Nishizawa achando que não tardaria para morrer se apresentou como voluntário para um ataque Kamikaze, mas não permitiram, pois era um verdadeiro Às e teria mais valia como piloto de caça do que morrendo num ataque Kamikaze.

Até essa data Nishizawa abaterá um total de 86 aviões entre eles P-38, P-39, P-40, F4F, Corsairs. Nesse mesmo dia, 26 de outubro, Nishizawa partiu num bombardeiro Ki-49 "Helen" sem escoltas, juntamente com outros pilotos, para Clark Field em Luzon, onde iriam apanhar alguns aviões Zero que haviam chegado. A aeronave decolou e após algum tempo foi recebida uma mensagem S.O.S. e nada mais se soube a respeito do paradeiro da tripulação.

Em 1982 o mistério estava resolvido, a aeronave tinha sido interceptada na região de Mindoro nas Filipinas por 2 Hellcats do esquadrão VF-14 que retornavam a seus porta-aviões.

Assim morreu um dos maiores ases do Japão, com as "asas amarradas" vendo seu fim chegar sem poder disparar um único tiro em sua defesa.

 

O Kit:

Iniciei este review com algumas passagens históricas sobre Hiroyoshi Nishizawa por dois motivos. É dele o mais famoso A6M3 Type 22, e é justamente este avião que adorna, em belíssimo "aviation art", a nova caixa da Tamiya que passamos a apreciar.

O A6M3 Type 22 foi a resposta para a falta de popularidade do A6M3 Type 32, com ponta de asa quadrada. Devolveram ao A6M3 as asas do A6M2 Type 21, e aí surgiu o novo Type 22.

São pouco mais de 130 peças divididas em 7 galhas, cada uma embalada individualmente em sacos plásticos, sendo uma delas a transparência. Necessário afirmar, desde já, que este é um NOVO A6M3, e não aquele antigo que todos conhecem. É nova engenharia, tudo rigorosamente novo!

Linhas de painel rebaixadas, finas e delicadas, plástico cinza sem apresentar nenhuma rebarba, poucos pinos de injeção. Flaps, ailerons e leme em peças apartadas permitem montagem representando movimento. Típico kit dos sonhos.


 

O cockpit é simplesmente espetacular, sem nenhuma lembrança do "antigo" Zero Tamiya ou alguma referência do Zero Hasegawa. Piso detalhadíssimo, cadeira perfurada e fina, painel com relevos acertados, enfim, completo. O pessoal do 'after market' vai ter de se esforçar para superar estas peças.


 

A engenharia da fuselagem apresenta deriva em peça apartada, o que pode significar que teremos mais Zeros vindo por aí.
A representação do motor Sakae 21, diferença notável entre os Type 21 e o Type 22 é acurada. Pistões e caixas de engrenagem bem detalhados.


 

Porão de rodas também não fica a dever nada em detalhes, mas apresenta alguns pinos de injeção. trem de pouso, rodas, porta do trem de pouso com belos detalhes internos.

 

Canopi com peças finas e transparentes, sem distorções, possibilita a montagem aberta. A Tamiya oferece uma máscara para o canopi, mas não é pre-cortada como as Eduard. Ela vem desenhada e será necessário recortar quadradinho por quadradinho... Ajuda, mas não facilita.


 

O type 22 é uma aeronave desenvolvida para operar embarcada, e por tanto, possui asas dobráveis. Diferentemente das aeronaves americanas que dobram quase a asa inteira, o Zero dobra apenas a ponta, e aqui a Tamiya teve o cuidado de preparar um pequeno set de photoetch para detalhar esta dobradiça. Promete ficar muito interessante!


 

Acompanha um belo set de figuras. São quatro pilotos em uniforme de vôo. Alguns apresentam até espada samurai! Bastante bons, exemplo dos melhores que tenho visto na 1/48, diferentemente das figuras Tamiya de militaria 1/48 que são pobres.


 

Decais, instruções e versões de pintura:

Instruções são apresentadas em 3 folhas distintas. Uma, com as instruções propriamente ditas, em folder de 10 partes, indicando 22 passos de montagem, outro folder com um histórico do desenvolvimento da aeronave, em inglês, japonês, francês e alemão, e outro ainda, tamanho A3, com as instruções de pintura. Tudo em papel sulfite impresso em preto e cinza.


 

Decais apresentam cores firmes para três versões de pintura, tudo no registro. Não são finos, mas dá para usar bem. No cockpit, instrumentos e um cinto de segurança.

1. A6M3 Hiroyoshi Nishizawa, 251st Kokutai, maio de 1943
2. A6M3 Iwakuni Naval Air Group, Base Aérea de Iwakuni, outono de 1943
3. A6M3a Saburo Shindo, 582nd Kokutai, Bouganville, junho de 1943


Conclusão:

O Zero ocupa o imaginário popular e o coração de todo fã da aviação. Era uma aeronave soberba, de linhas delicadas, ágil e de grande capacidade de combate.

A Tamiya conseguiu capturar toda a essência deste belo avião, com linhas corretas e adequadas para a escala. Aos meus olhos não apresenta nenhum equívoco de forma, e deve montar como um Tamiya. É o melhor Zero da escala. O Hasegawa não é ruim, nem de longe. Este Tamiya é que é especialmente fantástico!

É o segundo Zero da nova safra 1/48, depois do A6M5 lançado em 2009. Que venham agora o A6M2, o Rufe e o Hamp!

Altamente recomendado!

Um Zero vindo diretamente do Japão! Agradecemos a HobbyLink Japan pelo envio do exemplar para review, que chegou ao Brasil muito bem embalado em apenas 10 dias!



Obrigado HOBBY LINK JAPAN pelo envio do exemplar para review.

 
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